Os desafios – e os benefícios – do autocuidado em tempos de pandemia

A pandemia provocada pelo coronavírus vem colocando uma grande pressão sobre todos, sem dúvida alguma. No contexto dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde e a fragilidade do momento atual, principalmente considerando as populações vulneráveis, nunca falamos tanto sobre autocuidado como agora. Afinal, o olhar atento para a própria saúde traz benefícios não só para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo.

Encorajar o autocuidado seguro e responsável é uma estratégia que contribui para eficiência do trato com a própria saúde, gera economias importantes para o sistema de assistência médica (especialmente durante o cenário complexo da Covid-19) e resulta em ganhos de produtividade para a economia.

Apesar deste olhar desafiador para a saúde demandar um forte trabalho de educação e empoderamento, a busca pelo autocuidado já começa a dar bons frutos no Brasil. É o que traz um levantamento nacional da Associação Brasileira de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), divulgado em julho de 2020. Dados mostraram como a pandemia mudou o comportamento da população: 38% dos entrevistados passaram a cuidar mais do bem-estar mental, 30% disseram que estão cuidando mais da saúde de maneira global e 29% passaram a se alimentar melhor.

A pandemia e o isolamento social mexeram – e vêm mexendo – com a saúde mental das pessoas, outra pesquisa, realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, mostrou que as ocorrências relacionadas a estresse e ansiedade tiveram um crescimento de 40,5% e 71,2%, respectivamente, entre março e abril de 2020.

Ficar em casa dias a fio, se adaptar a novas posições de trabalho, rotinas e tecnologias e, até mesmo, o desafio em separar os ambientes profissional e pessoal pela popularização do home office são potenciais geradores de estresse físico e mental que, se não forem observados e mitigados, podem gerar desconfortos. 

Nesse contexto educacional, a comunidade dos profissionais de saúde, junto com indústria e entidades governamentais precisam seguir firmes no trabalho de empoderar cada vez melhor os consumidores e pacientes para que compreendam melhor os benefícios do autocuidado e que se sintam capacitados para exercê-lo.

Quanto mais os consumidores são informados e compreendem as condições comuns e opções para gerenciá-las adequadamente, melhor a saúde, maior a qualidade de vida e mais produtiva será nossa sociedade.

1 WHO consolidated guideline on self-care interventions for health: sexual and reproductive health and rights. Wordl Health Organization (2019). https://www.who.int/reproductivehealth/publications/self-care-interventions/en/
2 Pesquisa da Uerj indica aumento de casos de depressão entre brasileiros durante a quarentena. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (202). Disponível me: https://www.uerj.br/noticia/11028/
3 Mudanças nas condições socioeconômicas e de saúde dos brasileiros durante a pandemia de COVID-19. Revista Brasileira de Epidemiologia (2021). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2020000100211
4. Dimensionamento do Mercado Farmacêutico e definição do recorte de MIPs. Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição. Disponível em: https://abimip.rentalhost.net/arquivo/baixar/21
5. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Agenda 2030. Disponível em: http://www.agenda2030.org.br/ods/3/

Autor:

Rodolfo Hrosz, diretor-geral da unidade de negócios Consumer Healthcare da Sanofi Brasil e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip)

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