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terça-feira, 16 de abril de 2024

A Variabilidades das Reações Comportamentais

Como Minimizar os Impactos das Diferenças Individuais e Obter Resultados Satisfatórios? Que Teorias Explicam o Funcionamento da Cognição Humana? Por Que é Tão Difícil Trabalhar Com Pessoas? O Indivíduo se Comporta Conforme Suas Percepções ou de Acordo Com a Realidade?

As relações humanas no trabalho deveriam ocorrem de maneira ininterrupta a partir da interação entre duas ou mais pessoas. Essa habilidade é essencial para que as organizações obtenham um clima produtivo, harmonioso que gere empatia, colaboração e alinhamento de objetivos.

Porém, é consenso afirmar que a falta de habilidades para lidar com pessoas é um fator preponderante para o não alcance desses objetivos e, mesmo que as pessoas tenham todo o conhecimento técnico necessário para desenvolver suas atividades, as deficiências nos relacionamentos levam a não otimização dos esforços para a obtenção de resultados.

Pode-se – em alguns momentos – usar o termo “sabotar”; ou seja, mesmo tendo toda a competência, as pessoas podem lançar mão de comportamento não produtivo e ainda atrapalhar o trabalho dos outros membros da equipe.

As organizações investem fortunas em treinamentos de integração e motivação, buscam implantar novas ferramentas de gestão, novos métodos de trabalho e ainda assim percebem que os resultados poderiam ser melhores. Então pergunta-se:

  • Por que é tão difícil trabalhar com pessoas?
  • Por que os conflitos estão sempre emergindo de todos os lados e formas?
  • Como trabalhar com a diversidade e usá-la como ferramenta para o fortalecimento das equipes?
  • Como minimizar os impactos das diferenças individuais e obter resultados satisfatórios?

Para alguns, as respostas são fáceis na teoria; pois, na prática a situação se complica. Não basta ter boa vontade de transformar o ambiente em um lugar amigável, produtivo e com uma performance elevada, é necessário engajar as pessoas na causa, incluí-las no processo e dividir os louros de cada conquista.

O objetivo deste pequeno texto não é apresentar uma fórmula mágica para ter um ambiente onde todos trabalhem como uma música de uma nota só. É tentar demonstrar que mesmo com as diferenças pode-se alcançar resultados relevantes como uma sinfonia com muitas notas diferentes, mas todas dispostas com harmonia e em um ritmo estabelecido de acordo com o momento e a necessidade da organização.

O Elemento Humano e Sua Variabilidade

O homem é um ser gregário e como tal tem uma irreprimível necessidade de viver em sociedade. Está inserido em vários grupos: família, trabalho, igreja, equipes de esportes e outros e, para qualquer um destes ambientes, existe uma complexidade e uma dinâmica para se viver.

Desta forma, entendemos que o homem possui uma variabilidade enorme onde cada pessoa é um fenômeno multidimensional, sujeito às influências de uma série de variáveis.

Entender as nuances que compõem o comportamento humano não é algo simples de fazer, não é uma matemática.

Mesmo que as empresas tenham vários instrumentos para avaliar o comportamento, que mapeiam o perfil e tentam levantar os traços de personalidade, as informações obtidas não são suficientes para compreender as pessoas em sua total complexidade.

Cognição Humana

Cognição é a forma como a pessoa percebe e interpreta a si e ao seu meio externo. Funciona como um filtro pessoal na qual ela forma e estabelece uma opinião sobre o que vê, sente e pensa. Duas teorias explicam como funciona a cognição humana: a Teoria de Campo de Lewin e a Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger (CHIAVENATO, 2006).

Teoria de Campo de Lewin

Essa teoria defende que o comportamento humano é dependente de dois (2) fatores:

  • O comportamento é derivado da totalidade dos fatos coexistentes.
  • Esses fatos e eventos apresentam um campo dinâmico de forças, no qual cada fato ou evento tem uma inter-relação com os demais, influenciando e sendo influenciado por eles.

O campo dinâmico é chamado campo psicológico, que é o espaço de vida que contém a pessoa e seu ambiente psicológico. Este campo psicológico é o que a pessoa interpreta a si e ao mundo externo.

É o meio ambiente em que pessoas, objetos, situações podem ter valências diferentes, sendo valência positiva quando atraem e vão ao encontro das necessidades do indivíduo e sua satisfação é negativa quando podem ou sugerem causar algum dano ou prejuízo.

A primeira atrai e a segunda causa repulsa, criando nesta situação uma força, um vetor. Um vetor tende a criar a “locomoção” em certa direção. O modelo de comportamento humano proposto pela teoria de campo pode ser representado pela equação:

C= f (P,M); Onde

  • (C) = comportamento é o resultado da função
  • (f) interação entre a pessoa
  • (P) e seu meio externo (M).
  • (P) a pessoa é representada pelas suas características genéticas, pela sua aprendizagem em contato com o meio. Esta teoria explica porque um mesmo objeto pode ser visto e interpretado de modo diferente por cada pessoa.

Teoria da Dissonância Cognitiva de Festinger

Baseia-se na premissa de que a pessoa se esforça para manter a coerência entre suas cognições (convicções, opiniões). Quando a pessoa tem uma crença sobre algo e age diferente do que acredita, ocorre uma situação de dissonância. A dissonância e a contradição são as das principais fontes de inconsistência no comportamento. O elemento cognitivo é uma convicção que o indivíduo tem sobre si mesmo e o ambiente. Estes três (3) elementos podem estar relacionados de três maneiras:

  • Relação Dissonante: Quando a pessoa tem uma opinião sobre e algo e age de outra forma. Exemplo: o indivíduo sabe que beber e dirigir são perigosos, mas mantém esta atitude, mesmo conhecendo os riscos. •
  • Relação Consonante: Usando o exemplo anterior, o indivíduo sabe que beber e dirigir são comportamentos perigosos e então os abandona.
  • Relação Irrelevante: Quando os elementos da relação não possuem ligação – o indivíduo dirige e joga futebol.

Quando ocorre uma dissonância o indivíduo entra em um conflito íntimo e procura adotar algumas formas para sair deste desconforto:

  • Mudança do Comportamento: tenta reduzir as dissonâncias, mudando suas opiniões pessoais para adequá-las à situação externa conflitante.
  • Mudança do Ambiente: tenta mudar o ambiente e ajustá-lo às suas convicções.
  • Conflito Permanente: Caso o indivíduo não consiga mudar as suas convicções e/ou ambiente externo, passa então a conviver com o conflito íntimo da relação dissonante.

A partir destas duas (2) teorias – Teoria de Campo de Lewin e Teoria da Dissonância Cognitiva de Festiger – pode-se entender que o indivíduo se comporta conforme suas percepções e não de acordo com a realidade; ou seja, ele reage de acordo com aquilo que lhe é confortável ou não com suas cognições.

REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: O capital humano nas organizações. São Paulo: Atlas, 2006.

WANDERLEY, J.A. Negociação Total: Encontrando soluções, vencendo resistências, obtendo resultados. São Paulo: Gente, 1998.

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

Julio Cesar S Santos
Professor JULIOhttps://profigestaoblog.wordpress.com/
Professor, Jornalista e Palestrante. Articulista de importantes Jornais no RJ, autor de vários livros sobre Estratégias de Marketing, Promoção, Merchandising, Recursos Humanos, Qualidade no Atendimento ao Cliente e Liderança. Por mais de 30 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de Pós-Graduação em “Gestão Empresarial” e atualmente é Diretor Acadêmico do Polo Educacional do Méier e da Associação Brasileira de Jornalismo e Comunicação (ABRICOM). Mestre em Gestão Empresarial, especialista em Marketing Estratégico

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