No Brasil, o mercado de eventos movimenta R$ 300 bilhões por ano
Eventos corporativos estão deixando de ser iniciativas isoladas para se tornarem ativos contínuos dentro das empresas. Com o uso de plataformas digitais de venda de ingressos, as organizações passaram a estruturá-los como produtos recorrentes, com calendário fixo, público fidelizado e geração previsível de receita, em um movimento que aproxima o setor da lógica das plataformas digitais.
A mudança ocorre porque produtores vêm incorporando análises de comportamento, consumo e engajamento para orientar decisões financeiras, reduzir riscos e ampliar a previsibilidade dos resultados. Para isso, adotam processos baseados em rastreamento de dados, ou seja, métricas e modelos preditivos, e ferramentas de gerenciamento.
Diante dessa mudança, a expectativa é de expansão nos próximos anos. Dados da S&S Insider Strategy and Stats revelam que o mercado global de eventos deverá atingir US$ 3.491,23 bilhões até 2033.
O setor também atravessa um processo de transformação estrutural no Brasil, onde já é responsável por 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e movimenta R$ 300 bilhões por ano, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Digitalização impulsiona mudanças no setor
A digitalização dos processos têm impulsionado a transformação do setor, o que é observado não só pela diversificação dos formatos de eventos – presencial, híbrido e remoto – como também pelos próprios processos.
O uso de plataforma de venda para ingressos é um exemplo. Por um lado, representa praticidade aos consumidores, por outro, permite a concentração de informações sobre demanda, elasticidade de preços, recorrência e comportamento do consumidor aos organizadores. Dessa forma, as plataformas digitais garantem previsibilidade de público e receita, maior controle de vendas e lotes, além da possibilidade de testar, medir e ajustar processos.
“Quando uma empresa se interessa em saber como vender ingressos online para transformar eventos corporativos em algo recorrente, há a mudança do improviso para o profissional. Quando a empresa sai da planilha ou RSVP manual e usa uma plataforma de ingressos, ela ganha em dados e escala operacional”, afirma o líder de eventos da Digital Manager Guru, Renato Chamasquini.
Segundo ele, com a plataforma, a organização deixa de “supor” e passa realmente a entender quem é o público, de onde vem e como ele compra. “A empresa ganha com a automatização da parte burocrática. Com isso, o foco pode estar em estratégia e relacionamento, enquanto a tecnologia cuida da entrada e do financeiro. É o que transforma o evento em uma unidade de negócio.”
Eventos se consolidam como canal estratégico
Entre os reflexos da transformação do setor, está a consolidação dos eventos como canal estratégico para geração de leads qualificados. Para Chamasquini, o que faz com que o público volte a pagar por novas edições de um evento corporativo é a estrutura do evento como um produto.
“O conteúdo leva o público a comprar o primeiro ingresso. É a promessa de resolver uma dor. A experiência, que envolve o networking, o ambiente e até o cafezinho, evita o arrependimento. Mas o que faz o público voltar e pagar de novo é a estrutura do evento como produto”, analisa.
Para ele, quando o evento se transforma em um produto, existe uma jornada de evolução. “O público sente que pode perder o próximo degrau se não participar. Conteúdo e experiência isolados acabam no dia seguinte, já um evento como produto gera comunidade e recorrência.”
Autora:
Nathani Paiva

