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sábado, 22 de janeiro de 2022

Biomassa: uma alternativa energética

O Brasil é um país onde a produção de energia deveria ser diversificada, tendo-se como base as diversas formas de produção energéticas que pode ser encontrada em seu solo. A utilização da energia produzida pelos rios brasileiros vem sendo a forma mais explorada na geração de energia para a população. Entretanto, os governos brasileiros nunca buscaram outras formas alternativas possíveis de geração de energia, que diminuíssem essas crises energéticas sistemáticas, advindas de uma produção concentradas nos sistemas energéticos hídricos.

Em artigos anteriores apresentou-se os problemas oriundos dessa produção energética concentrada em usinas hidrelétricas. Também foi apresentado outras formas de energia (as chamadas energias limpas), quais sejam: a gerada pelo Sol e a gerada pelo vento.

Por seu tamanho e por sua localização geográfica, o Brasil tem muita energia solar, tendo também muito vento. Países como a Alemanha, que tem menos energia solar disponível, devido a sua posição latitudinal, apresenta investimentos muito maior comparativamente ao investimento brasileiro. Nem vamos comentar a extensão territorial da Alemanha! Isso é de conhecimento de todos que saibam um pouco de geografia!

Outra forma de energia alternativa é a gerada por biomassa? Afinal, que tipo de energia é essa? O termo biomassa é empregado para designar toda substância de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada na geração de energia (calor e eletricidade) e também na fabricação de biocombustíveis. Trata-se, portanto, da matéria orgânica que tem como finalidade a produção direta e indireta de bioenergia.

De acordo com a definição anterior, pode-se observar claramente que o Brasil é produtor potencial desse tipo de energia. Dos diferentes tipos de biomassas que o Brasil pode utilizar uma é notória: trata-se da biomassa produzida pelo bagaço da cana de açúcar. A biomassa é a terceira maior fonte de eletricidade no Brasil, mas muito menos utilizada que a energia hidrelétrica. As hidrelétricas são responsáveis por mais de 60 % da produção de energia brasileira e a biomassa não chega a 6 %.

A primeira etapa da produção energética através da biomassa acontece ainda na natureza, iniciada pela fotossíntese. É por meio desse processo, utilizando a luz proveniente do Sol, que a planta obtém energia necessária para sua sobrevivência, resultando na produção de um carboidrato, a glicose. A partir de então, essa energia gerada, naturalmente no interior do organismo, será convertida direta ou indiretamente em outras formas energéticas, que são bastante úteis no nosso cotidiano, como o calor e a eletricidade.

A biomassa é considerada um recurso natural renovável, uma matéria biológica que serve como base para a produção de energia a partir da decomposição de resíduos orgânicos, sem prejudicar o planeta. Esta alternativa além de gerar baixa quantidade de poluentes, é renovável, favorece o reaproveitamento dos recursos, possui baixo custo de operação e é de fácil transporte. Muito importante para o ciclo natural, a biomassa faz uso de recursos que muitas vezes são inesgotáveis e quase não alteram a temperatura da planta.

Na geração de eletricidade que se dá no interior das usinas termelétricasocorre a queima de bagaço, como o da cana de açúcar, e de pedaços de madeira, processo que aquecerá a água da caldeira até o seu ponto de vapor. Esse vapor d’água será então responsável pelo acionamento das turbinas do gerador elétrico, o qual produzirá eletricidade.

Sendo uma matéria-prima de origem natural, são consideradas fontes de biomassa: 1) Culturas agrícolas e diversos tipos de vegetais, como cana de açúcar (bagaço, palha, vinhaça), palha de soja e de milho, cascas de arroz e de café; 2) óleos vegetais (girassol, colza), que poderão servir como matéria-prima para produção de combustível; 3) vegetais lenhosos, dos quais se extrai madeira; 4) resíduos da indústria madeireira; 5) resíduos biodegradáveis urbanos, industriais, florestais e agrícolas e 6) efluentes urbanos e industriais.

Dados do Centro de Produções Técnicas afirmam que o eucalipto tem capacidade de produzir até 25 toneladas de biomassa por hectare em um ano. Oferece diversas vantagens, entre elas a cogeração de energia elétrica, já que é um produto energético renovável. Além disso, em termos de açúcar fermentáveis, sua composição é mais favorável para a produção de energia do que a do bagaço de cana de açúcar. Em Rondônia, a biomassa de eucalipto será usada para mover uma usina em Pimenta Bueno, abastecendo aproximadamente 40 mil pessoas com energia elétrica.

A casca de arroz também se tornou uma alternativa de combustível para as cerâmicas, devido à sua rápida combustão e ao grande poder calorífico, já que o arroz é produzido em diversas partes do Brasil, a disponibilidade desse material para a geração de biomassa é muito alta. Entretanto, esse tipo de biomassa gera muitas cinzas e, por apresentar baixa densidade, seu transporte pode ser caro.

Os pellets são combustíveis sólidos de granulado de resíduos de madeira prensada, proveniente de desperdício do material. É bastante utilizado em fornos de padaria e cerâmica, aquecimento de estufas e oficinas de pintura de carros. Os restos de madeira são transformados em pequenos cilindros que medem de 6 a 8 mm de diâmetro e 10 a 40 mm de comprimento. Durante a transformação, a umidade é toda retirada, o que favorece a queima do material. Sua energia calorífica é de quase 5 mWh (mega watts hora) por tonelada e é considerado um combustível eficiente e bastante limpo.

A geração de energia através da queima do bagaço (da cana de açúcar, principalmente) possui diversas vantagens, principalmente em relação ao uso de fontes termelétricas. Dentre as vantagens, podemos destacar: 1) alta competitividade em função do custo (como a cana de açúcar já é plantada para a produção de etanol, a utilização do bagaço para a produção de energia é altamente viável, tornando a energia barata e competitiva no mercado); 2) supre a sazonalidade das chuvas (como grande parte da energia elétrica gerada no país é proveniente das hidrelétricas, que dependem das chuvas para garantir o nível dos reservatórios, a queima do bagaço da cana é ótima forma de suprir a menor produção de eletricidade nos períodos de seca); 3) redução das emissões de gases do efeito estufa (por ser totalmente renovável, a cana de açúcar reduz a poluição e o agravamento do efeito estufa); 4) geração de emprego (a produção desse tipo de energia é um grande incentivo para a economia, pois possibilita a geração de empregos desde a lavoura até a mão de obra capacitada nas usinas e terminais de distribuição de energia) e 5) grande disponibilidade (além da vantagem ambiental em relação às usinas termelétricas, o bagaço de cana também possui maior disponibilidade e melhor acesso).

Podemos destacar também, que as novas tecnologias agrícolas tem aumentado consideravelmente a produtividade do setor, tornando o uso da cana de açúcar para a produção de energia ainda mais viável.

Outra discussão que cabe aqui (isso seria uma nova matéria!) é o uso indiscriminado de produção de etanol, em detrimento de alimentos para a população mundial. Muitos solos ricos, como o latossolo, tem sido utilizado para a plantação de cana de açúcar, ou seja, para produção de energia que são usados para alimentar veículos e não gente!

Autor:

Jonas Nery

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