19.1 C
São Paulo
quarta-feira, 12 de junho de 2024

DEUS SALVE A RAINHA

Jubileu de Platina – 70 anos de Reinado

Weslen Martins da Silva[1]

Eu declaro diante de vocês que toda minha vida, seja longa ou curta, será dedicada ao seu serviço e ao serviço da nossa grande família imperial, à qual todos nós pertencemos.

União da África do Sul, 20 de abril de 1947

            Com estas palavras, a jovem princesa Elizabeth Alexandra Mary, herdeira do trono do Império Britânico, em seu aniversário de 21 anos, enquanto visitava com seus pais e sua irmã a União da África do Sul, um domínio britânico, fez uma promessa para os povos que um dia estariam sob o seu cetro. Talvez não imaginasse quão longo e histórico seria o seu reinado.

            A frágil saúde do rei George VI declinou durante o ano de 1951 e coube a sua filha mais velha, a princesa Elizabeth, representar o monarca em uma turnê pela Austrália e a Nova Zelândia com uma breve escala no Quênia. Na manhã do dia 06 de fevereiro de 1952, o Império Britânico foi tomado de dor e comoção com a notícia que o Palácio de Buckingham anunciara: “Faleceu, as primeiras horas de hoje, no Palácio Real de Sandringham, o Rei George VI”. A jovem princesa, agora rainha, ao ser informado do acontecimento fora perguntada por seu secretário, com qual nome seria chamada, o que ela respondeu “o meu [Elizabeth], é claro.” Retornou à Londres imediatamente e fora proclamada, Pela Graça de Deus Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e dos Domínio Britânicos Além dos Mares [Austrália, Canadá, Ceilão, Nova Zelândia, Paquistão e União da África do Sul] e Defensora da Fé.

            Durante seu reinado que hoje, 06 de fevereiro de 2022, completa 70 anos, a jovem rainha amadureceu e levou a monarquia para o século 21, serviu com 14 primeiros-ministros, de Churchill à Johnson, viu seus reinos abandonarem a coroa e se tornarem repúblicas como a África do Sul e o Paquistão e mais recentemente Barbados, mas também viu novos reinos se tornarem independestes e manterem seus laços com a realeza fazendo dela rainha de países como a Jamaica e as Bahamas.

            Em seus anos de reinado passou pelas guerras de Suez, do Golfo, das Falklands (Malvinas). Viu o surgimento e a queda do Muro de Berlim e os Beatles como fenômeno mundial. Viveu seu jubileu de Prata em 1977, de Ouro em 2002 e Diamantes em 2012, além dos Jogos Olímpicos de Londres também em 2012 onde surpreendeu o mundo em sua “participação” especial como Bond girl saltando de paraquedas sob o estádio lotado na cerimônia de abertura.

            A rainha teve perdas irreparáveis ao longo dos últimos 70 anos, seu pai que faleceu de forma prematura ainda muito jovem, lady Diana princesa de Gales em um trágico acidente em Paris no verão de 1997, que abalou momentaneamente a popularidade da realeza, perdeu sua mãe a rainha Elizabeth e sua irmã a princesa Margaret na véspera das comemorações do jubileu de ouro em 2002 e mais recentemente perdeu em 2021 seu amado marido o príncipe Philip, Duque de Edimburgo.

            Apesar de todas as adversidades, em seu reinado a Grã-Bretanha recuperou seu lugar na dianteira do mundo, uma Nação desenvolvida e a estabilidade do sistema monárquico que parece garantida pelas próximas décadas com a grande popularidade do seu neto o príncipe William, Duque de Cambridge. Elizabeth II é a personificação da Grã-Bretanha e mas ficará marcado por toda a história que uma mulher apaixonada por uma vida no campo com seus cavalos e seus cachorros da raça Corgi, dignificou, em seus 70 anos de serviço, o País e a Comunidade Britânica com seu senso de dever e responsabilidade, não só mais uma rainha, mas A Rainha.

            Assim discursou o primeiro primeiro-ministro da rainha, em pela rádio para a Grã-Bretanha e para o Império:

“O rei [George vi] era muito amado por todos os seus súditos, os maiores choque já sentidos por esta ilha, caíram sobre nós durante seu reinado. […] Famosos foram os reinados de nossas rainhas. Alguns dos mais grandiosos períodos de nossa história se desenrolaram sob seus cetros. Rainha Elizabeth II, como sua homônima, rainha Elizabeth I, não passou a infância sob a expectativa de assumir a coroa. […] Eu, que fui jovem durante as augustas, incontestáveis e tranquilas glórias da era vitoriana, posso sentir a emoção de invocar mais uma vez a prece e o hino Deus Salve a Rainha”.

Winston Churchill, 10 Downing Street, 1952.

FONTE:

The Royal Family. Disponível em <https://www.royal.uk/> Acesso em janeiro de 2022.


[1] Graduado em Licenciatura em História; Especialista em História do Brasil (UCAM); Especialista em Teologia e História da Religiões (FAVENI).

Weslen Martins
Weslen Martins
Especialista em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes - UCAM (2021); Especialista em Teologia e História das Religiões pela Faculdade Venda Nova do Imigrante - FAVENI (2022); Graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Norte do Paraná - Unopar (2019). Atualmente é Professor da Educação Básica, da Rede Estadual da Bahia, no Colégio Estadual Arraial dAjuda (CEAA), Porto Seguro - BA. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

O Fim de uma Era

Os Bestializados do Século 21

A Questão Dinástica Brasileira

A Monarquia No Continente Americano

Patrocínio