Na visão da arquiteta Isabella Nalon, tanto a fachada frontal, como a posterior, denotam a coerência e a identidade do projeto de arquitetura
A fachada não se trata apenas de um plano voltado para a rua. Na arquitetura contemporânea, ela integra um sistema mais amplo que envolve percurso, permanência e relação com o entorno. Além da alcunha de cartão de visitas, a frente da casa denota escolhas projetuais que dizem respeito às formas, características do terreno e as predileções dos moradores.
Nos projetos da arquiteta Isabella Nalon, essa abordagem é evidente. A leitura da casa se constrói em camadas, onde as fachadas da frente, laterais e fundos recebem o mesmo grau de atenção. A composição privilegia proporção, materialidade e continuidade, evitando soluções isoladas.
“A fachada precisa comunicar e acolher. Ela não é só imagem, é experiência e o primeiro impacto que qualquer pessoa recebe sobre a edificação”, considera a profissional.
Tipos de fachada
Antes de falar sobre estilos arquitetônicos, Isabella propõe o entendimento das subdivisões do elemento. Em casas localizadas em áreas urbanas, a primeira delas é a fachada com portão – essencial para prover segurança e delimitar o perímetro do terreno onde está localizada. “O modelo escolhido deve ser condizente com a arquitetura e proporcional com as medidas, permitir a ventilação para o interior da residência e considerar uma estrutura calculada para suportar o peso do item e sua movimentação“, orienta.
Segundo a arquiteta Isabella Nalon, ferro, aço, alumínio e madeira são os materiais maisusados na produção dos portões. Quanto ao desenho, ela diz que depende de cada projeto,podendo variar desde composições mais clássicas até os modelos rústicos e contemporâneos,marcado por linhas retas e minimalistas | Projetos: Isabella Nalon Arquitetura | Fotos: LuisGomes e Julia Herman
Seja a fachada principal, no caso de condomínios, ou aquela que marca a frente da edificação, a fachada frontal pode ser compreendida como um elo entre o espaço público e o privado. Recursos como os recuos laterais criam zonas intermediárias que ajudam a controlar a incidência solar direta, além de estabelecer hierarquia e profundidade na composição.
Isabella destaca a importância de escolher materiais adequados para uma fachada eficiente e afirma que essas definições exercem um impacto direto no comportamento térmico da fachada.Materiais com maior inércia térmica, como concreto e alvenaria, absorvem e liberam calor de forma mais lenta, enquanto soluções mais leves respondem mais rapidamente às variações de temperatura.
Situada dentro de um condomínio, a arquiteta Isabella Nalon optou pelo branco para colorir avolumetria e as linhas retas da fachada principal da residência localizada na cidade de Itu,interior de São Paulo | Fotos: Julia Herman
Além disso, reforça que revestimentos claros na forma de concreto aparente, pedras naturais, lastras e porcelanatos ajudam a reduzir o ganho térmico. “Os brises e painéis vazados funcionam como filtros solares que controlam a incidência de luz e contribuem para uma temperatura agradável na parte interna da casa”, orienta.
Mas o conceito de fachada não para por aí: ela explica que a fachada lateral também exerce grande importância nos projetos. Junto com a valorização da arquitetura e a privacidade, o cuidado com essa face coopera para a comodidade visual e de temperatura tanto por conta do material que a reveste, como pela inclusão de esquadrias.
Seguindo as normas municipais, que indicam o espaçamento mínimo para, pelo menos um recuo lateral, essa fachada interage para com o caminho rumo ao fundo da edificação.
Na reforma desta residência que mescla linhas retas com um toque clássico devido aosdetalhes que emolduram as esquadrias e o guarda-corpo de ferro, a arquiteta Isabella Nalonincluiu um paisagismo para conectar os moradores com a natureza e ajudar no sombreamentolateral da fachada | Fotos: Julia Herman
Por último, e não menos importante, as fachadas posteriores são fundamentais, uma vez que as aberturas preenchidas pelas esquadrias –janelas ou grandes portas de vidro que dão acesso ao lado de fora da casa –, favorecem a ventilação cruzada e iluminação natural. Esse tipo de solução reduz a dependência de climatização artificial e melhora o desempenho energético da edificação.
A fachada posterior dessa residência se integra com a área de lazer | Projeto: Isabella NalonArquitetura | Foto: Julia Herman
Melhores cores para fachadasO tom off white cobriu toda fachada essa residência | Projeto: Isabella Nalon Arquitetura | Foto: Julia Herman
De acordo com Isabella, decidir da cor da fachada vai muito além da estética: interfere diretamente no bem-estar térmico. Em regiões com alta incidência solar, como grande parte do Brasil, essa decisão se torna ainda mais relevante.
“A cor não pode ser pensada de forma isolada, uma vez que ela faz parte de um conjunto de decisões que envolvem materiais, orientação solar, presença de beirais e o uso do paisagismo como estratégia de sombreamento”, argumenta.
Cores escuras como preto, cinza escuro, azul marinho e tons fechados de marrom possuem baixa refletância. Isso significa que absorvem maior quantidade de radiação solar, aquecem as superfícies e podem elevar a temperatura interna dos ambientes. “Esse efeito não inviabiliza seu uso, mas exige uma aplicação estratégica“, pontua a profissional.
Por outro lado, tonalidades claras refletem a maior parte da radiação solar e contribuem para cômodos mais frescos. Branco e off-white apresentam alta eficiência térmica, enquanto bege, tons de areia e cinza claro equilibram desempenho e estética. Cores como azul claro e verde claro também aparecem como alternativas, trazendo leveza visual e menor absorção de calor.
Na espécie de edícula onde instalou a academia dos moradores, a arquiteta Isabella Naloninvestiu no revestimento de porcelanato que remete às ripas de concreto para revestir o piso eas paredes externas | Foto: Julia Herman
Sobre a arquiteta Isabella Nalon
Com uma carreira sólida e experiência proveniente de mais de 25 anos de trabalho, Isabella Nalon percorreu uma trajetória de muitos estudos e pesquisas na área de Arquitetura e Decoração. Iniciou sua carreira atuando como arquiteta na Alemanha e, em 1998, inaugurou seu escritório em São Paulo. Se especializou em projetos arquitetônicos residenciais, comerciais e de decoração de interiores. Possui uma visão plural e ampla de diferentes culturas e públicos, o que se tornou um diferencial em seu percurso profissional. Cada projeto desenvolvido pelo escritório é único, com muita harmonia, elegância e criatividade. Frequentemente, tem obras reconhecidas e publicadas por renomados portais e revistas de arquitetura e decoração, consolidando o escritório na lista dos mais importantes da capital paulista.