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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Cinema: “Missão Resgate: Vingança” — Um artigo sobre redenção e inverno

A estrada para o Everest não é feita apenas de curvas geladas e nevascas cortantes. Ela se constrói a partir de memórias, promessas e reencontros. É sobre essa travessia emotiva que “Missão Resgate: Vingança” se desenha. Lançado em 2025 e dirigido por Jonathan Hensleigh, o filme chegou diretamente ao streaming pela plataforma Prime Video no Brasil, onde Liam Neeson retorna como o caminhoneiro Mike McCann. Ele carrega seus fantasmas e está disposto a honrar o último desejo do irmão: espalhar suas cinzas na montanha sagrada dos Himalaias.

O roteiro foge do trivial das superproduções de ação ao mostrar Mike como um viajante solitário. Encosta sua tristeza numa carta de despedida e embarca num ônibus guiado por Dhani, personagem de Fan Bingbing, rumo ao topo do mundo. Aquilo que seria um rito silencioso vira caos, mercenários aparecem, o ônibus vira palco de emboscadas e cada curva de neve faz pulsar o perigo. O antagonismo não está apenas nos vilões. Uma corporação multinacional deseja transformar a paisagem nepalense, ameaçando famílias humildes e princípios ambientais, enquanto o jovem Vijay se torna centro de uma disputa política e alvo de sequestro e redenção.

Há cenas tensas, explosões e perseguições. No fundo dessas horas, pulsa o dilema da coragem e da moralidade. Mike se revela mais do que um especialista em cargas pesadas e assume o papel de guardião improvisado dos passageiros, entre eles gente comum, ativistas e pais e filhas, todos apanhados pelo drama da sobrevivência. As escolhas difíceis — deixar para trás, sacrificar-se, lutar ou fugir — estão sempre carregadas de dor e esperança e costuram o roteiro com densidade emocional.

O Nepal deixa de ser simples cenário e se transforma em personagem. Nas trilhas nevadas e pontes improvisadas, abrem-se futuros possíveis feitos de represas que respeitam o entorno sem devorar as aldeias. Ao final, exaustos, os sobreviventes descobrem que resgatar alguém é, acima de tudo, resgatar a si mesmo. Mike termina seu caminho não como herói típico, mas como alguém capaz de recomeçar e aprender que a vingança é menos vingativa quando se transforma em redenção. Mesmo diante do luto, a montanha oferece nova perspectiva para viver sem arrependimentos.

“Missão Resgate: Vingança”, disponível no Prime Video desde setembro de 2025, é uma jornada de ação e dor, envolvida em paisagens grandiosas e conflitos intensos. Diferencia-se por evitar o cinismo fácil dos filmes de vingança e optar por construir nuances entre culpa, promessa e esperança. Nota: 7,5 de 10.

Manuel Flavio Saiol Pacheco
Manuel Flavio Saiol Pacheco
Doutorando e Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Justiça e Segurança pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Especialista em Desenvolvimento Territorial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Possui ainda especializações em Direito Tributário, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Docência Jurídica, Docência de Antropologia, Sociologia Política, Ciência Política, Teologia e Cultura e Gestão Pública e Projetos. Graduado em Direito pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Advogado, Presidente da Comissão de Segurança Pública da 14º Subseção da OAB/RJ, Servidor Público.

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