A reforma tributária promete simplificar o sistema de arrecadação no Brasil, mas também inaugura um período de transição que exige atenção redobrada das empresas — especialmente no setor de cosméticos e beleza, um mercado historicamente impulsionado e liderado por mulheres empreendedoras. Mais do que uma mudança técnica, o novo modelo representa um ponto de inflexão estratégico para quem deseja manter competitividade, proteger margens e fortalecer marca.
No segmento de serviços de beleza, onde a formalização e a gestão eficiente já são diferenciais competitivos, a percepção é de que o novo cenário pode se transformar em oportunidade. É o que defendem Waldeniza Fonseca e Samila Macedo, fundadoras da Solfio, espaço dedicado ao bem-estar e à autoestima que oferece design de sobrancelhas, depilação com linha, depilação facial e corporal, além de maquiagem.

Após anos de atuação no regime CLT, as duas decidiram empreender e hoje lideram o negócio com a bagagem de uma década de experiência cada. Para elas, o novo modelo tributário tende a favorecer empresas organizadas e com visão empresarial. “Estamos buscando analisar o novo cenário com uma perspectiva de médio e longo prazo, e o enxergamos como uma oportunidade. O novo modelo tende a favorecer negócios formalizados, organizados e com visão empresarial”, afirmam.
A leitura das empresárias reforça uma tendência clara: quem investe em gestão, construção de marca e profissionalização tende a sair na frente. “Embora o início exija ajustes e adaptação, para quem decidir se profissionalizar, esse momento pode se tornar um verdadeiro divisor de águas”, pontuam. Diante disso, a preparação passa por organização financeira mais rigorosa e estratégia comercial bem definida. “Estamos ainda mais exigentes com nossa organização financeira e com nossa estratégia comercial. Sabemos que, no setor em que atuamos, a gestão precisa ser cada vez mais estratégica, organizada e mais bem posicionada como marca. O cenário muda constantemente e, como líderes, precisamos evoluir junto com ele para continuar crescendo de forma sustentável.”
No varejo de cosméticos, o impacto também é observado com atenção. Tayná e Cristiane Rayol, mãe e filha que empreendem no segmento de contratipos de perfumes de grife, compartilham visão semelhante. À frente do perfil @tay.rayol no Instagram, elas utilizam as redes sociais como vitrine e canal de relacionamento, apostando na experiência e na conexão com as clientes como pilares do negócio.

Para Tayná e Cristiane, a reforma pode impactar diretamente a formação de preços. “Na prática, pode influenciar os custos da cadeia produtiva — desde as essências e embalagens até a logística. Isso interfere na formação de preço e, consequentemente, na margem.” Ainda assim, ela enxerga a mudança como um chamado à maturidade empresarial. “A nova estrutura tributária traz mais clareza sobre o que realmente compõe o preço de um produto. Isso nos convida a sermos empresárias mais estratégicas, mais conscientes e mais preparadas.”
Caso ajustes sejam necessários, a proposta é agir com transparência. “Se houver necessidade de ajuste de preços, ele será feito mantendo o compromisso com excelência e acessibilidade.” A preparação, segundo ela, envolve investimento contínuo em conhecimento, estrutura financeira sólida, posicionamento de marca e relacionamento com clientes. “Mudanças exigem adaptação — e adaptação é uma das maiores forças de quem empreende.”
Os relatos convergem em um ponto essencial: informação e planejamento são as principais ferramentas para atravessar a transição tributária com segurança.
Não há espaço para imobilismo. A reforma é uma realidade posta, e lamentá-la não altera seus efeitos. Cabe ao empresário, ao empreendedor e ao profissional autônomo entender a “dor” específica do seu negócio diante das novas regras, mapear impactos, revisar custos, reorganizar fluxos de caixa e, principalmente, estruturar um plano tributário consistente.
Prevenção, neste momento, é estratégia. Antecipar cenários, simular impactos na margem, revisar contratos com fornecedores e fortalecer a gestão financeira deixam de ser medidas opcionais e passam a ser determinantes para preservar lucro e competitividade. Um planejamento tributário bem elaborado não apenas reduz riscos como também pode revelar oportunidades de eficiência antes invisíveis no sistema atual.
No setor de beleza — onde marca, experiência e relacionamento são ativos tão valiosos quanto o produto — a profissionalização tende a se consolidar como diferencial definitivo. A reforma tributária pode alterar regras, mas não muda a essência do empreendedorismo feminino que move o segmento: resiliência, capacidade de adaptação e visão de crescimento.
Agora, mais do que nunca, é hora de agir com estratégia. Quem compreender as mudanças, investir em conhecimento e estruturar sua base financeira terá mais chances de transformar um período de transição em uma nova fase de expansão sustentável.


