Olá, irmãos e irmãs de Umbanda! Saravá! Muita gente ainda nos julga inferiores, como se fôssemos “menos capazes”, “sem conhecimento” ou só querendo “aparecer”. Essa intolerância machuca, mas nossa presença ativa em espaços de direito, como conselhos municipais, prova nosso valor na construção de políticas públicas que beneficiam todos.
Preconceitos que nos diminuem
Muitas vezes, nos veem como “simples” ou “sem preparo técnico”, ignorando a sabedoria ancestral do terreiro. Dizem que ocupamos espaços “só pra holofote”, mas caboclos e pretos-velhos nos guiam para o serviço humilde à comunidade, longe de vaidade. Esse olhar de inferioridade esquece nosso papel de curar almas, unir famílias e sustentar redes de apoio há gerações.
Nosso conhecimento é prático e vital
No terreiro, o saber nasce da roda da vida: acolhemos em crises, promovemos paz e tecemos laços onde há sofrimento. Essa expertise enriquece espaços de direito, ajudando a moldar políticas públicas com sensibilidade, apoio comunitário e harmonia social. Quem questiona nosso preparo ignora que o nosso axé.
Nosso saber é forte e útil
No terreiro, aprendemos na prática: a cuidar da alma, unir gente e dar apoio em tempos difíceis. Esse conhecimento ajuda muito nos conselhos, onde criamos políticas com base na vida real, não só em regras frias.
Política Nacional para Povos de Terreiro: direito garantido
O Decreto nº 12.278, de 29 de novembro de 2024, criou a Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. Ela dá direito claro ao controle social: nossa participação em conselhos municipais e reuniões públicas.
O que isso traz de concreto:
- Fim de barreiras como a exigência de CNPJ, para terreiros simples entrarem.
- Apoio a políticas de cultura, terra segura e serviços de saúde e educação.
- Espaços nacionais e locais para líderes de terreiro falarem e decidir.
Isso prova que não somos menos: somos parte importante do diálogo público.
Construindo laço com a comunidade
Estar nesses espaços cria um sentimento de pertencer: o povo de terreiro se sente valorizado e útil. Nossa ação constante muda preconceitos em respeito e trabalho junto.
Essa política combate preconceitos na prática:
- Elimina barreiras burocráticas: Facilita entrada em conselhos sem exigência de CNPJ ou formalidades que excluem terreiros tradicionais.
- Promove políticas específicas: Apoio à preservação cultural, proteção territorial contra remoções e integração em programas de assistência social, saúde e educação.
- Fortalecimento comunitário: Cria instâncias nacionais e regionais para ouvir líderes de terreiro, transformando nossa voz em ações concretas que valorizam ebós, giras e saberes ancestrais.
Com ela, respondemos aos julgamentos: não somos “inferiores”, mas parceiros iguais na construção coletiva, fiscalizando recursos e propondo soluções enraizadas no axé.
Construindo pertencimento comunitário
Nossa atuação nesses espaços gera pertencimento real: o povo de terreiro se sente visto, respeitado e essencial. A luta intensa educa a sociedade, trocando “vocês não servem” por diálogo aberto. Com paciência e força espiritual, viramos intolerância em pontes de convivência.
Irmãos, ergam a cabeça e ocupem esses direitos! Reúnam o terreiro, entrem nos conselhos e mostrem o brilho do nosso saber. Que Zambi nos fortaleça nessa caminhada de luz mútua. Saravá!
* Pai Lucas de Xangô é Sacerdote e Diretor da FENARC ( Federação Espiritualista Nacional Afro-Religiosa e Cultural),escritor e ativista da valorização das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul.


