Documentário transforma pesquisa artística em linguagem sensorial e aponta caminhos para uma cultura mais acessível
O cantor e compositor Berg Menezes apresenta o documentário “Fagulha: Música e Acessibilidade”, projeto que sintetiza anos de pesquisa e experimentação sobre inclusão no campo musical. Mais do que um registro de processo, a obra propõe uma mudança de perspectiva: pensar a acessibilidade não como adaptação, mas como ponto de partida estético e criativo.
Assista “Fagulha: Música e Acessibilidade”: https://youtu.be/frA3C9YWxxc
Desenvolvido a partir de investigações iniciadas em 2019 e aprofundadas em parceria com o Centro Cultural Bom Jardim, o projeto ganha forma definitiva a partir de experiências realizadas com o Instituto Cearense de Educação de Surdos e o Instituto dos Cegos. O contato direto com esses públicos orientou decisões artísticas e revelou novos caminhos para a criação musical.
Entre os principais diferenciais da obra está a quebra de paradigmas sobre percepção sonora. A pesquisa aponta que a experiência musical de pessoas surdas não se limita a estímulos vibracionais intensos, abrindo espaço para composições mais melódicas e sutis. Esse entendimento se reflete na construção estética do espetáculo registrado no filme.
Para o público cego, o projeto propõe uma abordagem igualmente inovadora. Em vez de descrições técnicas, Fagulha aposta em uma narrativa sensível, em que os próprios artistas conduzem o espectador por meio de imagens sonoras, emoções e atmosferas, criando uma experiência que ultrapassa a lógica da tradução literal. Essa busca é parte do trabalho de Berg.
Completando 20 anos de carreira, Berg Menezes iniciou sua carreira nas bandas Relicário e Os Coadjuvantes, além de participar de projetos como o Coral da Universidade Federal do Ceará. Seu trabalho solo inclui os EPs “Imperfeito” (2013) e “Vagabundo” (2014) e os álbuns “Pedra” (2016) e “Qual é a sua Revolução?” (2018) além de uma série de singles, como uma nova versão de “Vagabundo”.
Circulou pelo Nordeste com o show “Sinais Musicais”. Além disso, realizou uma Oficina Música e Acessibilidade, discutindo desafios e possibilidades na comunidade artística em diversas cidades. A questão da acessibilidade é algo importante no processo criativo da banda. O artista tem como integrante fixo da sua banda a intérprete de Libras Vanessa de Assis, que atua como uma segunda vocalista.
Além dessa característica, o documentário evidencia um princípio central do projeto: a construção coletiva. Guiado pelo conceito “Nada sobre nós, sem nós”, o trabalho incorpora a participação ativa de pessoas com deficiência em todas as etapas do processo, garantindo que as soluções propostas sejam fruto de escuta e colaboração reais.
“Fagulha: Música e Acessibilidade” se posiciona como um marco dentro da produção independente brasileira ao articular arte, pesquisa e impacto social. Ao transformar investigação em linguagem, o projeto amplia as possibilidades de criação e aponta para um futuro em que a acessibilidade seja parte orgânica da experiência cultural.
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Autor:
Daniel Pandeló Corrêa


