17.1 C
São Paulo
quarta-feira, 21 de abril de 2021

SOCIEDADE: MANUTENÇÃO DE PAPÉIS SOCIAIS E A IMPORTÂNCIA DA PROMOÇÃO DA MULHER

Introdução

Esta coluna é escrita propositalmente fora do dia internacional das mulheres. (E aproveito para manifestar a essas guerreiras meu apreço e congratulações pelo dia 08 de março). Digo ser de maneira proposital por pensar que as discussões acerca da importância das mulheres e da defesa de seus direitos devem ser deflagradas diariamente, e não apenas em situações pontuais. Nada contra a data, pelo contrário: funciona como um aniversário, um marco de lembrança.

Observa-se que há presente no cenário mundial uma acirrada disputa emocional, política e ideológica acerca de quais seriam os lugares e os papéis dos homens e mulheres dentro da sociedade e no seio das relações interpessoais. Os debates em torno de termos antigos como “patriarcalismo” e neologismos, como por exemplo o “empoderamento”, têm tomado relevante volume em meio a azáfama diária.

O progresso humano e a atualização das ferramentas de gestão

Com o avanço da sociedade e com o aumento da velocidade das informações, os espaços para as arbitrariedades tendem a diminuir. O cenário que um chefe, por exemplo, é o senhor dos seus empregados, está paulatinamente caminhando para o fim. Do mesmo modo, a difusão dos direitos das mulheres e sua consequente promoção têm desencadeado transformações em todo o mundo e nas relações humanas.

Atualmente, nas organizações sérias, a distribuição e a execução dos papeis de gestão, são pautados nos CHAs: os Conhecimentos, Habilidades e Atitudes. Essa premissa promove um papel primordial: permitir que as diversas demandas e suas respostas sejam respondidas de acordo com a capacidade do indivíduo de fazê-lo, e não apenas por sexo, cor, idade, religião, etc. Destarte, argumentando-se sobre capacidade pessoal, naturalmente deve-se excluir então a possibilidade da determinação das gestões pelo sexo ou pela opção sexual. Da mesma maneira, na construção de relacionamentos sadios e relevantes, há também a necessidade de se pensar além dos limites impostos pelos séculos passados.

Em uma relação familiar, assim como uma organização secular séria, não se pode conceber em pleno século XXI, um modelo de liderança totalitária e direcionada apenas por uma pessoa. Independente do planejamento familiar (se pautado no modelo patriarcal ou outros modelos também válidos), entende-se que a possibilidade de decisões colegiadas é extremamente eficiente, uma vez que permite a expansão dos diversos cenários e suas variáveis situacionais. O colégio favorece a observação de um evento por uma perspectiva mais ampla, ao mesmo tempo em que afasta a possibilidade de um regime ditatorial, em que apenas uma pessoa é o “responsável por tudo”.

A necessidade de expansão dos contratos sociais

Apesar da importância dessa eficiente ferramenta administrativa, o papel protetor do homem, construído ao longo dos tempos, deve ser discutido, todavia, não deve ser minimizado. Homens choram, claro; mas nem só de lágrimas se faz um homem. O homem “raiz” argumenta que precisa de rusticidade, mas nem só de rusticidade faz-se um homem.

A manifestação real da proteção se eterniza a partir do momento em que este mesmo homem arvora bandeiras que promovam as mulheres, defendam seus direitos e, de igual modo, se posicione de maneira contundente contra toda a violação que elas possam estar ameaçadas (e não apenas quando sua mãe e filhas estão sob ameaça). Por outro lado, a relevância do papel da mulher deve ser discutida também, jamais secundarizada. A igualdade é um horizonte que deve ser perseguido, e para isso, discussões não devem ser fomentadas em ambientes de acidez ou de ideologia vazia.

Neste sentido, as relações sociais jamais devem ser fragilizadas pelos conceitos pós-modernos e líquidos, outrossim, fortalecidos pelos aspectos de promoção dos Direitos Humanos e promoção do bem estar dos seres humanos. A empatia, nesses casos, passa a ser uma importante balizadora das condutas e seus meios de organização.

Não há, a partir deste pensamento, espaço para definições dos papéis de “lavar pratos, arrumar casa, e cuidar das crianças” como sendo exclusivo das mulheres. Do mesmo modo, não há espaço para modelos patriarcais que sejam promulgados por meio do medo, controle absoluto e servidão da mulher.

A proteção, defesa do cônjuge, a luta pela sobrevivência e subsistência estão entranhados em sua representação social ao longo da evolução da sociedade. Profissionalização e instrução (formal e informal) da mesma forma. Esse mandado cultural deve ser expandido, e não desconstruído. Do mesmo modo, o cuidado com a harmonia familiar, e proteção da prole (para aqueles que optam por tê-la) devem ser igualmente expandidos, mas não esquecidos. É um entrelaçamento dos papéis sociais, num esforço mútuo, para a promoção da dignidade, felicidade e bem-estar.

Liderança saudável e sua importância para as relações

O limite da patriarcalidade (amada por uns, odiada por outros) deve ser o senso de cuidado sacrificial do homem por uma mulher, família ou equipe: nada mais que isso. Obviamente, exclui-se dessa ideia todo o viés machista, preconceituoso, cerceador, divisor, rotulador e impulsionador de quaisquer misoginias desprezíveis, além das bestialidades oportunizadas por tais idiotices.

Não estão em questão, aqui neste artigo, nem as opções sexuais de cada indivíduo (uma vez que não mudam a ideia de pacificação) nem as barbáries das “bestas-feras”, sejam de uma extremidade ideológica, ou seja de outra; que por sinal devem ser punidas com o máximo de rigor pela lei e pela sociedade. Manifesta-se aqui o pensamento da harmonia e equilibro da comunidade e da família, por meio do diálogo e seus diversos modelos de liderança saudável.

Uma liderança saudável não tem a ver com ditadura, abuso de poder, subjulgamentos, etc. O verdadeiro líder deve buscar sempre gerir a partir do CHA Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de cada um. Por exemplo, se um cônjuge é péssimo com administração financeira (gastador, descontrolado, pão duro, etc.), faz parte de uma boa liderança entender que o outro é mais capacitado para aquilo, seja homem, seja mulher. Isso vale para negócios, decisões críticas, aquisição de bens, etc. E é claro: tudo menos as tarefas domésticas. Isso tem que ser feito por todos os cooperados, independentemente de suas habilidades, não é mesmo? (Quem não tem habilidades, que procure aprender, e rápido! Rsrs). Mas obviamente, não é um método engessado.

E aí: quem é o mais importante? Quem manda mais?

E hoje em dia, infelizmente, o que vemos são porfias por motivos políticos e ideológicos. O que está acontecendo é exatamente um retrocesso das relações interpessoais, baseado na disputa de poder, e na briga de “quem não se submete a quem”, “quem é mais importante”, “quem deve estar acima de quem” e “quem não precisa do outro”. Nas relações familiares, sem liderança (da mulher ou do homem, de acordo com a organização de cada realidade), há uma eterna exposição de pensamentos bilaterais que, uma vez não conectados, levam a decisões dicotomizadas e singulares, fragilizando as relações e relativizando qualquer possibilidade.

Uma sociedade sem diálogo e sem a complementação mútua dos papéis sociais de homens e mulheres, haverá uma eterna batalha. De um lado homens machistas que desejam se manter no poder (e em situação favorável, claro) e mulheres feministas que desejam não só arrancar o homem dessa cadeira, mas posteriormente assumi-la, perpetuando a falta de diálogo e aquela sensação que há um “troco” a ser devolvido. Seria como se negros lutassem atualmente para ter o direito a “escravizar pessoas brancas” como respostas e reparação às barbáries do passado. Inconcebível ideia, tanto em um caso, ou no outro. Conforme pensamento de Paulo Freire, a educação precisa ser libertadora. Quando isso não ocorre, o sonho do oprimido é simplesmente “se tornar o opressor”, e não quebrar as cadeias e ciclos da injustiça.  

Considerações Finais

Portanto, diante do exposto conclui-se que a proposta das discussões em datas como 08 de março deve ser, sem sombra de dúvida, a promoção dos Direitos Humanos e, sobremodo pela promoção da mulher. Isso permitirá que todo o público feminino possa ascender para o lugar de onde jamais deveriam ter sido arrancadas e privadas de alcançá-los: a profissionalização, a educação superior, os cargos de gestão nas empresas, dos altos postos militares, os salários justos de acordo com a função desenvolvida, o direito de decidir seus próprios caminhos e o direito de lutar vigorosamente contra qualquer ameaça aos seus interesses e de suas semelhantes.

Os homens precisam internalizar que a luta pelas mulheres é a luta pela igualdade. As mulheres precisam internalizar que a luta de uma é a luta de todas, mas que essa luta não deve ser para dar uma “resposta aos homens”, mas sim, pela promoção social e dos direitos da mulher. Não acreditem nos idiotas que falam: “discriminação está só na cabeça das mulheres”. Ela existe, e precisa ser combatida com o máximo rigor e vigor.

E você leitor: o que pensa sobre os papéis sociais e a necessidade de políticas, direitos, e promoção da mulher? Deixe sua opinião nos comentários aqui em baixo.

Um abraço a todos e até a próxima!

Prof. Esp. Júlio César Pinheiro do Nascimento

Prof. Esp. Júlio César Pinheiro do Nascimento
Terceiro Sargento da Polícia Militar de Minas Gerais. Professor em Curso Preparatório para concursos da PMMG. Mestrando em Teologia (FABAPAR). MBA em Gestão Estratégica de Pessoas (FUMEC). Pós Graduação em Teologia, Leitura e Interpretação bíblica (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão de Conflitos (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão e Liderança Corporativa (FABAPAR). Pós Graduação em Docência do Ensino Religioso (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão de Projetos Sociais (FABAPAR). Pós Graduação em Aconselhamento e Capelania (FABAPAR). Pós Graduação em Docência do Ensino Superior e Tutoria EAD (IPEMIG). Pós Graduação em Direitos Humanos e Ressocialização (DOM ALBERTO). Pós Graduando em Prevenção à Violência Doméstica (FAVENI). Graduado em Tecnologia em Gestão da Segurança Privada (FUMEC). Graduado em Tecnologia da Segurança Pública (PMMG). Graduando em Educação Física. Técnico em Segurança Pública (PMMG). Email: professorjullao@outlook.com . Currículo Lattes - Disponível em: http://lattes.cnpq.br/3273557003731752 . FORÇA NA LUTA!

11 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo conteúdo, pela interdisciplinaridade dos temas, pelo posicionamento. Leitura leve, objetiva e oportuna! 👏🏼👏🏼👏🏼

  2. Que as mulheres estão a largos passos dominando e liderando a sociedade é fato,. Mas elas ainda em sua maioria não assumem o papel do “tal direitos iguais”, buscam mas nao assumem que ser homem é matar um leão por dia, seja na classe média, baixa ou alta. Cada um na sua seria a melhor regra a seguir rumo ao sucesso. “CHAs: os Conhecimentos, Habilidades e Atitudes”acheihiper interessante. Parabéns pela preleção irmão J pinheiro.

  3. Parabéns ao Professor Sargento Júlio César pelo artigo SOCIEDADE: MANUTENÇÃO DE PAPÉIS SOCIAIS E A IMPORTÂNCIA DA PROMOÇÃO DA MULHER.

  4. Mais importante do que o papel e a importância da mulher, é a sua capacidade em solucionar e agir nos mais relevantes aspectos. Grande texto, nunca é demais salientar o que é bom.

  5. Espetacular palavras,concisa perfeitas no momento em passamos por estes turbilhões de acontecimentos que vivemos,palavras perfeitas neste momento tão devastador parabéns ilustre mestre.

  6. “Uma Sociedade que não educa e promove as mulheres é como um corpo que exercita apenas um braço” Platão. Agora, mais um grande pensador reforça essa verdade. Parabéns pelo Artigo!!!

Deixe uma resposta

Leia mais

%d blogueiros gostam disto: