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sábado, 29 de janeiro de 2022

RESENHA – Entre faltas e oportunidades: ONGs e prevenção da violência

(RODRIGUES, Tiago Nogueira Hyra Chagas. Entre faltas e oportunidades: ONGs e prevenção da violência).

O referido artigo fomenta a análise dos discursos e práticas dos educadores atuantes em organizações não governamentais (ONG’s) da cidade de Florianópolis/SC, cujo objetivo seria retirar as crianças das ruas e conceder oportunidades através da educação. Segundo o autor, estas ações podem ser entendidas como uma manifestação social da comunidade como meio de atuar a contribuir para combate a violência, sem afetar-se com a crise das instituições. Tais crises (que em não raras oportunidades freiam os trabalhos de várias entidades) passam ao largo das referidas ONGs que atuam na educação infantil. Conforme o presente artigo, o entendimento do conceito de violência reflete nas soluções apresentadas pelos agentes atuantes nesta área e ainda, no aspecto moral com que atendem a comunidade e suas demandas.

A construção do artigo flui a partir da observação de duas ONGs atuantes na área de educação infantil/juvenil e como atuavam preventivamente junto aos que estavam expostos às mazelas e vulnerabilidade sociais em Florianópolis/SC. A discussão do referido artigo é proposta diante do seguinte problema: “Como a sociedade civil se mobiliza para prevenir as violências? O que fazem efetivamente ONGs e projetos sociais para atingir este fim?”. Destarte, o objetivo principal do artigo efetivou-se em apresentar os cenários e a atuação das Organizações não-Governamentais ante a população carente, assim como a relevância dos seus serviços prestados na prevenção da violência.

Na introdução, o artigo apresenta uma explanação acerca das ações sociopolíticas e pedagógicas das ONGs que tem por objetivo “retirar as crianças da rua e dar oportunidade”. O autor conceitua a “rua” como criminalidade e violência, e a partir disto busca proporcionar a compreensão de que diante da ineficiência e sucateamento do Estado, muito pode ser feito em favor da comunidade para a prevenção da violência, assim como ocorre nas ONGs. No estudo de caso na cidade de Florianópolis, as instituições em lide ofereciam diversos serviços à comunidade (creche para as crianças de 0 a 6 anos, e educação complementar aos que possuíam de 6 a 16 anos), atividades artísticas, prática de esportes, assistência odontológica e ainda possíveis articulações para encaminhamento para emprego. De acordo com o artigo, a atuação das organizações junto aos carentes minimizava a “falta” daquilo que os indivíduos não tinham acesso. As situações de extrema pobreza relatadas pelos agentes atuantes nas ONGs eram combatidas com o incentivo, a inclusão, a profissionalização, o aconselhamento e a estimulação do protagonismo. Para o autor, “dar oportunidade” remete a concessão de uma educação de qualidade, acesso à cultura, ensino de valores sociais e valores morais.

O resultado principal alcançado neste artigo foi a ampliação da visão sobre a atuação dos agentes das ONGs, que fazem suas intervenções juntos as crianças/jovens não apenas no sentido de dirimir as situações de violência, mas sim, apresentando questões éticas, morais, novas possibilidades, capacitando profissionalmente e intervindo junto às famílias. Segundo o autor, o papel destes agentes é relevante na missão de afastar as crianças/adolescentes do mundo do crime, apesar não suprirem plenamente o abandono do Estado e a não efetividade das políticas públicas.

O artigo mencionado é de alto grau de importância, uma vez que permeia assunto tão relevante à sociedade. Entendemos que há vários atores que contribuem diretamente com o combate a violência, maximizando e até mesmo “fazendo valer” as políticas públicas do município. A atuação das ONGs como manifestação social em prol da coletividade é uma ferramenta muito preciosa que em muito pode contribuir com a área da Segurança Pública. A leitura do artigo é recomendada para profissionais envolvidos com a Segurança Pública e para os demais interessados acerca desta temática.  

REFERÊNCIAS

RODRIGUES, Tiago Nogueira Hyra Chagas. Entre faltas e oportunidades: ONGs e prevenção da violência. Revista Brasileira de Segurança Pública, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 130-147, Fev./Mar. 2017.

Prof. Esp. Júlio César Pinheiro do Nascimento
Terceiro Sargento da Polícia Militar de Minas Gerais. Professor em Curso Preparatório para concursos da PMMG. Mestrando em Teologia (FABAPAR). MBA em Gestão Estratégica de Pessoas (FUMEC). Pós Graduação em Teologia, Leitura e Interpretação bíblica (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão de Conflitos (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão e Liderança Corporativa (FABAPAR). Pós Graduação em Docência do Ensino Religioso (FABAPAR). Pós Graduação em Gestão de Projetos Sociais (FABAPAR). Pós Graduação em Aconselhamento e Capelania (FABAPAR). Pós Graduação em Docência do Ensino Superior e Tutoria EAD (IPEMIG). Pós Graduação em Direitos Humanos e Ressocialização (DOM ALBERTO). Pós Graduação em Prevenção à Violência Doméstica (FAVENI). Pós Graduando em Direito Militar (DOM ALBERTO) Graduado em Tecnologia em Gestão da Segurança Privada (FUMEC). Graduado em Tecnologia da Segurança Pública (PMMG). Graduando em Educação Física. Técnico em Segurança Pública (PMMG). Email: professorjullao@outlook.com . Currículo Lattes - Disponível em: http://lattes.cnpq.br/3273557003731752 . FORÇA NA LUTA!

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