
Na adolescência, caminhei por rios entre florestas. Cavalguei em cavalos bem maiores que eu. Pescava, para o sustento, peixes de várias espécies. Era tudo intensamente divertido. Nas suas margens, os pássaros cantavam canções que o meu coração entendia. E, ao ver as borboletas dançando no ar, eu me perguntava: de onde vem tamanha leveza e beleza? Quando o vento suave soprava em meu rosto, eu ria de felicidade. Havia cachoeiras que formavam pequenas piscinas, onde os peixes se escondiam. Para o infortúnio deles, eu os descobria e pescava. Sim! Eu vivia com os pulmões estourando de felicidade.
Segui o rio da vida. Ele me levou para o mar, onde o verde mudou de tonalidade, como eu. Um adulto mergulhando na sua imensidão, onde, no horizonte, parece o fim — mas, na verdade, é o infinito. Sonhava não mais com borboletas, mas com as princesas das praias. Elas, com suas minúsculas roupas, ensaiavam um balé quando mergulhavam. Quando saíam do mar, a água limpa descia, contornando seus corpos, como gotas de orvalho nas folhas virgens ao amanhecer. Eu as espreitava. Eu as desejava.
Hoje percebo que, a cada etapa da minha vida, eu estava conversando com Deus. Silenciosamente, Ele me narrava seus feitos: os rios, a floresta, as cachoeiras, os peixes e os animais. Demonstrava sua grandeza também através do sol e das estrelas no firmamento. Sim, Ele sempre me guiava, como uma criança de mãos dadas com o pai. Depois de tudo isso, caro leitor, posso afirmar que, por diversas vezes, Ele sussurrou em meus ouvidos o caminho que eu deveria trilhar. Sem Ele, eu não chegaria até aqui, neste grande oceano chamado vida! E então, hoje sei que sempre conversei com Ele — só que eu não tinha consciência da nossa conversa, pois não tinha provas da sua existência.


