Lado esquerdo do ônibus II

Não gostaria de falar de teimosia assim de imediato, mas uma coisa estava me atacando os nervos e deixando minha cabeça cheia de interrogações. E tudo se deve ao ‘lado esquerdo do ônibus’, vejam quanto é grave (risos).

Mais um dia se inicia na minha rotina de pós-graduanda, indo para universidade e como sempre fazendo o mesmo trajeto. Abro aqui um parêntese para deixar bem explicado – não gostaria de chamar minha rotina simplesmente de rotina –  parece que faço todos os dias as mesmas coisas (risos) e estou aqui provando que não, meio forçado, mas não.

Pois bem, depois do fatídico episódio de descobertas do lado esquerdo do ônibus e por ter havido tantas situações “anormais”, meu cérebro fez questão de provar a si próprio –  é isso mesmo –  o “bichinho” é teimoso.  Lá vem o ônibus, famosa linha 14, como de costume entro, vejo meu lugarzinho reservado do lado direito, na última cadeira acima do pneu, coração quentinho estava tudo muito bem encaminhado.

Em uma fração de segundos entre a catraca e o fundo do ônibus meu cérebro questiona: e se?  se eu sentar novamente do lado esquerdo para ver o que vai dar? Lógico que era coisa da minha cabeça imaginar que novamente seria um dia atípico, não posso atribuir qualquer situação ao episódio de sentar do lado esquerdo do ônibus. Pois bem, esses poucos segundos foram o suficiente para eu me direcionar ao banco do lado esquerdo do ônibus, e toda contente imaginei: sentei aqui ontem, nada de novo vai acontecer, já vi tudo que eu precisava ver.

Quando pedi parada no ponto de chegada, lembrei do episódio anterior e agora puxei a cordinha e foi tudo maravilhoso, o dia com ótimas notícias – passei na prova de inglês – foi um dia bom uai (risos). Eu estava parecendo uma gazela saltitante voltando para casa toda feliz, e imaginando que tão logo o ônibus passasse eu estaria em casa. Chego no ponto de ônibus e vou esperar o “querido” da minha vida  – a Linha 14.

Eis que chegando no ponto de ônibus eu conversando com uma colega, vendo os carros passarem na estrada, me viro e muito de repente como um foguete surge o ônibus. Algumas reações eram esperadas da minha parte e meu cérebro muito atento ou não iria me ajudar nisso. Eu simplesmente congelei alguns segundos e me veio um gatilho de abandono. Aquele sentimento irradiou meu ser por poucos, mas longos segundos.

Poucas semanas atrás vivendo essa saga de “pegar” o ônibus estava eu no mesmo local em que estava hoje, do lado esquerdo da estrada, ou seja, do lado contrário do ponto de ônibus e já era início da noite eu ainda sem conhecer bem o percurso, o ônibus passa pelo ponto em alta velocidade – para terem ideia o ponto de ônibus fica muito próximo de uma esquina então o ônibus ao aparecer é sempre um susto. Pois bem, quando surge o ônibus eu dei a mão, balancei alto, gritei, acenei para o motorista e por causa do fluxo de carros eu não consegui atravessar de imediato. E foi exatamente o que estão pensando que aconteceu. Não, o ônibus não parou, o motorista me olhou, acelerou o ônibus e deu uma gargalhada.

Sim, me deu vontade disso mesmo – me sentindo uma palhaça –  mas segui a vida. E este episódio praticamente no mesmo momento volta a acontecer, foi realmente um dè já vu, foram poucos segundos, mas isso se eu fosse para eu pagar um analista me custaria caro (risos). E tive a mesma atitude do episódio anterior: eu dei a mão, balancei alto, gritei, acenei para o motorista e mais uma vez por causa do fluxo de carros eu não consegui atravessar de imediato. Então, o motorista olha nos meus olhos e meu cérebro logo pensou:  “aconteceu novamente”.

Para minha surpresa o ônibus parou, foi um alívio tão grande, fui resgatada (risos dramáticos). Fiz questão de sentar em uma cadeira do lado direito do ônibus, por via das dúvidas é melhor não fazer mais testes, quem tem cérebro abe como ele é insistente. Agora estou pensando… vou ter que mudar o lado da estrada também, porque essa de caminhar pelo lado esquerdo não está dando muito certo não.

Autora:

Laize Almeida de Oliveira

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