Professor Carlos Augusto Mallmann (UFSM) destacou, no Congresso APA, os impactos das micotoxinas sobre desempenho, saúde intestinal, imunidade e uniformidade dos lotes, reforçando a importância da análise prévia das matérias-primas
Limeira (SP), 18 de março de 2026 – Invisíveis a olho nu, mas com alto potencial de prejuízo, as micotoxinas seguem como um dos principais fatores de risco para a eficiência produtiva na avicultura de postura. O alerta foi feito pelo professor Carlos Augusto Mallmann durante palestra realizada no dia 11 de março no XXIII Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, em Limeira (SP).
Com quatro décadas de atuação na área, Mallmann destacou que os impactos vão muito além de quadros clínicos evidentes, afetando diretamente pontos críticos da produção, como saúde intestinal, atividade enzimática, imunidade, uniformidade dos lotes, qualidade dos ovos –incluindo integridade de casca e perdas por quebra – e desempenho ao longo de todo o ciclo produtivo.
“As micotoxinas causam perdas silenciosas. Muitas vezes, quando o problema aparece, o prejuízo já ocorreu e não pode mais ser revertido”, afirmou.
Segundo o pesquisador, a presença dessas toxinas em cereais e ingredientes utilizados na ração é uma realidade frequente. Aflatoxinas, fumonisinas e outras micotoxinas de importância zootécnica e sanitária exigem monitoramento contínuo, especialmente em sistemas intensivos.
Um dos pontos mais críticos destacados foi a multicontaminação. Na prática, diferentes micotoxinas ocorrem simultaneamente e podem atuar de forma sinérgica, ampliando significativamente os impactos produtivos, mesmo quando presentes em níveis considerados baixos individualmente.
Além disso, Mallmann alertou para um erro comum na rotina produtiva: a interpretação isolada de resultados laboratoriais. Segundo ele, análises pontuais não são suficientes para tomada de decisão, sendo indispensável considerar histórico, frequência de ocorrência e interação entre toxinas, para exatamente, calcular o risco real das micotoxinas.
Os efeitos metabólicos também merecem atenção. As micotoxinas podem comprometer consumo, conversão alimentar, resposta vacinal e desenvolvimento das aves desde as fases iniciais. Nesse contexto, o professor destacou o papel central da integridade intestinal, diretamente ligada à absorção de nutrientes, imunidade e desempenho produtivo.
“Para fazer uma boa ave de postura, é preciso cuidar muito bem da fase inicial. O impacto no começo da vida acompanha o animal até o final do ciclo”, explicou.
Outro ponto de destaque foi a etapa de amostragem. Considerada uma das maiores fontes de erro no processo, a coleta inadequada pode comprometer completamente a confiabilidade dos resultados analíticos, levando a decisões equivocadas.
“A gestão de micotoxinas começa antes da ração chegar ao comedouro. Se você não mede corretamente, não consegue decidir”, reforçou.
O especialista também destacou que estratégias de controle devem ser baseadas em diagnóstico e risco. O uso de aditivos antimicotoxinas, por exemplo, deve seguir critérios técnicos, sendo a dose uma decisão baseada em dados e não apenas em custo.
Do ponto de vista econômico, Mallmann foi direto: o custo do monitoramento é baixo quando comparado às perdas produtivas geradas pelas micotoxinas, tornando-se uma das decisões mais eficientes dentro do sistema de produção.
A palestra integrou a programação técnica do congresso, que reúne especialistas, pesquisadores e produtores para discutir os principais desafios da avicultura de postura no Brasil e na América do Sul.
A palestra integrou a programação técnica do congresso, que reúne especialistas, pesquisadores, empresas e produtores para discutir os principais desafios e avanços da avicultura de postura no Brasil e na América do Sul.
Foto da fonte – Crédito APA/Alan Carvalho – Carlos Mallman – UFSM
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Autor:
Arthur Rodrigo Ribeiro


