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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Dica de Leitura: “Cultura e Imperialismo”, de Edward Said – A Cultura como Arma do Domínio Global

Edward Said, em sua obra seminal de 1993, revela como a cultura ocidental serviu de pilar fundamental para sustentar o imperialismo ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. Expandindo as ideias de “Orientalismo”, o autor demonstra que romances clássicos de escritores como Jane Austen e Joseph Conrad não eram meras narrativas inocentes, mas instrumentos sutis que naturalizavam a superioridade europeia sobre territórios colonizados. Essa análise incisiva obriga o leitor a repensar a literatura como campo de batalha ideológica, onde o colonizado é retratado como inferior e necessitado de “civilização”.​

A força do livro reside na desconstrução de narrativas imperiais que permeiam a alta cultura, mostrando como elas moldaram percepções de poder e subalternidade. Said argumenta que o imperialismo não se limitava a conquistas militares ou econômicas, mas se enraizava na produção cultural que legitimava o domínio metropolitano sobre o “Outro” distante. Exemplos como as descrições africanistas ou indianistas em obras europeias ilustram como a ficção perpetuava estereótipos, justificando a exploração de povos e terras. No contexto brasileiro, essa leitura ressoa profundamente, pois evoca as representações do Brasil nas crônicas coloniais portuguesas, que pintavam o Novo Mundo como terra exótica e subdesenvolvida, ecoando até hoje em discursos neocoloniais.​

Contudo, Said não se contenta com a denúncia; ele celebra as resistências culturais que emergiram nos países colonizados, como as vozes nativas na literatura anticolonial. Essa contraposição entre hegemonia imperial e contrapontos descoloniais oferece uma visão esperançosa de interdependência cultural global. Em um mundo ainda marcado por assimetrias de poder, como as intervenções midiáticas na Guerra do Golfo analisadas por Said, o livro clama por um humanismo crítico que transcenda fronteiras. Sua relevância persiste em 2026, convidando intelectuais a desmascarar novas formas de imperialismo cultural disfarçadas de globalização.

Manuel Flavio Saiol Pacheco
Manuel Flavio Saiol Pacheco
Doutorando e Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Justiça e Segurança pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Especialista em Desenvolvimento Territorial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Possui ainda especializações em Direito Tributário, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Docência Jurídica, Docência de Antropologia, Sociologia Política, Ciência Política, Teologia e Cultura e Gestão Pública e Projetos. Graduado em Direito pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Advogado, Presidente da Comissão de Segurança Pública da 14º Subseção da OAB/RJ, Servidor Público.

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