Demorou séculos para o museu vir a ficar de pé. Um trabalho árduo de muitas mãos para esta tão singela realização. A reunião de anos de histórias, com antiguidades únicas e singulares. Obras e peças que sobreviveram ao teste do tempo, para revelar quem fomos, quem somos e quem um dia poderemos ser. Tudo reunido e encravado em um único relevo. Não só os contos de uma região, mas o romance épico de um país.
Nesse museu se reuniram velhos conhecidos, novos familiares e recentes descobertas. Todos postos debaixo de um único teto. Todos abraçados pela companhia dos anos, esses que muito se passaram, desde sua primeira criação. Permaneceram adormecidos, escondidos. Penando debaixo de muita terra, lama e chuva. Um solo tão fértil que fez com que todos esses objetos permanecessem vivos, enquanto o avanço temporal tentava mata-los.
Foram tão negligenciados, porque antes de virarem história, eram apenas mundanas criações. Isso ressalta que o significado de hoje, pode não ser o de amanhã. No salão central, havia uma estranheza, duas obras foram separadas das restantes, somente essas duas. Era estranho, pois diferente das demais, não conversavam entre si, eram de épocas diferentes, só estavam lá, suspensas, contando causos de períodos distintos, só trocando olhares, uma de frente para a outro, sem terem uma palavra em comum para trocar.
O que se passava na cabeça desses curadores? Por que em todas as outras seções uma narrativa era expressada e nessa em especifico nada fazia sentido? Vai saber! Talvez foi falta de espaço para colocar. Ou talvez havia uma mensagem a se passar, uma que ninguém entendeu, que nem mesmo os guias podiam explicar. Já que a única coisa conectava as duas, além de serem sobreviventes das judiações do tempo, eram suas irrefutáveis belezas.


