17.8 C
São Paulo
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Um governo de desastre na república de bananas.

Juro que não queria criticar o atual governo brasileiro. Ao contrário, queria estar falando bem dele. De alguma coisa positiva que tivesse feito pelo povo e pelo engrandecimento do país. Mas não há benefício que possa ser elencado. Diria que nem os ditadores militares tenham sido piores que ele.

Penso que a melhor definição para esse desgoverno seria desastre, pois é uma administração marcada por incompetência sem limites. Com ele, é possível compreender o motivo pelo qual os governantes do Norte chamam o Brasil de ‘república de bananas’. Não concordo com a forma de tratamento, mas fico imaginando a ausência de reação, qualquer forma possível, que venha confrontar a situação que vivenciamos. Pior: ainda existem aqueles que saem em sua defesa.

Não. Não é crítica gratuita. Basta olhar um pouquinho para trás para que se perceba os avanços obtidos nas últimas décadas e entender o retrocesso a que fomos submetidos. E a possibilidade de cenários ainda mais sombrios, em curto e longo prazo, já está instalada.

Nesse curto período de governo desvairado, se qualquer bolsonarista inteligente — se é que isso seja possível —, for incitado a descrever três, apenas três ações benéficas ao povo brasileiro, com certeza não serão apresentadas. Contrariamente, ações ruins sobram. E posso enumerar algumas, pois para elencar todas talvez seria quase impossível. Para defender esse insano, somente um igual a ele.

Em seus três anos de desgoverno, não é necessária nenhuma pesquisa aprofundada para que sejam percebidos seus desfavores à sociedade. Dentre eles, a exclusão da política de direitos humanos, por meio da medida provisória número 870, ao grupo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero. (LGBT), o que representa uma atitude de ódio a essas pessoas que, como qualquer brasileiro, deve gozar de todos os benefícios de nossa Carta Magna.

No campo salarial, o atual desgoverno desconsiderou a política de valorização do salário mínimo, retirando o ganho real dos trabalhadores, uma vez que o salário passa a ser reajustado apenas para reposição inflacionária, estagnando a situação dos assalariados.

No que tange ao meio ambiente, a insanidade do desgoverno caminhou na contramão da liberação nunca vista de agrotóxicos, onde somente em duzentos dias foram liberados mais venenos que qualquer outro país em uma década, situação que coloca a saúde da população em risco e deverá aumentar despesas com saúde pública em curto e longo prazo. Tal medida favorece apenas aos ruralistas e não considera a lesão que isso causará aos consumidores.

No campo do bem-estar, além do fim do departamento de HIV/Aids no Ministério da Saúde e do fim de mais de 22 mil cargos nessa área, o atual desgoverno alterou regras e redução do acesso ao Sistema Único (SUS), determinando que o repasse de recursos às municipalidades será em consonância com o total de doentes cadastrados nos quadros de saúde, o que gera exclusão de muitos que já se encontram desassistidos e compromete a universalidade de assistência, principalmente em momento em que o poder de adesão a planos de saúde se torna inviável. Essa ação representa o pior desmonte da saúde pública já visto no país. Portanto, retrocesso social.

Quanto ao meio ambiente, o atual desgoverno desconsidera a conservação da natureza e sua exploração sustentável. Assistimos à devastação de amplo espaço da Amazônia, com aval do presidente, que já ultrapassa 8.400 km² conforme mostram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), manchando o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) que tinha o Brasil como exemplo mundial no combate ao desmatamento.

No que diz respeito à moradia, o Programa Minha Casa Minha Vida sofreu desmonte total com o fim de contratações para a faixa 1 que é voltada para as famílias com renda de até R$ 1.600,00, amparada por subsídio de até 96%, taxa de juros reduzida, financiamento de 120 meses, que não implica em entrada ou análise de risco, onde o beneficiado só começa a pagar após a entrega do imóvel. Ou seja, essa parcela da sociedade não pode mais sonhar com a casa própria. A isso se soma a redução, pela metade, do investimento para o programa, o que mostra claramente que o desgoverno implantado no Brasil é antipovo.

A respeito da previdência, a reforma promovida foi dolente. A proposta aprovada pelos senadores, também insolentes por que seus aliados, retirou direitos previdenciários reduzindo em mais de oitocentos bilhões em direitos dos trabalhadores que passam a ter benefícios reduzidos, ampliação de tempo de serviço e idade para obtenção de aposentadorias integrais e praticamente a inviabilização destas por parte de grande parcela de trabalhadores e trabalhadoras.

A ‘de-reforma’ trouxe ainda a redução do salário mínimo e a possibilidade de perpetuamento de desemprego. Sem considerar que as novas regras previdenciárias abrem caminho para a redução de dinheiro em movimento na economia. Ressalta-se que a reforma promovida, com o tempo, trará estado de miséria entre as pessoas.

Com a reforma fica claro que a precarização do trabalho se tornará cada vez mais evidente, pois dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o quantitativo de pessoas sem carteira/contrato de trabalho tem registrado índices recordes nos últimos meses, além do grande número de informalidade que já atinge cerca de 38 milhões de pessoas.

Para piorar ainda mais a situação dos trabalhadores, o governo psicopata tem como prioridade o favorecimento dos empresários e quem deverá pagar a conta serão os desempregados por meio da taxação do seguro desemprego em 7,5%.

No quesito educação, esse desgoverno, desde que assumiu, tem demonstrado desejo em seu desmonte por meio de cortes de verbas para as universidades públicas e programas de fomento à pesquisa, além de retirar ações com foco na educação básica em todos os sentidos, o que confirma que o presidente não tem compromisso com a educação. Vale esclarecer que o país caminha para o que pode ser denominado terceirização da gestão e do financiamento das instituições e das universidades públicas, embora haja resistências da parte desses setores.

Em relação ao exterior, o presidente é uma vergonha não somente para o Brasil, mas para o mundo, o que foi comprovado, principalmente, em seu discurso na ONU, com fala agressiva e sem fundamentação como se discursasse para colegas de boteco ou para seu ‘gado’, valendo-se de mentira, especificamente em relação às questões ambientais e à Amazônia, ao afirmar que esta ‘permanece intocada’.

Seu discurso na ONU foi motivo de vexame e comentários indignantes por representantes de países do mundo inteiro, considerando que suas ações de destruição adotadas em nosso território, o desmonte que tem causado nas instituições estatais, seu comportamento censurador, seu descaso pelos pobres/miseráveis e o visível preconceito que carrega sobre tudo e todos é visível e não carece de estudos para comprovação.

Tudo isso é um pouco da realidade que vivenciamos. Mas as excentricidades do presidente não caberiam em um curto texto. Suas loucuras, cometidas até agora, são suficientes para edição de um texto do tamanho da Bíblia. Sem a intenção de desmerecer esse livro, evidentemente.

Autor:

Pedro Paulino da Silva. Graduação em Ciências Sociais pela FAFI Cachoeiro de Itapemirim e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Educação do Espírito Santo

Deixe uma resposta

Leia mais