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sábado, 15 de junho de 2024

O racismo no Brasil

Breve análise sobre o racismo no Brasil.
Quando falamos de racismo no Brasil, ou delimitamos discussões sobre o assunto logo se pensa em nossa atualidade a qual ainda possuí enraizadas desigualdades e conceitos deferidos pelas raças. Desde os séculos XVI-XVII as definições estabelecidas pelo critério diversificado entre raça e racismo, assumem que ambos os conceitos reconhecem as relações de ascendências e de sujeitos perante as classes. O preconceito consiste em uma atitude hostil que pode ser direcionada a um grupo como um todo ou a uma pessoa em função da sua pertença a um grupo social (ALLPORT, 1971). Fica claro, a partir dessa definição, que o preconceito está ligado a grupos sociais, mais ainda aos grupos socialmente desvalorizados. No caso do racismo, um indivíduo e/ou toda uma categoria social são definidos como diferentes, por isso são discriminados ou excluídos com base em alguma marca física externa, a qual é ressignificada em termos de uma marca cultural interna (LIMA; VALA, 2004).A sociedade desde sua concentração sobre ‘tons de pele’, os quais definiam desde que a humanidade se triplicou e assumiu novas melaninas, a cor da pele atribuiu características que fossem questionáveis diante da sociedade.

No Brasil, discorre-se pela análise em que a ideologia racial continua sendo difamada, arquitetando ações que trazem uma exclusão diante da classificação do indivíduo. É espantoso perceber como a etnia do ser é covardemente banalizada, o que nos deixa ainda mais perplexos são os números exorbitantes que segundo o Mapa da Violência em nosso país em 2016, a cada 23 minutos um jovem negro era assassinado, dados alarmantes que nos mostram que o preconceito ainda acontece, e acontece com muito mais frequência, e vem sendo prorrogado cada vez mais frio e cruel. Por apresentar atributos de um passado marcado pela escravidão, o Brasil prossegue em uma onda onde ainda as visões perante raça e preconceito são desiguais, pensando que desde a extinção da escravidão após a assinatura da Lei que extinguiu todo este processo horripilante e desumano, não houve a garantia da educação aos negros, ou quaisquer outros meios de valorização. É necessário entender as relações étnico-raciais como forma de composição desenvolvida a ser marcada na escravidão a princípio pelos indígenas, os quais aqui no país estiveram desde sua colonização e são parte de todo esse processo de miscigenação; e logo depois a população negra, as quais ainda ocorrem em nosso território.

É alarmante perceber a falta de estudantes negros ingressos em escolas da rede privada, o analfabetismo altamente taxado, e principalmente a falta de personagens negros dentro de sala de aula, e o que mais fica à mercê é a falta de educadores negros nas escolas, pois o número ainda é pouco significativo e cresce lentamente no ensino brasileiro, visto que ainda se falta maiores pendências na contratação destes profissionais. Portanto, faço aqui um paradigma sobre o texto ‘’Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo e etnia’’, de Kabengele Munanga um antropólogo e professor brasileiro-congolês, que é especialista em antropologia da sociedade afro-brasileira. Munanga esclarece que hoje os conceitos de raça e etnia são convicções de domínios pré-estabelecidas, as quais este paralelo ainda é desentendido principalmente por pessoas que são leigas no assunto ou de pesquisadores que estão no início. É importante verificar o papel da escola em relação a esse assunto que é marcado por diversas manifestações e protestos em todo país, obter a ‘desconstrução’ do racismo é algo que ainda será marcado por inúmeras lutas, o desafio é cada vez maior visto que o preconceito é ainda um dos maiores problemas encontrados na sociedade.

Observamos esta disfunção causada em milhares de ambientes, nos meios de comunicação a reflexão sobre o que nos traz o reality show Big Brother Brasil (2021), evidência um enorme caminho que ainda deve ser trilhado, a influência de raça é assunto subestimado, onde viver numa era totalmente volúvel que explana um militarismo desconcertado, aborda ainda a falácia de consciência dos indivíduos diante do que é praticar o racismo, da forma em que nos vemos diante nossa miscigenação de um legado marcado em nossa ancestralidade. Os ataques racistas, a falta de informação, a intolerância ao se ‘violentar verbalmente’ caso que ocorreu com a cantora e compositora Ludmilla, onde em um evento de músicas no qual iria se apresentar, sofreu ofensas, e foi duramente atacada por vaias, e xingamentos intolerantemente racistas.

É falho dizer que a evolução do pensamento humano está próxima, é errôneo negar os acontecimentos passados, o racismo no Brasil ainda é gloriado por números e estatísticas que se recriam todos os dias. É necessário alavancarmos ainda mais, desde a concepção na escola, ensinar as crianças todos os aspectos e valores, retirando a escassez em somente ensinarmos que o negro é figura baseada em escravidão e sofrimento, devemos somar as conquistas e referenciais que essas grandes pessoas construíram para que pudéssemos ter nos dias de hoje um pouco de igualdade, e que pelo contrário, vidas negras importam sim…


REFERÊNCIAS:
GOLDBERG, D. T. (Orgs.).Race critical theories, text and context. Malden/Oxford: Blackwell Publishers, 2002. p. 283-306.

LIMA, M. E. O.; VALA, J. As novas formas de expressão do preconceito e do racismo. Estudos de Psicologia, Natal, v. 9, n. 3, p. 401-411, 2004.

MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. In: Programa de educação sobre o negro na sociedade brasileira, 2004

Autora:

Alessa Cristina Silva

2 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente hoje em dia, mesmo com todos os programas de inclusão de diferentes etnias, vemos que o racismo ainda aflora, seja na vida social, seja no meio empregatício. Os números ao invés de diminuírem, aumentam. É uma pena que a sociedade ainda não saiba aceitar a todos.

    • Extremamente Patrícia ! O que acontece é que hoje no Brasil o sistema ainda é hereditário a criar estimativas e ações que são vivenciadas desde séculos atrás . É difícil acreditar que em pleno século XXl, ainda existe tamanha crueldade e desinformação .
      A autura do artigo aqui rsrs , agradece muito sua colaboração !

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