O mercado acionário brasileiro atravessa um momento de otimismo raramente visto. Após um janeiro marcado por uma alta acumulada de 12,56% (fonte: B3) e o dólar em queda, o Ibovespa fez história ao romper a barreira dos 186 mil pontos no dia 29 de janeiro. No entanto, para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o cenário de recordes esconde armadilhas para o investidor pessoa física.
A grande preocupação de Mendlowicz não é o potencial de alta do índice (que ele acredita poder, sim, ultrapassar os 200 mil pontos em breve), mas o comportamento de quem decide entrar na Bolsa apenas agora, motivado pelo medo de ficar de fora da festa.
Para o economista, o movimento atual do mercado assemelha-se a uma ‘ratoeira’ para os desavisados. Enquanto investidores institucionais aproveitam a alta para realizar lucros e sair do jogo, muitos iniciantes entram no topo, atraídos pelas notícias de recordes sucessivos.
“Tem gente há dois anos com dinheiro parado na conta corrente. Agora, essas pessoas vão entrar no Ibovespa motivadas porque viram o índice bater 186 mil pontos. Tem como dar certo? Não, porque essa pessoa vai ter que esperar cinco anos, às vezes, para colher algum lucro, e vai pegar a queda logo de cara”, alerta o economista.
Mendlowicz reforça que a Bolsa não é um cassino, mas que o investidor a transforma em um ao agir por impulso. “É você que está fazendo errado ao não planejar”, analisa o Economista Sincero.
Seguir a manada não é a melhor estratégia, alerta o economista
A análise de Mendlowicz estende-se a outros ativos que tiveram ralis expressivos recentemente, como o ouro (com alta de 75% em um ano) e a prata. Ele observa que a queda brusca desses metais na última sexta-feira, dia 30, serve como um lembrete pedagógico sobre a volatilidade.
“O investidor deve ter cuidado. Quando ouro e prata estão subindo muito, todo mundo pensa: ‘Eu não entrei ainda, mas agora vou entrar’. Teve gente que caiu nessa ratoeira. Os investidores institucionais fecham a ratoeira e saem do jogo com o seu dinheiro”, explica o economista.
Mesmo no mercado de criptomoedas, onde Mendlowicz mantém uma posição com 80% em Bitcoin, Ethereum e XRP, o alerta é o mesmo: não se deve agir na emoção. Ele destaca que, embora o Bitcoin tenha enfrentado quedas recentes, o pânico é o maior inimigo do patrimônio.
Cenário global: sorte ou mérito?
Ao analisar os fundamentos por trás da alta do Ibovespa e da queda do dólar, que chegou ao patamar de R$ 5,24 no fim de janeiro, Charles é enfático ao dizer que o movimento é, majoritariamente, um reflexo global de enfraquecimento da moeda americana.
“O dólar vem perdendo força frente às principais moedas do mundo. No Brasil, tivemos uma valorização bacana de mais de 12% contra o dólar no último ano, mas há moedas que subiram 20%. Não é um movimento só brasileiro. O governo atual teve muita sorte nisso, pois é um movimento global de apetite por risco”, pontua Mendlowicz.
Oportunidades para o investidor
Para quem deseja navegar este momento de recordes sem comprometer o capital, Charles Mendlowicz deixa orientações importantes. “Não compre ativos ‘correndo’ só porque subiram ou porque lhe prometeram que subirão mais. O momento exige olhar para ativos específicos e buscar o valor justo, em vez de apostar cegamente no índice, essa é a estratégia a ser seguida. Por fim, o investidor deve ter disciplina e pesquisar novos ativos, mas não deve fazer nada na emoção”, resume o economista.
A conclusão do Mendlowicz é direta: “Acho que o Ibovespa bate os 200 mil pontos, é questão de tempo. Mas não compre nada na correria, porque quando o mercado virar, quem te deu a dica sumirá e o prejuízo será apenas seu”.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.


