Montar ou reformar escritório ficou até 6% mais caro no mundo, aponta pesquisa global da JLL

Tensões geopolíticas, escassez de mão de obra especializada e novas demandas de infraestrutura tecnológica pressionam custos em 40 países.

São Paulo, abril de 2026 – Equipar um escritório nunca foi tão complexo, nem tão caro. De acordo com o Global Office Fit-Out Cost Guide 2026, publicado pela JLL, consultoria imobiliária global, o custo médio para montar um escritório aumentou entre 2% e 6% em todas as regiões do mundo no último ano. O levantamento analisou 68 cidades em 40 países e aponta para um cenário de pressão crescente, com múltiplos fatores se acumulando ao mesmo tempo.

benchmark global para um escritório de padrão médio chegou a US$ 2.150 por metro quadrado, uma alta impulsionada por um conjunto de variáveis, que vão além da simples inflação de materiais. Instabilidade geopolítica, gargalos nas cadeias de suprimento e as tarifas comerciais dos Estados Unidos, mencionadas como fator de pressão em 62% dos mercados pesquisados, combinam-se com a crescente exigência de infraestrutura para inteligência artificial e sistemas híbridos de trabalho. O resultado é um ambiente em que prever o custo de um projeto se tornou um desafio por si só.

Na América Latina, a média ficou em US$ 1.800 por metro quadrado — acima da Ásia-Pacífico (US$ 1.550/m²), mas abaixo da Europa (US$ 2.300/m²) e da América do Norte, que segue como a região mais cara do mundo, com US$ 3.200 por metro quadrado.

“O que as empresas estão sentindo na prática é que o custo de um projeto muda entre o momento em que você aprova o orçamento e o momento em que a obra começa. Câmbio, prazo de entrega de equipamentos importados, disponibilidade de mão de obra, tudo isso virou variável. E no Brasil isso é sentido de forma bastante concreta, porque dependemos muito de importação para projetos de maior complexidade”, afirma Helena Diodatti, diretora de Projetos e Obras para Escritórios da JLL Brasil.

A alta nos custos se deve, especialmente, a dois elementos essenciais: os sistemas mecânicos e elétricos (M&E), que respondem por até 37% do custo total, e as obras civis (divisórias, pisos, acabamentos), que chegam a 29%. São justamente essas categorias as mais sensíveis à alta do cobre, à escassez de mão de obra especializada, que afeta 55% dos mercados pesquisados, e à sofisticação crescente dos sistemas de tecnologia embarcada. A tecnologia, que deixou de ser diferencial para se tornar infraestrutura básica, precisa ser considerada desde o planejamento, e não tratada como adicional de última hora.

São Paulo no contexto global

São Paulo integra o mapa de cidades monitoradas pela JLL na América Latina, uma região que, apesar de apresentar custos médios inferiores aos de América do Norte e Europa, não está imune às pressões do momento. A combinação de câmbio, tarifas de importação sobre equipamentos e componentes eletrônicos e a dependência de fornecedores internacionais para especificações de alto padrão tornam o mercado local sensível ao mesmo ambiente de incerteza que afeta o restante do mundo.

“São Paulo tem uma particularidade: as empresas aqui precisam atender a um padrão de especificação global, mas executar em um mercado com suas próprias complexidades: câmbio, cadeia de fornecimento, prazos de importação. Isso cria uma pressão específica que a gente vê no dia a dia dos projetos. Nosso papel é apoiar o cliente na identificação de onde o investimento realmente agrega valor. Afinal, um bom projeto não é aquele com maior orçamento, mas aquele fundamentado em decisões estratégicas e bem alinhadas ao contexto do negócio.”, explica Diodatti.

Planejamento como antídoto

Diante desse cenário, o relatório da JLL destaca: a postura passiva tem custo. A recomendação dos especialistas é iniciar o planejamento financeiro desde a fase de concepção, garantindo compromissos de preço fixo para os componentes mais expostos à volatilidade e tratando o sistema M&E como investimento de longo prazo. A pesquisa também reforça que a tipologia de layout adotada pode variar o valor total do projeto em 10% a 13%, antes mesmo de qualquer decisão sobre acabamento.

Autora:

Tatiana Silvestri

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