A criança e a desagregação familiar

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O que seria a família para a criança?

Pessoas que a ame, a proteja e a ajude a direcionar o seu histórico de vida dentro dos valores éticos e morais.

Quando se sente envolvida em ambientes vulneráveis e insalubres em todos os âmbitos, ou seja violências físicas e verbais, separações conjugais, alcoolismos, drogas, criminalidade,… pode desenvolver sentimento de culpa, por se sentir impotente diante dos problemas e não saber como reverter essa situação. .

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Pessoas que lhe deveria proteger, a está fazendo sofrer, chorar, machucando os seus sentimentos , rejeições, como ouvir, você não deveria ter nascido ou receber rótulos como, burro, ruim, preguiçoso, vagabundo, não gosta de fazer nada , retardado, não vai dar nada na vida como seu pai (mãe), gordo, …, podem deixar marcas irreversíveis no histórico de vida deste ser em formação, poderá canalizar toda essa dor que está sentindo em rebeldia, violência, se tornar cínico, gostar de ver o outro sofrer, não se importando com a dor que está provocando, pois se ele pode suportar o que está passando o outro também pode ,mandonas, gostar de humilhar, carregam nas costas problemas que não são seus.

Fecham-se em mundo só seu, desenvolvendo doenças psicossomáticas como depressão, síndrome do pânico, ansiedade, gagueira, apatia.

Abandonos, em todos os níveis, obrigando-os a amadurecer rápido demais, enfrentando situações que não são compatíveis com a sua idade cronológica.

Muitas fogem de casa, achando que na rua estarão mais seguras, sentem privações físicas e psicológicas. O medo e a ansiedade começam a fazer parte do seu cotidiano.

Os porquês, sem resposta, aflige-as.

Relacionamentos imaturos, inconsequentes, levados por diferentes motivos ,não conseguem se fixar por muito tempo, pois os modelos que convive ou conviveu, foram efêmeros, descompromissados, sem respeito mútuo e sem uma base familiar sólida, também não consegue consolidar a sua.

Uma das causas mais comuns e uma das mais difíceis para o sexo feminino desde que nasce até a vida adulta é a violência, a mulher-mãe é a mais atingida, na maioria das vezes não consegue, por vários motivos, denunciar o que está vivenciando.

Um dos motivos, se sente ligada emocionalmente ao agressor, sente-se se culpada, envergonhada, pensa que ninguém vai acreditar no que está acontecendo, que o parceiro vai mudar, é dependente financeiramente dele, é muito jovem e não sabe como lidar com toda essa situação, chora escondida e não percebe o mal que está causando nos seus filhos.

Eles ouvem xingos, ameaças, logo após os vê trocando carinhos, se confundem e passam a achar normal essa situação, podendo vir a repetir esse comportamento em suas futuras relações amorosas.

Crianças deixadas com pessoas de confiança, familiares, acima de qualquer suspeita, choram, não querem ficar, mesmo assim são deixadas, para os pais, cuidadores, trabalharem ou se divertirem.

Situações assim requer atenção redobrada, aconselha-se que os pais, cuidadores, simulem que vão embora, voltem e ouçam se a criança parou de chorar, se há alguma atitude digna de uma providência mais rígida.

Quando a criança reage demonstrando medo, aversão, a alguma pessoa, pode estar pedindo ajuda, pode ter ai, indícios de abusos, violência,…

Quando não se respeita esse pedido de socorro, ela poderá se transformar em um adulto com um acúmulo de sentimentos represados, podendo chorar sem motivo aparente ou se tornar fria, calculista, sádica, usando as pessoas como trampolim para conseguirem o que querem ou assumirem o mesmo papel de vítima que vivenciaram com as suas famílias.

Sentem que não vale a pena lutar, brigar pelo que quer, que não adianta de nada, pois nada vai mudar, começa a achar o seu cotidiano violento, normal.

Criança é uma jóia que precisa ser cuidada desde a sua concepção, se for planejada ou não, ela está ali, querendo firmar a sua existência, ser um cidadão de bem, é maleável e suscetível a mudanças, é observadora, capaz até de uma atitude extrema de cometer o suicídio, para fugir daquela dor que não vê saída para mudá-la.

A desagregação familiar é um caso de saúde pública, pois o ser humano é levado pelos extremos de suas emoções e aonde as canaliza, para o bem ou para o mal, seu e para os que o rodeiam.

É no convívio familiar que o ser humano molda o seu caráter, aflora tendências e aptidões, realiza escolhas, é saudável psicologicamente ou não.

Independente da classe social, criança será sempre criança, pais, cuidadores ,omissos, egoístas, descompromissados, sofrerão as consequências dos seus atos ou a falta deles.

Autora:

Teresa Armando Elios da Silva, assistente social e gestora do terceiro setor.

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