A economia dos algoritmos: o risco que impacta resultados

O e-commerce no Brasil já não é o mesmo. Hoje, não basta ter boa logística ou investir em marketing. Existe uma engrenagem menos visível que influencia diretamente os resultados: os algoritmos.

Enquanto muitas empresas ainda olham apenas para vendas e participação de mercado, são esses sistemas que definem, em poucos segundos, quais produtos aparecem para o cliente, quais ganham destaque e quais perdem espaço.

Na prática, o desempenho de um negócio deixou de depender só do produto. Ele passa, cada vez mais, pela forma como os dados são interpretados por essas plataformas. E é aí que surge um risco que nem sempre é percebido a tempo.

Ignorar o funcionamento desses sistemas pode trazer consequências no médio prazo.

A primeira é a perda de visibilidade. Quando uma empresa não entende ou não se adapta às regras das plataformas, ela simplesmente deixa de aparecer. Não se trata apenas de vender menos, mas de se tornar irrelevante para o consumidor.

Outro ponto é a dificuldade de entender decisões automatizadas. Preços e recomendações mudam o tempo todo, muitas vezes sem clareza sobre o porquê. Quando os resultados não vêm, identificar a causa se torna um desafio.

Também há a dependência crescente de grandes plataformas. Dados e atenção do público estão concentrados em poucos players, o que torna o cenário mais vulnerável. Uma mudança nessas estruturas pode afetar diretamente o desempenho de um negócio de um dia para o outro.

Diante disso, a inteligência artificial precisa fazer parte da estratégia, e não ficar restrita à área técnica. O tema deve estar na mesa da liderança.

Isso passa por revisar com frequência os algoritmos utilizados, garantindo que decisões automatizadas, como precificação e recomendação, estejam alinhadas com os objetivos do negócio. Também envolve definir critérios claros para o uso de dados, com atenção à ética e aos impactos sobre o cliente.

Além disso, desenvolver uma cultura orientada a dados é essencial. Não é necessário que executivos saibam programar, mas é fundamental que saibam interpretar informações e questionar resultados.

A economia orientada por algoritmos já faz parte da realidade. A diferença está na forma como cada empresa se posiciona. É possível usar esses sistemas de maneira estratégica ou apenas reagir ao que eles determinam.

A tecnologia tende a ganhar ainda mais espaço no e-commerce, mas a decisão final continua sendo humana. É isso que separa quem acompanha o movimento de quem realmente lidera.

Autor:

Airan Jr. é especialista em IA First e membro do Conselho de IA da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), entidade que reúne representantes de lojas virtuais e prestadores de serviços nas áreas de tecnologia, mídia e meios de pagamento – E-mail: abiacom@nbpress.com.br.

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