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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Além do Soberano: Onde o poder se esconde no seu cotidiano.

O poder contemporâneo opera de forma silenciosa e difusa. Atualmente, ele se desvincula da figura do soberano para se instalar nas próprias práticas de subjetivação. Nessa perspectiva, o poder deixa de ser uma imposição externa para se tornar uma força constitutiva da psique social. Assim, a eficácia do comando reside justamente na sua invisibilidade e na adesão voluntária dos indivíduos às normas de desempenho.

O Poder no Cotidiano: Da Biopolítica ao Controle

Embora o senso comum localize o poder apenas em governos ou autoridades visíveis, a contemporaneidade revela um controle muito mais imanente. De fato, as relações de poder ocorrem na mesa de jantar, na fila do banco e, sobretudo, no ambiente de trabalho. Conforme Michel Foucault alertava, o poder é capilar: ele não apenas desce do Estado, mas nasce no cotidiano através das normas que aceitamos sem questionar.

Essa capilaridade evoluiu para o que chamamos de Biopolítica. Nesse estágio, o poder não busca apenas punir, mas gerir a própria vida, ditando padrões estéticos e ritmos de saúde. Por exemplo, ao monitorarmos passos em um smartwatch para atingir metas de rendimento, permitimos que o sistema gerencie nossa biologia em prol da produtividade.

O Poder Simbólico e a Era Algorítmica

Paralelamente, o sociólogo Pierre Bourdieu identificou o Poder Simbólico. Trata-se da violência invisível das entrelinhas, onde o uso de diplomas ou vocabulário técnico exclui o outro da conversa. Nesse campo, o poder não grita; ele apenas sinaliza quem “pertence” e quem deve ser silenciado pelo peso do status.

Ademais, vivemos agora a ascensão do Poder Algorítmico. Este novo gigante não apenas filtra o que vemos, mas molda nossos desejos através de um controle preditivo. Ao antecipar nossa vontade, ele torna a escolha humana cada vez mais artificial.

O Preço da Performance: A Sociedade do Cansaço

Contudo, essa transição do controle externo para o interno tem um preço alto: o esgotamento. Na chamada Sociedade do Cansaço, conceito de Byung-Chul Han, o indivíduo torna-se o carrasco de si mesmo. O poder, então, manifesta-se em formas de depressão e burnout. Nesse cenário, a liberdade de “poder fazer tudo” transforma-se na coação de “ter que fazer tudo”, tornando o descanso uma fonte de culpa.

O Caminho da Resistência

No entanto, o poder não deve ser visto apenas como algo negativo. Em sua essência, ele é a capacidade de agir e transformar. O verdadeiro perigo reside na assimetria, quando uma das partes perde a voz e a capacidade de resistir. Em uma sociedade saudável, o poder deve ser circulante e contestável. Portanto, questionar o status quo é o primeiro passo para equilibrar as balanças. Ao percebermos como tentam moldar nosso comportamento, ganhamos a ferramenta mais poderosa de todas: a escolha.

A pergunta que resta é: você é o autor dos seus desejos ou apenas o executor de uma vontade que não lhe pertence?

Bianca Duarte Dias
Bianca Duarte Dias
Historiadora e Pós-graduada e Ciencias Humanas e Sociais Aplicadas e Pós-graduada em Economia e Geopolitica.

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