De acordo com o último levantamento divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu nível recorde entre famílias com renda acima de R$ 2,5 mil, com 50% dos domicílios nessa faixa declarando ter intenção de adquirir um imóvel. O resultado surpreende, visto que, antes da pandemia, o percentual era de 43% e chegou a cair para 31% em 2022.
Ao mesmo tempo, com a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 15% ao ano, maior patamar desde 2006, o principal desafio dos brasileiros se torna conciliar o desejo de compra com sustentabilidade financeira. Em momentos como esse, decisões impulsivas podem comprometer o orçamento, a capacidade de investimento e a formação de patrimônio. A partir disto, cresce a busca por alternativas que permitam planejar essa conquista de forma estruturada, previsível e financeiramente responsável.
Nesse contexto, o consórcio ganha ainda mais relevância como uma alternativa financeira estratégica para os brasileiros em um cenário econômico marcado por juros elevados e maior cautela nas decisões de crédito. Com um modelo baseado na formação de grupos e na diluição do valor do bem ao longo do tempo, a modalidade permite que o consumidor planeje sua aquisição de acordo com sua realidade financeira, sem surpresas decorrentes de juros ou encargos, típicos de outras modalidades de financiamento.
Nova mentalidade do consumidor
A digitalização, o fácil acesso à informação e o avanço da educação financeira estão alterando o comportamento do consumidor, havendo uma maior valorização de estratégia patrimonial, diversificação de ativos e planejamento de longo prazo. Segundo a pesquisa Observatório Febraban, 55% dos brasileiros admitem entender pouco ou nada de educação financeira, mas reconhecem que o tema é muito importante e afirmam ter grande ou moderada atenção ao acompanhamento e ao controle das finanças pessoais.
Esse movimento revela uma mudança gradual na mentalidade financeira do país. O consumidor começa a compreender que decisões patrimoniais exigem planejamento, disciplina e visão estratégica. Nesse cenário, o consórcio tende a se consolidar como uma ferramenta relevante dentro da gestão financeira pessoal, justamente por incentivar o planejamento estruturado e a construção gradual de patrimônio.
Estratégia de investimento e organização financeira
Por ser uma modalidade estruturada e previsível, o consórcio incentiva disciplina e organização, contribuindo para fortalecer a cultura de planejamento e educação financeira das famílias. Ao estabelecer parcelas definidas e um objetivo claro de aquisição, a modalidade favorece uma relação mais consciente e equilibrada do consumidor com suas finanças.
Além disso, o consórcio possibilita estratégias complementares de gestão patrimonial, permitindo que o consumidor diversifique investimentos, preserve liquidez no curto prazo e, ao mesmo tempo, construa seu patrimônio de maneira gradual, sem comprometer o orçamento mensal.
Diante desse cenário, o consórcio não deve ser visto apenas como meio de aquisição de bens, mas como instrumento de organização financeira e construção de patrimônio. Em um ambiente econômico marcado por incertezas, o planejamento se torna uma estratégia essencial, e o consórcio, por sua vez, se consolida como uma alternativa alinhada a decisões financeiras mais conscientes e em sinergia com essa tendência.

Autor:
Márcio Massani é Diretor Executivo Comercial na Âncora Consórcios uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil.


