Esse time de futebol é fantástico. Ele funciona desta maneira: os jogadores são todos aliados, não existe time adversário que faça contrapeso às jogadas deles. Todos jogam na mesma direção e todos fazem gol na mesma trave.
Quando a bola sai em escanteio, e o juiz (que também é jogador do time) apita a saída, então um jogador vai lá, cruza a bola na área e o goleiro espalma a bola para dentro do próprio gol. Mas não é gol contra, todos ganham, inclusive o árbitro que marcou o escanteio. É gol do Supremo Tribunal Futebol Clube.
Essa partida é especial. Ela não tem segundo tempo nem prorrogação. Se houver disputa por pênaltis, não tem problema. Bola fora também é gol e bola na trave, também.
Ah, mas se por algum acaso do destino, algum jogador estiver impedido, não há problemas nem precisa chamar o VAR (Video Assistant Referee). Os próprios jogadores se juntam e vão à cabine em que fica a tela do replay e a desligam. Fazem uma reunião à beira do gramado e decidem que tal jogador não está impedido na jogada, mas que também não poderá seguir nela, pelo bem do Supremo Tribunal Futebol Clube.
O coro da torcida é um só: somos todos torcedores do Supremo Tribunal Futebol Clube. Ninguém nos para, ninguém nos controla.
E de repente, é identificado que existe um torcedor do time adversário (que não existe), apontando os erros do Supremo Tribunal Futebol Clube, como, por exemplo, uma falta gravíssima cometida por um jogador pouco habilidoso e que não sabemos como se tornou jogador de futebol. Coitado, esse torcedor é tratado como inimigo fiel do time e é rechaçado não por inventar alguma mentira, mas por falar a verdade.
Viva o Supremo Tribunal Futebol Clube! Esse time é imbatível e ninguém o consegue parar. Possui os jogadores mais caros do erário… Digo, mercado. Em seu elenco há a maior contratação da história do Brasil. Esse time é espetacular: todo dia ele ganha de 7 a 1 (o único gol sofrido são as caneladas que eles raramente admitem).


