O riso que exclui e aurgência do respeito àdiversidade

O conto “O Engraçado Arrependido”, de Monteiro Lobato, segue atual ao expor o perigo do humor que exclui.

Em Urupês (1918), Monteiro Lobato apresentou ao público o conto “O Engraçado Arrependido”, que retrata um personagem cuja graça consistia em ridicularizar os outros. O riso, ali, não brota da criatividade, mas da crueldade. Mais cedo ou mais tarde, porém, o efeito é devastador: a zombaria deixa cicatrizes e gera arrependimento.

Mais de cem anos depois, a cena não mudou tanto. Em meio às redes sociais, multiplicam-se piadas, memes e comentários maldosos que insistem em se esconder sob a desculpa de “humor inocente”. O alvo quase sempre é o mesmo: quem foge ao padrão — seja pela cor da
pele, pelo gênero, pela orientação sexual, pela condição social ou pela forma de existir.

Falar em respeito à diversidade não significa censurar o riso, mas compreender que piada que fere não é engraçada, é violenta. O humor pode ser crítico, criativo e até transformador, mas não pode ser usado como arma para humilhar.

O “engraçado arrependido” de Lobato é uma lembrança literária de que a zombaria cobra um preço alto, tanto no passado das relações interpessoais quanto no presente das interações digitais. Rir do outro é perpetuar desigualdades; rir com o outro é abrir espaço para empatia e convivência.

A diversidade não é obstáculo para a vida em sociedade, é justamente o que a torna mais rica. O desafio está em escolher um tipo de humor que não exclua, mas una. Afinal, como mostra Lobato, cedo ou tarde, a gargalhada que desumaniza se transforma em silêncio de
arrependimento.

Autora:

Aline M. P

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