Alison Correia avalia decisão do Fed e alerta para pressão inflacionária impulsionada pelo petróleo

O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75%, decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro e que acabou gerando reação limitada nos ativos globais.

Na avaliação de Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, a manutenção dos juros não trouxe surpresas para os investidores. “Como já era amplamente esperado, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada, no intervalo entre 3,5% e 3,75%. O mercado já precificava praticamente 100% essa decisão, então, na minha visão, não houve qualquer surpresa nesse sentido.”

Segundo o especialista, o ponto que mais chama atenção no momento é o retorno das pressões inflacionárias, impulsionadas principalmente pela alta recente do Petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.

“O que realmente chama atenção agora é o cenário de pressões inflacionárias que voltaram a ganhar força com a alta do petróleo, impulsionada pela guerra com o Irã”, afirma.

Outro elemento relevante destacado por Correia foi o fato de a decisão do banco central americano não ter sido unânime, o que evidencia divergências dentro do comitê de política monetária.

“Importante destacar que a decisão não foi unânime. Stephen Mirren, indicado por Trump, votou a favor de um corte de 0,25 ponto percentual. Isso, por si só, já revela que há divergências internas relevantes. O próprio comunicado reforça esse cenário de incerteza ao mencionar que os desdobramentos no Oriente Médio ainda são imprevisíveis para a economia americana, e que o comitê segue atento aos riscos relacionados ao seu duplo mandato como inflação e emprego. Além disso, o texto aponta que a criação de vagas tem sido fraca e que a taxa de desemprego pouco se alterou.”

Para o analista, esse cenário cria um dilema importante para a condução da política monetária nos Estados Unidos. Em condições normais, um mercado de trabalho mais fraco tenderia a aliviar pressões inflacionárias, mas não é o que tem sido observado no momento.

“Esse ponto é crucial. Em teoria, um mercado de trabalho mais fraco deveria aliviar a inflação, mas não é isso que estamos vendo nos Estados Unidos. Pelo contrário, o cenário se torna ainda mais preocupante quando somado à pressão do petróleo. Ou seja, há um claro descompasso entre atividade e inflação, o que complica e muito a condução da política monetária.”

Nos mercados financeiros, a reação foi praticamente inexistente, refletindo o fato de que a decisão já estava amplamente precificada.

“No mercado, a reação foi praticamente nula. Bolsa e dólar seguiram exatamente na mesma dinâmica de antes da decisão, o que reforça o quanto esse movimento já estava precificado. Nada mudou no curto prazo.”

No Brasil, o comportamento dos ativos também seguiu relativamente estável, acompanhando o ambiente internacional.

“Aqui no Brasil, o cenário também reflete essa estabilidade. A Bolsa em alta e o dólar com leve valorização. Lá fora, as bolsas americanas seguem sem direção clara, já vinham mais pressionadas desde cedo, muito por conta do PPI divulgado, que veio acima do esperado e reacendeu o alerta inflacionário.”

Para os investidores, o foco agora permanece nos próximos indicadores de inflação, na evolução do mercado de trabalho e no impacto das tensões geopolíticas sobre os preços das commodities, fatores que devem influenciar os próximos passos do Federal Reserve.

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