A percepção de um contexto estereotipado

Quero compartilhar algo com o leitor, e não é a total percepção sobre o que ocorreu em Brasília. Tento fugir do contra-argumento à inexistência do fascismo no Brasil, mas o selo de negacionista pode ser-me posto. Quero falar sobre o objeto da semana: o dicionário. Este foi mais acessado do que durante as provas de gramática, na busca do verbete “terrorismo”, o qual num Fiat Lux ganhou novos contornos, significações difusas e duplipensantes. Queria ficar longe desta senda, porém há algo que é mais forte do que eu. O dever de iluminar o caminho que minha filha percorrerá. Não quero vê-la no mundo em que a Polícia das Ideias e Stalinistas comandem a coisa pública. 

Independente da maneira de como os fatos se desenrolaram, não adianta apenas dizer “que foi por algum motivo fascista”; sempre há um porquê escondido dentre os pretextos que levam ao resultado. A falácia de que há “cérebro por detrás do pink” é uma maneira vil de negar o fracasso em não criar num nexo causal que ligue os eventos diretamente ao ex-presidente. Nem tudo é terrorismo, especialmente a balbúrdia de Brasília. Provocar o choque de um avião ao World Trade Center então é vandalismo? O que é o terror? O verbete foi alterado. Terroristas são pessoas trajando verde e amarelo, que praticaram crimes de subversão da lei e da ordem, mas não o que lhes foi imputado. Osama Bin Laden foi apequenado pelo dicionário.

Osama Bin Laden que de terrorista então não tem nada será um bom liame argumentativo. A sua figura levou-me a rever “Tenet” (2020), de Christopher Nolan. Este filme fez-me travar e rever o seu final por mais de dez vezes. A necessidade de interpretar a ordem com que os fatos recorrem em uma narrativa pode ser linear, inversa, confusa e até mesmo relativa em acordo com as teorias de Einstein e o que a NASA tem tentado fazer para buscar uma alternativa ao Planeta que habitamos, mas o ser humano tem um vício: o de explicar a mecânica dos eventos a partir de acontecimentos e não pelo que é real. Nolan deixou isso claro, pois o que se deu o foi por algum motivo, porém longe está de ser uma desculpa para negar, não fazer nada, em outras palavras.

O Futebol que nos foi apresentado por Nelson Rodrigues e Ruy Castro, p. ex., é um estrato de percepções distintas da mecânica do jogo, mas não um comodismo a quem tem o seu jornalista esportivo de estimação. Perguntar então a um terrorista o que é o terrorismo é bem mais simples de explicar do que classificar a todos que estavam em Brasília de terroristas. Se vivo estivesse, Osama Bin Laden explicaria que tudo o que se passou à Capital Federal não passou de uma mera desordem capitaneada por pessoas sem noção do que é o patrimônio público, e de quem o custeia. Ficou bastante fácil analisar qualquer partida ou evento político desde um tablet que contém todas as estatísticas do jogo em tempo real, que no caso de Brasília foi o volume de janelas quebradas e quanto essa irresponsabilidade dos que lá estavam vai custar ao contribuinte. Cadeia não resolve. Tem que doer no bolso. De que adianta prendê-los? Forçá-los a indenizar a Fazenda Pública seria um golpe de mestre se o brasileiro não preferisse o espetáculo à razão. Alguém tem de ser preso, não há dúvidas, mas a dúvida é se o peixe que lá será pescado é grande ou pequeno na proporção do lago que habita.

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