Etarismo, racismo e exclusão: os desafios que ainda moldam o mercado de trabalho

Desenvolvido por alunos da USP, e-book reúne dados e apresenta orientações para que empresas abordem diversidade de forma mais inclusiva e responsável, com subsídios teóricos e práticos para a construção de ambientes mais equitativos

São Paulo, maio de 2026: e-book “Diversidade: guia prático introdutório”, desenvolvido por estudantes da disciplina Relações Públicas Globais do curso de Relações Públicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), propõe uma reflexão aprofundada sobre como a sociedade constrói e impõe padrões que determinam quais grupos são legitimados e quais são historicamente marginalizados.  

Disponível gratuitamente, a publicação apresenta uma abordagem estruturada e interseccional da diversidade, aliando análise crítica, dados atualizados e ferramentas práticas voltadas à aplicação no campo da comunicação e dentro das corporações. 

A partir do conceito de “corpos dissidentes”, que engloba todas as existências que fogem às normas dominantes de gênero, idade, raça, capacidade e origem, o material explora diferentes dimensões da exclusão social e evidencia como esses marcadores impactam diretamente o acesso a direitos, oportunidades e reconhecimento. 

“Apesar do avanço das discussões sobre diversidade, ainda há uma lacuna importante de conteúdos aplicáveis no mercado. O objetivo do guia é democratizar o acesso à informação e apoiar estudantes e profissionais da comunicação de diferentes regiões do Brasil na incorporação desses temas em sua prática cotidiana”, afirma a professora Maria Aparecida Ferrari, docente do curso de Relações Públicas na Escola de Comunicações e Artes da USP. 

Ao longo do e-book, o conteúdo é organizado em eixos temáticos que evidenciam como a dissidência corporal se manifesta na prática e no cotidiano. Entre os principais temas abordados estão a longevidade e o etarismo, que analisam como pessoas com mais de 40 anos são frequentemente excluídas do mercado de trabalho e de espaços sociais de forma naturalizada, refletindo preconceitos estruturais relacionados à idade; a maternidade, discutida a partir da sobrecarga física e emocional e da romantização do cuidado ainda majoritariamente atribuído às mulheres, além dos impactos na carreira e na autonomia feminina; e a realidade das pessoas com deficiência, com foco na superação do modelo médico em direção a uma abordagem social centrada na eliminação de barreiras e na promoção da acessibilidade. 

O material também aborda o racismo estrutural e seus impactos históricos na limitação de oportunidades e no acesso a direitos, o apagamento cultural dos povos originários e a importância do reconhecimento de diferentes formas de conhecimento e existência, além dos desafios enfrentados por refugiados, sendo que os dados no guia apontam mais de 454 mil solicitações de refúgio no Brasil entre 2015 e 2024 por pessoas trans, que ainda lidam com barreiras estruturais no acesso a direitos, segurança, empregabilidade e reconhecimento social. 

Um dos principais diferenciais da publicação é a abordagem interseccional, que evidencia como diferentes marcadores sociais se sobrepõem e potencializam desigualdades, criando cenários mais complexos de exclusão. Ao demonstrar que essas opressões não atuam de forma isolada, o material destaca impactos diretos na saúde mental, no bem-estar e nas trajetórias pessoais e profissionais dos indivíduos. 

Além da análise teórica, o e-book propõe uma jornada prática e educativa, reunindo dinâmicas, jogos, estudos de caso e análises de obras culturais, com o objetivo de estimular o desenvolvimento da empatia e a aplicação dos aprendizados no cotidiano profissional. A proposta é não apenas ampliar a compreensão sobre diversidade, mas também contribuir para a transformação de comportamentos e contextos, incentivando a construção de ambientes mais inclusivos. 

Nesse sentido, a publicação também destaca o papel estratégico de empresas, instituições e profissionais de comunicação na promoção da diversidade e inclusão, reforçando a importância da criação de políticas internas consistentes, da valorização da pluralidade de experiências e do uso da comunicação como ferramenta de transformação cultural. Ao evidenciar que os chamados “corpos dissidentes” representam, na prática, uma maioria historicamente invisibilizada, o e-book reforça a urgência de ações concretas e contínuas para a construção de uma sociedade mais justa, equitativa e diversa. 

Sobre o e-book 

O e-book é resultado do trabalho coletivo de estudantes da ECA/USP, sob coordenação da professora Maria Aparecida Ferrari e da pesquisadora pós-doutoral Kalliandra Quevedo Conrad, em parceria com o Grupo Trama Reputale, agência referência nacional em comunicação integrada, reputação corporativa e endomarketing estratégico. O conteúdo foi desenvolvido pelos estudantes e posteriormente revisado por pesquisadores e especialistas das áreas de comunicação e diversidade, garantindo consistência conceitual e qualidade técnica. A etapa final incluiu a produção gráfica e ilustrativa realizada pela Trama Reputale, responsável por traduzir o conteúdo em uma linguagem visual acessível, atrativa e alinhada às novas gerações. 

“Essa obra é fruto de um trabalho coletivo profundamente transformador, que une rigor acadêmico, sensibilidade e olhar humano. A diversidade é apresentada como prática e vivência, e isso também se reflete no cuidado com o design”, afirma Leila Gasparindo, CEO do Grupo Trama Reputale. 

“Foi um processo altamente colaborativo, que valorizou o protagonismo dos estudantes sem descaracterizar suas produções. O resultado é um material relevante tanto para a formação acadêmica quanto para o mercado, ampliando o acesso a informações qualificadas sobre diversidade”, conclui Kalliandra Conrad. 

Para baixar o e-book, basta acessar: link 

Autora:

Giovana Telles

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