Dando sequência a nossa série de matérias sobre a franquia, chegamos ao filme/animação “Mortal Kombat Legends – Cegueira Glacial” é um daqueles filmes que surgem na fronteira indisciplinada entre o culto ao massacre gráfico e a busca por redenção em meio à ruína. Lançado em 2022, o longa animado dirigido por Rick Morales mergulha de cabeça no universo pós-apocalíptico de Mortal Kombat, pautando sua narrativa por desolação, traição e a persistência de um fio de esperança encharcado de sangue – tudo embalado por uma estética brutalmente plástica, mais Mad Max do que Hong Kong, mais deserto e poeira do que castelos sombrios.
No centro do enredo está Kenshi Takahashi, espadachim arrogante que perde a visão e a autoconfiança ao ser traído por Kano, vilão que domina o Reino da Terra com ajuda de seu clã Black Dragon e sua trupe de mercenários frios. A cidade é invadida e devastada em uma sequência de violência que faz jus à reputação da franquia: “fatalities” explícitos, membros voando, batalhas insanas e carnificina sem pudor. Kenshi, agora cego, é resgatado por Kuai Liang (o Sub-Zero original), que torna-se mentor e guia nesse caminho árido e hostil, ensinando que enxergar com os olhos é supérfluo quando se precisa sobreviver com o instinto.
A animação explora desconstruções típicas dos games “Deadly Alliance” e “Deception”, misturando referências clássicas com nova roupagem. Os cenários apocalípticos se harmonizam com personagens que parecem ter saído das profundezas pixeladas do arcade para uma pintura digital repleta de degradé vermelho – o espectador sente o calor do deserto e o frio da vingança. O roteiro, apesar de simples e direto, oferece espaço para algumas camadas reflexivas: qual o custo da ambição desenfreada? O que resta do herói quando a luz se apaga para sempre? Key notes filosóficos ficam pairando entre socos e decapitações.
Quanto à disponibilidade, “Mortal Kombat Legends: Cegueira Glacial” pode ser encontrado em plataformas digitais como Google Play e Apple TV, além de cópias Blu-ray que circulam desde o final de 2022. Para os fãs da franquia, trata-se de um espetáculo de reverência à violência ritualizada, uma ode à luta cega por algo que já se perdeu. Para os demais, talvez soe repetitivo, mas é inegável o apuro visual e o convite ao incômodo.
Nota: 7,5 de 10.


