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sábado, 22 de janeiro de 2022

Carta Aberta para meu Melhor Amigo

Eu nem sempre estava bem.

Afinal, não é todo dia que conseguimos manter em pé o muro que construímos para nos proteger dos desgastes que a vida traz.

Você, porém, sempre me lembrava das coisas boas que acompanhavam estar vivo.

Mesmo naqueles dias ruins.

Com você, esses dias não passavam de lampejos de tristeza em uma tempestade de amor.

Tempestade essa que parecia que iria durar para sempre.

Tempestade essa que me fazia temer o brilho do sol.

Brilho esse que, inevitável como o nascer do dia, uma hora chegou.

Todo o amor que já foi sentido agora não passa de um aglomerado de memórias.

Algumas das memórias mais felizes que alguém poderia ter.

Tudo em volta ruindo, mas nossa casa estava intacta, pois tinha você.

Tudo em volta mudando, mas eu estava intacto, pois tinha você.

Para me fazer feliz, você tinha que seguir junto.

E isso, para ti, era uma dor diária.

Uma dor da qual eu sinto muito por só compreender hoje, quando não está mais entre nós.

Mas sei, de verdade, que não poderia ter sido de outra forma.

Você tinha que nos conhecer.

Tinha que ter recebido nosso amor, carinho e atenção.

Assim como nós tínhamos que ter te conhecido.

Tínhamos que ter recebido seu amor, carinho e atenção.

Nosso amor foi mútuo.

Por oito anos e meio, foi mútuo.

Hoje, já não sei afirmar se é.

Gosto de acreditar que sim, mesmo sendo cada dia mais difícil acreditar.

Sem você para me manter intacto, o ceticismo me alcançou.

Mas, da minha parte, continuo te amando, e irei enquanto puder.

Agora, se pra você ainda é igual, espere pela gente no topo da escada, como costumava fazer.

Um dia vamos abrir a porta novamente pra te ver sorrindo para nós.

Obrigado por tudo.

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