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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Cinema: “Família, Pero No Mucho” – Um olhar sobre laços, conflitos e risos entre Brasil e Argentina

Lançado em 2025 e disponível na Netflix, o filme Família, Pero No Mucho é uma comédia leve que toca nas complexidades dos relacionamentos familiares cruzando fronteiras culturais. A trama acompanha Otávio, um pai brasileiro vivido por Leandro Hassum, que viaja com seus familiares para Bariloche conhecer os sogros argentinos da filha Mariana, prestes a se casar com Miguel, um argentino. A convivência forçada entre essas duas famílias se desenrola em meio a choques culturais, mal-entendidos e uma série de situações cômicas que exploram o conflito e a ternura inerentes ao convívio familiar. A paisagem argentina com neve, vinhos e o divertido “portunhol” acrescenta charme e autenticidade ao cenário do filme, que aborda também as resistências e expectativas dos pais diante da independência dos filhos.

O filme traz a assinatura de uma comédia que aposta nos estereótipos culturais para gerar humor imediato, mas também permite reflexões sobre controle, liberdade e vínculos familiares. Os desgastes entre Otávio e Hector, sogro argentino, refletem os choques e medos de duas famílias que lutam para aceitar as escolhas de seus filhos, mas no fundo buscam um entendimento e apoio mútuos. A narrativa reforça que os verdadeiros laços não se constroem com imposições, mas com escuta e afeto, mostrando que, apesar das diferenças aparentes, os laços familiares podem se fortalecer pela aceitação das particularidades de cada um.

Apesar de apresentar um roteiro que por vezes se mantém na superfície dos clichês e brincadeiras tradicionais sobre rivalidade cultural, o filme acerta ao humanizar os personagens e ao retratar o humor familiar sem subestimar o espectador. As melhores cenas exploram a química entre os pais das duas famílias, que oscilam entre a implicância e o carinho disfarçado, criando momentos de genuína ternura e comédia. Embora o desenvolvimento da trama romântica fique um pouco de lado, o maior mérito do longa é justamente captar a essência do convívio em família — suas imperfeições, conflitos e, sobretudo, seus afetos.

Família, Pero No Mucho é uma produção que atende bem quem busca um entretenimento leve, familiar e com uma pitada de crítica social velada. A escolha da Netflix como plataforma amplia ainda mais o alcance, permitindo que diferentes públicos se reconheçam nas pequenas batalhas do dia a dia familiar. Assim, o filme se apresenta como uma deliciosa ode às complexidades dos laços que unem, mesmo quando tudo parece “pero no mucho”.

Nota: 6

Manuel Flavio Saiol Pacheco
Manuel Flavio Saiol Pacheco
Doutorando e Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Justiça e Segurança pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Especialista em Desenvolvimento Territorial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Possui ainda especializações em Direito Tributário, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Docência Jurídica, Docência de Antropologia, Sociologia Política, Ciência Política, Teologia e Cultura e Gestão Pública e Projetos. Graduado em Direito pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Advogado, Presidente da Comissão de Segurança Pública da 14º Subseção da OAB/RJ, Servidor Público.

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