Mercado global pode ultrapassar US$ 10 bilhões e abrir espaço para uma nova cadeia produtiva conectada à saúde, bioeconomia e agronegócio brasileiro
O avanço das terapias assistidas por psicodélicos e da cannabis medicinal começa a desenhar uma nova cadeia econômica global — e o Brasil pode ocupar posição estratégica nesse movimento.
Estimativas internacionais apontam que o mercado global de terapias psicodélicas pode ultrapassar US$ 10 bilhões nos próximos anos, impulsionado pela crescente crise mundial de saúde mental, pelo aumento das pesquisas científicas e pela busca por tratamentos mais eficazes para condições como depressão resistente, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e dependência química.
Mas, para especialistas do setor, o impacto dessa transformação vai além da medicina.
O crescimento desse campo começa a abrir espaço para um novo modelo econômico ligado à bioeconomia, agricultura sustentável, cultivo de plantas medicinais, fungos terapêuticos e valorização da biodiversidade brasileira.
A farmacêutica Renata Monteiro, uma das profissionais brasileiras que atuam na interseção entre cannabis medicinal, psicodélicos e prática clínica integrativa, afirma que o Brasil possui potencial para se tornar referência mundial nesse cenário.

“Não estamos falando apenas de um mercado. Estamos falando do resgate de saberes ancestrais aliados à ciência contemporânea, com potencial de transformar saúde, educação, agricultura e sustentabilidade”, afirma.
Fundadora da Ortofarma e primeira farmacêutica do Brasil a receber o título de especialista em Cannabis Medicinal pelo Conselho Regional de Farmácia, Renata atua também na formação profissional por meio da Tekoá Escola, voltada para terapias integrativas, ciência psicodélica e capacitação técnica.
Segundo ela, o país reúne ativos considerados estratégicos:
- biodiversidade única;
- tradição no uso ritualístico da ayahuasca;
- potencial agrícola;
- conhecimento tradicional preservado por povos originários;
- expansão das pesquisas científicas.
“O Brasil já possui uma posição diferenciada porque a ayahuasca é regulamentada para uso ritualístico. Isso faz do país um dos centros mais relevantes do mundo quando falamos sobre saberes ancestrais ligados aos psicodélicos”, explica.
Além do impacto na saúde mental, o avanço desse setor começa a despertar interesse econômico em diferentes áreas produtivas.
Modelos ligados à agroecologia, agricultura familiar e cultivo sustentável de plantas medicinais passam a ser vistos como oportunidades de geração de renda no campo e desenvolvimento regional.
“Existe uma tendência de crescimento de cadeias produtivas mais conscientes, conectadas à sustentabilidade, preservação ambiental e valorização cultural”, destaca Renata.
O movimento também acompanha o avanço da cannabis medicinal no Brasil, que ajudou a abrir espaço para novas discussões sobre terapias integrativas.
“A cannabis pavimentou esse caminho. Ela ajudou a quebrar paradigmas dentro da medicina e da sociedade”, afirma.
Apesar do crescimento acelerado do setor, especialistas alertam para os riscos da falta de regulamentação e do uso indiscriminado dessas substâncias.
“Não se trata de banalizar essas terapias. O crescimento precisa acontecer com responsabilidade, ciência, preparo técnico e respeito às tradições que preservaram esses conhecimentos por gerações”, ressalta.
Atualmente, grandes farmacêuticas, startups de biotecnologia e fundos de investimento já disputam espaço no setor em diversos países.
No Brasil, porém, ainda existem desafios importantes:
- burocracia regulatória;
- baixa integração entre pesquisa e prática clínica;
- ausência de políticas públicas estruturadas;
- dificuldade de financiamento científico.
Mesmo assim, o interesse cresce rapidamente.
Para especialistas da área, o debate sobre psicodélicos deixa de estar restrito à saúde e começa a atingir diretamente temas como economia verde, inovação, agricultura sustentável e desenvolvimento social.
“O futuro desse campo dependerá da capacidade de equilibrar avanço científico, ética, sustentabilidade e respeito cultural”, conclui Renata Monteiro.
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