O cenário financeiro para as famílias brasileiras em 2026 desenha um quadro de asfixia econômica. Dados recentes do Datafolha revelam que 59% dos brasileiros sentem que a renda familiar é insuficiente para cobrir os gastos básicos, forçando cerca de 45% da população a buscar trabalhos adicionais, os chamados “bicos”, para tentar equilibrar as contas.
A percepção de que o dinheiro “desapareceu” das carteiras não é apenas uma impressão subjetiva, mas o resultado de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o brasileiro já inicia o mês em desvantagem.
“A renda está comprometida, as famílias estão endividadas. O pouco dinheiro que o brasileiro tem não dá para nada. O indivíduo inicia o mês e, quando pega a carteira, não tem dinheiro lá dentro. O dinheiro já está comprometido”, analisa Mendlowicz.
O ciclo da dívida e o limite do Desenrola
O primeiro programa Desenrola beneficiou mais de 15 milhões de pessoas. Contudo, a inadimplência continua em níveis alarmantes, atingindo 80,4% das famílias em março segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Mendlowicz destaca que a falta de educação financeira faz com que muitos cidadãos voltem ao vermelho logo após limparem o nome. “A pessoa quitou uma dívida no Desenrola e atravessou a rua para fazer outra. Ela desligou o telefone e já pegou dinheiro em outro lugar porque não tem educação financeira”, pondera o Economista Sincero.
Juros e impostos são vilões do orçamento
A política monetária e a carga tributária estão entre as principais causas da drenagem de capital. Com o Brasil mantendo o segundo maior juro real do mundo (patamar próximo a 15% ao ano), qualquer renegociação se torna um fardo pesado a longo prazo.
“Existe um problema estrutural que o governo não resolveu, que é o Brasil ter o segundo maior juro real do mundo. Isso está asfixiando as pessoas, está asfixiando as famílias. Você compra um carro, leva um, mas paga três”, comenta Charles Mendlowicz.
Além dos juros, o economista critica a expansão da carga tributária, citando medidas como a “taxa das blusinhas” que atingem diretamente o consumo das classes C, D e E. “O governo aumentou 27 vezes os impostos desde 2023. Aquela moedinha que sobrava, o governo diz: ‘Ei, deixa eu dar uma olhada nessa moeda. Me dá que é minha’. Isso drena o dinheiro”, avalia Mendlowicz.
Apostas e geopolítica também afetam o cenário
Dois fatores mais recentes completam o diagnóstico do “caixa vazio”, segundo o Economista Sincero: o crescimento explosivo das apostas online (bets) e a inflação pressionada por conflitos internacionais.
Mendlowicz alerta que as apostas estão “sugando” o orçamento familiar, muitas vezes utilizando recursos que deveriam ir para a subsistência. No campo externo, as guerras pressionam o preço do petróleo e dos alimentos, impedindo a queda dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
“É um cenário onde cada item vai destruindo um pouco da vida financeira das famílias. O juro está alto, a inadimplência está alta, tem gente jogando e o governo está aumentando os impostos. A inflação que tem a ver com a guerra vai piorar. Com a persistência desses fatores, o desafio do brasileiro em 2026 deixa de ser a prosperidade para se tornar, estritamente, a sobrevivência financeira”, conclui o sócio da Ticker Wealth.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

