O turismo está envelhecendo. Ainda bem.
Nos dias 11 e 12 de maio de 2026 acontece, em São Paulo, o Fórum de Turismo 60+, um daqueles encontros que deveriam ser obrigatórios para quem ainda acha que longevidade é assunto de nicho.
Não é.
E quanto mais eu estudo a economia da longevidade, mais fica evidente que o turismo está diante de uma das maiores oportunidades estratégicas das próximas décadas.
O Brasil tem hoje 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2012 eram 22 milhões. Até 2030 serão mais de 41 milhões. Em 2050, cerca de 70 milhões. No mundo, serão mais de 2 bilhões de pessoas acima dos 60 anos.
Isso não é tendência. É mudança estrutural.
E o turismo está no centro dessa virada.
A chamada economia prateada já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil. O público maduro responde por uma fatia expressiva do consumo das famílias, tem rendimento médio maior que a média da população e, principalmente, tem desejo de viver experiências.
E viajar aparece entre os grandes sonhos dessa geração.
Mas existe uma contradição que precisa ser encarada de frente: a maioria das pessoas maduras quer viajar, mas uma parte enorme ainda não viaja como gostaria. Não por falta de desejo. Muitas vezes por falta de produto adequado, comunicação inteligente, atendimento preparado, segurança, conforto e escuta real.
O problema não está no consumidor. Está na miopia do mercado.
Ainda se fala do viajante 60+ como se ele fosse apenas alguém em busca de corrimão, silêncio e café da manhã sem açúcar. Que pobreza de leitura.
O viajante maduro quer conforto, sim. Mas quer também protagonismo, curiosidade, beleza, autonomia, afeto, segurança e experiência. Quer ser bem atendido sem ser infantilizado. Quer pagar por valor real. Quer se reconhecer nas ofertas, nas imagens, nos roteiros, na hotelaria, nos destinos e nas conversas.
Os dados mostram que esse público viaja mais fora da alta temporada, permanece mais tempo nos destinos e pode ajudar o setor a enfrentar um dos seus maiores desafios: a sazonalidade.
Ou seja, não estamos falando apenas de inclusão. Estamos falando de estratégia econômica.
O turismo brasileiro faturou R$ 207 bilhões em 2024. Agora precisa entender quem pode sustentar o próximo ciclo de crescimento.
E é por isso que tenho muito orgulho de estar moderando a mesa sobre geroarquitetura e bem estar no turismo, ao lado de Walter Feldman e Flávia Ranieri.
Vamos discutir como hotéis, destinos, espaços, serviços e experiências precisam ser redesenhados para acolher melhor esse novo viajante. Não basta adaptar. É preciso compreender. Não basta cumprir norma. É preciso criar pertencimento. Não basta colocar acessibilidade como item técnico. É preciso transformar acessibilidade em experiência, autonomia e respeito.
A revolução da longevidade já chegou.
E quem ainda insiste em tratar o 60+ como nicho talvez esteja olhando para o futuro com lentes vencidas.
O turismo está envelhecendo.
Ainda bem.
Willians Fiori
Especialista em Mercado de Longevidade desde 2003
Professor Pós-Graduação em Geriatria, Gerontologia e Mercados — Hospital Israelita Albert Einstein
Professor Convidado: FIA, UFRJ, PUC-SP e INSPER, FAAP
Autor dos Livros: Diversa-Idade, Brasil 2060,O cérebro que podemos proteger
Citado no livro Longevity Hub do MIT (Massachusetts Institute of Technology) como principal especialista brasileiro no temaPremiado pela ONU Latin America e detentor do Selo Direitos Humanos da Prefeitura de São PauloPremiado pelo Premio Bstory LongevidadeMembro do conselho Europeu de Silver Economy


