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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Tudo que você sempre quis saber sobre anestesia pediátrica

Anestesiologista pediátrico é o médico especializado na área responsável por anestesiar crianças e bebês para uma cirurgia

Um dos momentos mais difíceis que qualquer pai e mãe pode viver é ver o seu filho passar por desafios relacionados à saúde e quando esse momento resulta em uma cirurgia é ainda pior. Uma das primeiras perguntas para o médico anestesiologista é qual será o tipo de anestesia que meu filho vai precisar? O receio dos pais é válido, pois trata-se de um tema que ainda não está tão presente na mídia e sim, com alguns riscos associados.

Na maioria das cirurgias pediátricas, o cirurgião tem ao seu lado o anestesiologista pediátrico, ou seja, aquele profissional médico especialista em anestesia em crianças que vai decidir qual é a melhor opção de anestesia. De modo geral, todas as técnicas utilizadas em adultos, como sedação, anestesia geral e anestesia regional (peridural, por exemplo) podem ser usadas em crianças.

Porém, dependendo da idade e da maturidade da criança, ela não é capaz de entender exatamente o que está acontecendo e geralmente coopera pouco. Por isso, a anestesia geral é a técnica mais preferível na maioria das situações. É o que afirma a anestesiologista pediátrica da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Dra Mariana Fontes Lima: “Isso garante que elas fiquem adormecidas durante todo o procedimento, permitindo que o cirurgião trabalhe nas melhores condições possíveis. O anestesista é capaz de acompanhar suas funções vitais de forma constante e agir imediatamente caso aconteça algo fora do previsto”.

Em algumas cirurgias, além da anestesia geral, são utilizadas técnicas complementares, como peridural ou bloqueio periférico (uma espécie de anestesia local), para melhorar o controle da dor quando o paciente acordar.

Início, meio e fim da cirurgia

Estudos apontam que até 70% das crianças anestesiadas desenvolvem algum tipo de ansiedade antes da cirurgia. Isso pode acontecer por diversas razões, são elas: o ambiente estranho do centro cirúrgico, o medo da separação dos pais e o receio de agulhas, esse um dos maiores pavores em crianças hospitalizadas. Se não tratada, essa ansiedade pode ter consequências negativas como agitação ao acordar da anestesia e comportamentos mal-adaptativos como por exemplo: agressividade e voltar a fazer xixi na cama.

Segundo a anestesiologista Mariana Fontes, para reduzir essa ansiedade, o anestesiologista dispõe de diversos recursos: “Uma opção, frequentemente utilizada são medicações em forma de xarope ou gotas nasais, que acalmam a criança e fazem com que elas colaborem com o momento inicial da anestesia. Uma segunda possibilidade seria deixar que os pais acompanhassem a criança na sala de cirurgia até que ela dormisse”, afirma a anestesiologista pediátrica.

Também são utilizadas técnicas de distração com tablets, jogos e brinquedos. Cada hospital tem sua rotina e seus protocolos em relação a essas estratégias. Recentemente, anestesistas pediátricos de São Paulo lançaram um jogo virtual voltado para crianças, com o intuito de explicar o passo a passo da anestesia de forma lúdica, o que contribui para a redução da ansiedade. Esse aplicativo, chamado Ane, no mundo da anestesia, pode ser obtido de forma gratuita.

O início da anestesia pode se dar de duas maneiras: com medicações inalatórias (técnica popularmente conhecida como cheirinho) ou com medicações administradas na veia. A técnica inalatória fornece gases anestésicos por uma máscara – uma espécie de inalação -, permitindo que a punção da veia ocorra com a criança já dormindo. Pelo fato de não usar agulhas na criança acordada, acaba sendo a técnica de escolha na maioria dos casos.

Pode-se afirmar que os riscos da anestesia geral são consideravelmente menores do que observamos há alguns anos. O anestesista tem, hoje, um nível de controle muito preciso sobre as funções vitais do paciente. Existe uma diversidade de medicações anestésicas, comprovadamente seguras, que podem ser usadas em crianças. Além disso, as máquinas de anestesia e os equipamentos utilizados são mais modernos, seguros e adaptados ao universo pediátrico.

De acordo com a Dra Mariana Fontes, mesmo assim as complicações podem ocorrer. O importante é que, com todo esse controle, o anestesista é capaz de identificá-las e tratá-las de forma imediata: “Durante a anestesia, as complicações mais frequentes são aquelas relacionadas à parte respiratória, que é muito sensível na criança. Então, pode-se observar, em alguns casos, a obstrução da respiração. Na maioria dos casos, isso é revertido rapidamente e sem sequelas” afirma a anestesiologista pediátrica.

Outras complicações graves, como choque anafilático e parada cardíaca podem acontecer, mas são eventos extremamente raros. De modo geral, as crianças que já possuem alguma doença, particularmente doenças cardíacas e respiratórias, têm maior predisposição a complicações durante a anestesia. Crianças pequenas, com idade menor que 1 a 2 anos também têm um risco aumentado.

Outras complicações relatadas são enjôos, vômitos, dor e despertar agitado. Vale lembrar que o anestesiologista consegue identificar características do paciente e da cirurgia que apontam para essas complicações, permitindo minimizá-las ou, até mesmo, evitá-las.

Jejum não é mais tão radical

A necessidade do jejum para a anestesia é um tópico que costuma gerar muita angústia nos pais. Ainda existe um receio de que a criança não seja capaz de tolerar o tempo exigido sem se alimentar ou beber água.

Primeiramente, é preciso deixar de lado o estigma de que o jejum não é bem tolerado pelas crianças, ele é sim. Segundo a Dra Mariana Fontes raramente, elas terão queda das taxas de açúcar no sangue: “Além disso, ele é totalmente necessário! Se, durante a anestesia, o estômago estiver cheio, o alimento pode retornar e ir para os pulmões, causando uma pneumonia muito grave”, afirma a anestesiologista pediátrica.

Atualmente as recomendações de jejum mais flexíveis e comprovadamente seguras que permitem que a criança receba líquidos sem resíduos, como água e sucos, até duas horas antes da anestesia. Algumas sociedades de anestesia pediátrica, como a europeia e a canadense, adotaram recentemente um tempo de jejum para esse tipo de líquido ainda menor, de apenas uma hora. Isso permite que, tanto as crianças como seus pais, fiquem mais tranquilos e satisfeitos.

SERVIÇO:

https://www.instagram.com/sba.sociedade/

https://www.youtube.com/user/SBAwebtv/videos

Autora:

Flávia Lopes

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