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domingo, 25 de janeiro de 2026

Dica de Leitura: “Sobre o Autoritarismo Brasileiro”, de Lilia Moritz Schwarcz – Raízes Profundas de uma Nação Excludente

O livro Sobre o autoritarismo brasileiro, de Lilia Moritz Schwarcz, desmascara a mitologia nacional de um Brasil tolerante e acolhedor, revelando as raízes históricas profundas de um autoritarismo que permeia cinco séculos de nossa trajetória. Publicado pela Companhia das Letras em 2019, a obra da historiadora examina temas como escravidão, racismo, mandonismo, patrimonialismo, corrupção, desigualdade social, violência, raça, gênero e intolerância, mostrando como essas fissuras estruturais moldam o presente. Schwarcz argumenta que o fenômeno não se limita a regimes ditatoriais específicos, mas constitui um traço cultural e social enraizado na colonização portuguesa e na escravidão, perpetuado por lógicas de dominação que naturalizam a exclusão.​

Desde o período colonial, o Brasil construiu hierarquias rígidas baseadas na opressão e no “jeitinho brasileiro”, que mascarava abusos de poder e desigualdades gritantes. A autora destaca o coronelismo na República Velha, o voto de cabresto e práticas oligárquicas que sobrevivem em “bancadas dos parentes” e no patrimonialismo atual, onde o público se confunde com o privado. Esses elementos explicam por que, apesar de constituições progressistas como as de 1934 e 1988, persistem legados de mando e obediência que minam a igualdade jurídica e fomentam a violência cotidiana.​

No contexto contemporâneo, especialmente após eventos como o impeachment de 2016 e o governo Bolsonaro, o livro ganha urgência ao alertar para novas ondas autoritárias disfarçadas de populismo ou ultraliberalismo. Schwarcz enfatiza a resistência democrática histórica, mas cobra uma agenda inclusiva que combata a obediência cega a líderes, a repressão a dissidências e a negação do racismo estrutural. Em 2026, com polarizações persistentes, sua análise reforça que ignorar esses “fantasmas do presente” perpetua uma nação excludente, distante de uma cidadania plena.​

A força da obra reside na combinação de dados estatísticos, análise antropológica e histórica, sem simplificações, convidando à reflexão crítica sobre educação, memória e diversidade como antídotos ao retrocesso. Schwarcz não oferece soluções prontas, mas expõe as permanências que explicam nossa dificuldade em ser inclusivos. Ler esse livro é essencial para quem busca compreender por que o Brasil, apesar de avanços, ainda patina em intolerâncias e desigualdades que demandam ação coletiva urgente.

Manuel Flavio Saiol Pacheco
Manuel Flavio Saiol Pacheco
Doutorando e Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Justiça e Segurança pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Especialista em Desenvolvimento Territorial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Possui ainda especializações em Direito Tributário, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Docência Jurídica, Docência de Antropologia, Sociologia Política, Ciência Política, Teologia e Cultura e Gestão Pública e Projetos. Graduado em Direito pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Advogado, Presidente da Comissão de Segurança Pública da 14º Subseção da OAB/RJ, Servidor Público.

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