
Chove em Sampa! É hora de trabalho. Mesmo assim, ninguém pode parar. Chuva forte ou fraca não impede o paulistano de ir à luta. São milhares de sombrinhas, milhares de guarda-chuvas que, por suas cores, nos indicam o perfil de quem se esconde dela, formando um visual único: um jardim florido em movimento.
Mulheres bem maquiadas, de salto alto; homens de todas as idades, engravatados ou não, andando freneticamente sob a chuva que não quer dar trégua. Cada um se protege com guarda-chuvas de todas as cores e para todos os gostos: azul, vermelho, rosa, floridos etc. São guarda-chuvas e sombrinhas coloridos, formando um arco-íris nas calçadas.
Vendedores ambulantes surgem em pontos estratégicos para ganhar seu pão: nas portas das estações do metrô, perto dos pontos de ônibus. Gritam em voz amigável: “Guarda-chuvas! Sombrinhas! Todos feitos do melhor material”. Alguns até fazem uma pequena demonstração: “Vejam, são fortes, dobráveis, cabem na bolsa, fáceis de manusear!”
Uma jovem elegante para; um homem apressado também para. Compram. A chuva continua. Eles abrem seus guarda-chuvas recém-adquiridos e seguem caminho. Aqui em Sampa, ninguém pode parar. É a máquina que conduz o país.
Chegando em casa, a televisão mostra o lado triste da chuva: lugares mais afastados do centro da cidade, onde riachos não foram canalizados e a chuva provoca enchentes e desmoronamentos. Lá, os guarda-chuvas não são suficientes para proteger o cidadão comum; lá, só há a proteção divina.
Até que o Estado se esforça para melhorar a infraestrutura local, mas ainda é ineficiente. Felizmente, o temporal passa. Todos guardam seus guarda-chuvas. Desta vez, felizmente, nem os cidadãos das áreas nobres nem os da periferia morreram.
O homem do tempo na TV anuncia que o temporal passou e todos podem deixar os abrigos e voltar à vida normal. Quem não ficou feliz foram os vendedores de guarda-chuvas…

