Você sobreviveria sem memória?
O pensador italiano Norberto Bobbio (1909-2004), afirmou: “Somos aquilo de que nos lembramos”.
As lembranças nos constroem e sustentam o mundo. É por meio da memória — motora, cognitiva, de curto e longo prazo — que sabemos quem somos e como viver. Mesmo assim, é natural o cérebro guardar apenas o que lhe parece relevante, do contrário, a sobrecarga em nossa mente nos faria mergulhar em um verdadeiro caos.
O escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) em seu conto (Funes, o Memorioso), visualisou esse caos. Ele descreveu um personagem que se lembrava de tudo, não apenas “cada folha de cada árvore de cada monte, mas cada uma das vezes que a havia percebido ou imaginado”. No conto, Borges apresenta essa habilidade como um tormento paralisante […] e chama a atenção para a importância de um fenômeno que tendemos a achar ruim: o esquecimento. A verdade é que precisamos esquecer[1].
Mas o que aconteceria se, de repente, as pessoas se esquecessem das coisas importantes que aprenderam? E se o maior colapso da humanidade não fosse uma guerra e sim um esquecimento coletivo?
Em Dias do esquecimento, o autor Newton Cesar imagina um surto repentino de perda de cognição capaz de desmontar a realidade que conhecemos. Profissionais esquecem como exercer suas funções, sistemas de comunicação entram em colapso, cidades sofrem apagões, o mundo moderno começa a ruir e a humanidade corre o risco de voltar àquilo que pensava ter superado.
Eis a premissa desse romance: se o homem não souber mais como avançar, o passado virará o futuro. A involução será a nova ordem. Será que o homem voltará às cavernas?
É nesse cenário distópico que uma família negra e simples encontra, em uma pequena comunidade rural, uma vida aparentemente perfeita. Zézão, sua esposa e as duas filhas — as três Marias — vivem em harmonia, até que o esquecimento irrompe e transforma a sobrevivência e a preservação da memória no maior desafio de suas vidas.
A certa altura da narrativa, a personagem Leninha diz:
“Será que a mãe tem razão? Outro dia, ela falou pra gente: ‘Ou isso tudo é provação de Deus, ou é artimanha do diabo’. Pode ser as duas coisas, né? Ou pode até ser três: a provação, o diabo e o esquecimento.
Esquecimento… esquecimento…
Será esse esquecimento contagioso?”
Contagioso ou não, o esquecimento – que surge por causas desconhecidas – espalha-se com força de pandemia. De um instante para o outro dizima, não apenas a cognição, mas a vida como a conhecemos.
Newton Cesar, num misto de beleza e tragédia, nos mostra que as pessoas, ao perderem suas capacidades, mergulham no desconhecido.
Publicado pelo selo Actual da editora Almedina Brasil (integrante do grupo editorial Alta Books), Dias do esquecimento é um romance inquietante sobre identidade, memória e o que nos mantém humanos quando tudo o que aprendemos começa a desaparecer.
Esta é uma obra literária de muitos adjetivos: bem escrita, convincente, envolvente, humana, sensível, perturbadora e, acima de tudo, inesquecível.
O livro está em pré-venda na Amazon.
Detalhes do produto:
Editora: ACTUAL
Data da publicação: 15 junho 2026
Edição: 1ª
Número de páginas: 236 páginas
ISBN-10: 6551830145
ISBN-13: 978-6551830143
Dimensões: 14 x 21 cm
Sobre o autor:
Escritor, publicitário e designer, Newton Cesar é formado em marketing e pós-graduado em marketing digital. Atuou em agências de propaganda e editoras. Na área editorial, participou da equipe vencedora do Prêmio Jabuti 2012, com o projeto Linhas da Vida. Como escritor, venceu os prêmios Cultura Econômica de melhor livro didático do Rio Grande do Sul com o livro Os primeiros segredos da direção de arte e o Prêmio Literário Sesc Criança 2025, com a obra A menina que guardava nuvens.
Ao longo de sua carreira, publicou livros de ficção e negócios. Na área da ficção, lançou, por esta editora, os livros Própria Carne, Tratamento Especial e Um minuto.
Na literatura infantil, publicou: É assim que eu sou; Vida; e Minha avó Berenice. Na área de negócios, destacam-se: Direção de arte em propaganda; Making Of; Os primeiros segredos da direção de arte; Vitamina fotográfica; e Do livro ao livro, a arte de escrever e publicar ficção.
[1]http://www.oficinadamemoria.com/novidades/a-mecanica-da-lembranca
Autor:
Newton Cesar


