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quinta-feira, 28 de março de 2024

Empreender é como um jogo de vídeo game

A primeira fase é a de idealização. É aquela fase da inquietação, o momento em que sonhamos, idealizamos e ficamos ansiosos querendo que tudo saia do papel e se torne realidade da noite para o dia. Talvez essa seja a fase mais difícil.

Bem, é assim que me sinto todas as vezes que inicio um novo texto. Fico sempre apreensiva, querendo que ele fique pronto logo. Você pode até pensar que escrever um texto não é o mesmo que empreender. Para mim é sim. Porque o meu trabalho hoje em dia, é levar conteúdo até você e para isso, tenho que pensar num tema e fazer uma série de pesquisas e consultas até conseguir colocar no papel tudo o que acredito que possa estar te ajudando a ter uma ideia para começar a empreender.

Como disse, a ideia é o começo de tudo, mas é difícil começar a investir nessa ideia quando não se tem dinheiro, lugar para desenvolver o trabalho, funcionários aptos e qualificados para exercer algumas funções que não se consegue fazer sozinho.

Todo o mundo sabe que é complicado começar e sair da zona de conforto da ideia em si mesma, sempre é a fase do jogo que mais trabalho se tem. Iniciar é difícil mesmo. E, o mais incrível, é iniciar depois que já passou por outro empreendimento ou por um emprego que ficou no passado. Mas, lembre-se: o mais importante é saber que enquanto estamos vivos poderemos sempre começar e recomeçar.

Para sair dessa zona de conforto você tem que, primeiramente, inicializar o jogo – este é título central de nosso tema de hoje. Após conhecer as regras do jogo, escolher qual será o seu perfil de jogar terá que começar a elaborar a sua estratégia para definir as próximas fases.

“É duro sair da cama com menos dois graus centígrados lá fora, mas, se você não fizer isso, o gelo não sair do carro sozinho, o pão não chega até a sua cama, os clientes não trazem o pedido nem o patrão vem até a sua casa para ver se você está bem”.

Ficar em casa ou continuar mantendo um emprego ruim, convivendo com pessoas que não te agregam novos valores à sua vida, pelo contrário, estão te levando a exaustão, a depressão, a involução – confesso que já passei por essa experiência ruim, tinha dias que chegava em casa chorando devido a pressão que sofria diariamente no ambiente de trabalho – se essa rotina não traz nada de bom para a sua vida, realmente, é um atraso muito grande para a sua própria evolução pessoal. Ficar estagnado atrás de uma mesa de escritório apenas porque você precisa de garantir o seu plano de saúde ou aguentar o patrão ‘maga’ pegajoso que te liga às 02h00 horas da manhã apenas para te lembrar que você deve fazer um ofício, ou para ter a certeza de que você está dormindo, principalmente, no caso de ser solteira, tudo isso apenas para garantir um salário, nada tão bom, porque estará sempre a baixo da sua competência profissional. Se você está se conformando com essa situação, é porque você está tão conformando (a) com a forma com que o ‘sistema’ tem direcionado as nossas vidas desde que os homens após o período Neolítico passaram a dividir as terras, as relações de trabalho de forma a explorar sempre o mais fraco. Qualquer coisa dê um ‘pulinho’ no nosso Curso – O Mundo em que não Vivemos.

Para sair dessa zona de conforto em que você pode estar serão necessárias tomar algumas atitudes que com certeza farão uma grande diferença, isso é lógico, se é o que quer.

Encontrar uma motivação para mudar uma situação confortável é um grande desafio a se enfrentar, às vezes, entramos em pânico somente de pensar que a mudança está em nossas mãos e não nos desapegamos de coisas, situações ou pessoas por puro comodismo.

“O empreendedor não pode nem pensar em se acomodar, mesmo que temporariamente! Início este artigo dessa forma, bem impactante mesmo, para que você entenda que entrar na zona de conforto não é uma opção para quem deseja dar vida ao próprio negócio e fazê-lo prosperar constantemente. ”

Como já vimos antes, a livre iniciativa, ocorre exatamente no momento em que estamos criando o nosso modelo de negócio, colocando todas as nossas pesquisas no papel, tratando-se também de uma garantia constitucional.

O Estado não pode intervir nessa sua predisposição de empreender em um modelo de negócio, porém, deverá orientar todas as fases desse processo empreendedor para que, ninguém interfira de forma a prejudicar os seus direitos em empreender, bem como, não cometa qualquer deslize que possa prejudicar os direitos de terceiros estranhos à sua vontade ou seus clientes e parceiros.

Assim, podemos encontrar em todos os países normas que protejam os direitos dos empreendedores, principalmente, em se tratando de um dos princípios primordiais das relações pessoas entre os homens, e mulheres de todas as nações: o direito fundamental de garantir a dignidade humana para ter uma vida melhor e com qualidade.

No artigo 1º, da Lei Fundamental da República Federal da Alemanha, temos o seguinte texto protetivo para as garantias fundamentais de homens e mulheres, e, que aqui vou transcrever por achar muito oportuno para nosso estudo.

Art. 1

1.A dignidade do homem é intangível. Respeitá-la é obrigação de todo poder público.

Esse é um dos princípios constitucionais mais imperativos para o ser humano de modo geral, pois, o respeito a sua dignidade pelo Estado Democrático de Direito é necessário e fundamental.

Para entender melhor a imperatividade desse princípio constitucional, vamos conceituar o que vem a significar a palavra ‘dignidade’.

“Dignidade é a qualidade de quem é digno, ou seja, de quem é honrado, exemplar, que procede com decência, com honestidade”.

Ao respeitar o ser humano, o Estado, passa a ser valorizado, pois que, não existe Estado sem o ser humano, sem o ‘povo’. E se ambos se tornaram uma única vontade, nada mais justo que revestirem-se do mesmo valor moral, ético e honroso.

“Nessa seara, Kant estabelece como imperativo categórico, a LIBERDADE do homem. Que para ser realmente livre necessita de condições para exercer esta liberdade, que nada mais são do que os direitos fundamentais e a dignidade da pessoa humana, condições estas que devem ser proporcionadas pelo Estado.

Depreendemos, que, ao exercer a nossa capacidade de imaginar, criar, desenvolver, iniciar, empreender, inovar, prospectar, empregar, gerar, multiplicar, crescer, enriquecer financeiramente, estamos agindo assim por termos liberdade e autonomia entre os demais direitos sociais, previstos em nossa Lei Maior.

O empreendedor possui essa autonomia de sua vontade, porém, deverá observar a importância de se preservar a dignidade da pessoa humana para que sua proposta de negócio inovador não interfira em direito alheio.

“A Constituição brasileira de 1988 elevou o princípio da pessoa humana à posição de fundamento da República Federativa do Brasil. Dessa forma, não fez outra coisa senão considerar que o Estado existe em função de todas as pessoas e não estas em função do Estado. Assim, toda ação estatal deve ser avaliada considerando-se cada pessoa como um fim em si mesmo ou como meio para outros objetivos, sob pena de inconstitucional.
Procura-se, com isso, compatibilizar valores individuais e coletivos. ”

Quando deixamos de idealizar um projeto e passamos para a segunda fase do jogo, onde começamos a fase da execução, passamos a ter essa integração de valores individuais e coletivos devendo respeitar a dignidade de cada pessoa como o mais elevado bem jurídico.

Assim, encontramos o princípio da dignidade humana em outras Cartas Constitucionais:

“(…) a Constituição Portuguesa de 1976, no art. 2º, determina que “a República Portuguesa é um Estado de Direito Democrático, baseado na soberania popular, no respeito e garantia de expressão e organização política democrática…”. Depois, no art. 266. Coloca os princípios fundamentais a que se submete a Administração Pública,afirmando que ela visa “a prossecução do interesse público, no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos do cidadão”; pelo item 2, “os órgãos e agentes administrativos estão subordinados à Constituição e à lei e devem atuar com justiça e imparcialidade no exercício das suas funções”.

No art. 3º, da Constituição Italiana, temos que: “todos cidadãos tem a mesma dignidade social e são iguais perante à lei. ”

“A dignidade , como espécie de princípio fundamental, serve de base para todos os demais princípios e normas constitucionais, inclusive as normas infraconstitucionais”.

Sendo a base fundamental para todas as normas constitucionais, e infraconstitucionais em todos os países, temos que, a dignidade de uma pessoa está em poder trabalhar, educar-se, vestir-se, alimentar-se, ter direito a cultura, lazer, viver, manter sua saúde física e mental equilibrada e poder compartilhar com os demais seres vivos o meio ambiente natural preservado.

De acordo com o Papa Francisco, temos que:

“É claro que onde a vida não vale por sua dignidade, mas por usa eficiência e produtividade, tudo se torna possível. Nesse cenário é preciso reiterar que a vida humana, desde a concepção até a morte natural, possui uma dignidade que a torna intangível”.

O conceito de intangível, portanto, nada mais é que a vida como o único bem maior, e que as pessoas sejam de qual etnia for, de qual credo for, de qual classe social deve ser respeitada, simplesmente assim.

Ainda, lembrando os ensinamentos do Pontífice temos que:

“Somente uma visão do ser humano como pessoa, ou seja, como sujeito essencialmentede relação e dotado de uma racionalidade peculiar e ampla, é capaz de agir conforme a ordem objetiva da moral. O Magistério da Igreja sempre reiterou com clareza, a esse propósito, que a atividade econômica deve ser conduzida segundo as leis e os métodos próprios da economia, mas no âmbito da ordem moral”.

Realmente, quando comecei a escrever este texto não pensei que acabaria me deparando com o Papa Francisco, afinal de contas, estamos traçando um paralelo entre a livre iniciativa e as fases de um jogo de videogame, mas, de certa forma, acabamos conduzindo as pesquisas de acordo com que elas se deparassem com os conceitos de intangibilidade exercidos por nossas Cartas Magnas.

Pois, que: toda ordem econômica, não poderá prevalecer sobre as garantias fundamentais dos povos que as tem como suporte jurídico para o patrocínio da vida em comum.

Também, não pode uma determinada pessoal com uma ideia que acredita ser disruptiva provocar um prejuízo coletivo ou individual, pois, a sua ideia de negócio pode ser excelente, mas, deve o empreendedor um elo entre aquilo que ‘projetou como modelo de negócio’ e aquilo que terceiro precisa, ou seja: enquanto empreendedor você deve procurar uma solução adequada para a dor do seu cliente, em conformidade com a
normatização dos princípios constitucionais encontrado em cada Estado nacional.

Autora:

Josiane Ribeiro

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