O sítio mal-assombrado!

Maria e José namoravam havia pouco tempo. Seus pais, depois de conhecê-lo, ficaram encantados com o rapaz. Em poucos dias frequentando a casa da família, ele ganhou a confiança de todos.

Assim, depois de algumas saídas para cinema e teatro na metrópole onde moravam, conseguiram dos pais dela o passaporte para viagens mais longas. Estavam radiantes de felicidade.

Nos finais de semana faziam suas mochilas e subiam na moto de José — uma potente 350 cilindradas — pronta, como eles, para aventuras inesquecíveis. Em pouco tempo de namoro já haviam acampado nas praias mais lindas do litoral norte: Ubatuba, Ilhabela, Maresias, entre outras.

Sempre curtindo os pores do sol mais lindos do mundo. Mergulhos em águas limpas, só faltando piruetas de golfinhos para acompanhá-los.

A cada dia mais apaixonados, viviam fazendo planos para as próximas viagens.

Quando estavam prestes a completar um ano de namoro, resolveram escolher um local mais tranquilo. Queriam uma espécie de lua de mel antecipada. Um lugar próprio para descansar e namorar.

Depois de uma exaustiva pesquisa pela internet, alugaram um chalé em um sítio bem afastado da capital. Pelas informações, o local havia sido uma antiga fazenda de café, desapropriada e transformada, após algumas benfeitorias, em um centro de lazer.

Era um lugar isolado, cerca de quarenta minutos por uma estrada de terra.

O sítio tinha uma pequena floresta ao redor, com árvores floridas e várias atividades possíveis: quadras de tênis, campo de futebol, piscina. Mas o que mais os encantou foi a possibilidade de fazer uma trilha.

Nem mesmo desarrumaram a bagagem. Foram direto conhecer a trilha, chamada pelo pessoal do lugar de Trilha do Amor.

O nome vinha dos vários troncos de árvores que guardavam corações entalhados, acompanhados de juras de amor deixadas por visitantes.

Sem falar na orquestra formada pelo canto dos pássaros de inúmeras espécies.

A trilha acompanhava um riacho que formava três lagos, ligados entre si por pequenas pontes ornamentadas com flores.

O passeio foi tão envolvente que, entre beijos e abraços, percorreram todo o caminho esquecidos do relógio.

Na verdade, era como se o tempo tivesse deixado de existir. O momento era mágico. E eterno.

Ambos estavam nos braços do deus do amor — se é que você, leitor, me entende.

Estava tudo tão perfeito que nem perceberam quando a noite começou a mandar o sol ir dormir.

O tempo voara.

Quando retornaram ao chalé, perceberam marcas de sapatos ao redor da casa. O chão também estava molhado. Pequenas poças de água se formavam na varanda.

Olharam-se com certo espanto.

Não havia chovido.

O céu, pelo contrário, começava a receber suas estrelas mais brilhantes. Era uma noite espetacular.

José foi conferir a moto, estacionada atrás do chalé. Tudo estava em ordem.

Entraram, desfizeram as mochilas, comeram um lanche rápido e ligaram a televisão.

Assistiram a um filme de terror em que mortos-vivos invadiam uma cidade.

Zumbis, para ser mais exato.

Maria protestou, mas a opinião de José prevaleceu, e assistiram ao filme até o final.

Depois disso, como era de se esperar, namoraram bastante até altas horas.

Pouco depois de pegarem no sono, acordaram com um barulho estranho.

Passos ao redor do chalé.

Assustados, levantaram-se. José pediu silêncio a Maria e disse que ela ficasse deitada enquanto ele ia verificar.

Pegou uma faca e saiu, pé ante pé, dando a volta na casa.

Novamente encontrou marcas de sapato no chão molhado.

Mas não havia chovido.

O céu continuava estrelado.

Sem ver nada, mas ainda desconfiado, voltou para a cama e tranquilizou Maria.

O silêncio do sítio era quebrado apenas pelo coaxar dos sapos e pelo pio distante de uma coruja.

Acabaram pegando no sono novamente.

Mas, já pela madrugada, o barulho voltou.

Outra vez alguém parecia rondar o chalé.

José levantou-se de novo, desta vez com a faca na mão e disposto a enfrentar quem fosse para defender sua amada.

Mal abriu a porta, um enorme vulto branco passou rapidamente à sua frente.

Logo em seguida ouviu-se um barulho no lago.

Como se alguém tivesse mergulhado.

Depois disso, um silêncio macabro tomou conta do lugar.

Apenas o coaxar dos sapos e o pio das corujas ecoavam na noite.

Não conseguiram dormir mais.

Quando o sol nasceu e acordou a passarada, José e Maria foram conversar com o caseiro.

Perguntaram se ele havia percebido algo estranho durante a noite.

O homem, tranquilamente, fumando seu cigarro de palha, respondeu:

— Esta noite não vi nada.

Deu uma tragada lenta e continuou:

— Mas foi naquele lago ali que o antigo caseiro morreu afogado.

Maria arregalou os olhos e olhou para José.

Como se fosse telepatia, voltaram imediatamente ao chalé, arrumaram as mochilas, subiram na moto e partiram.

Quando chegaram a São Paulo, já aliviados, fizeram uma promessa:

Nunca mais trocariam o sol, a areia e o barulho do mar por um sítio afastado da civilização.

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