Doença crônica afeta o corpo e a autoestima de milhões de mulheres que ainda enfrentam
falta de diagnóstico
O lipedema vai muito além da aparência. A doença, que atinge predominantemente
mulheres, é marcada por dor constante, inchaço e sensibilidade ao toque, sintomas que
impactam diretamente a rotina e a qualidade de vida. Ainda assim, muitas pacientes
convivem com o problema em silêncio, sem diagnóstico e, frequentemente, sem
acolhimento.
Estudos indicam que grande parte das mulheres com lipedema apresenta também
sofrimento emocional associado, incluindo ansiedade, baixa autoestima e até quadros
depressivos. Isso ocorre porque, além da dor física, existe o estigma social em torno do
corpo, que reforça a ideia equivocada de que o problema está ligado apenas ao estilo de
vida.
Segundo a médica Iris Santos, esse cenário precisa ser enfrentado com mais informação.
“O lipedema é uma doença inflamatória crônica que causa dor real. Não é apenas estética.
Muitas pacientes relatam dificuldade até para realizar atividades simples do dia a dia, como
caminhar ou ficar muito tempo em pé”, explica.
A especialista também chama atenção para o impacto psicológico. “A vergonha do próprio
corpo e a sensação de não ser compreendida levam muitas mulheres ao isolamento. É um
sofrimento silencioso, que precisa ser reconhecido e tratado de forma integral”, afirma.
O avanço no diagnóstico e no tratamento passa pela conscientização. Falar sobre lipedema
é dar voz a milhões de mulheres que, por muito tempo, foram invisibilizadas dentro do
próprio sistema de saúde.
Autor:
Mateus Moreira


