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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O corpo diante do espelho

“Os espelhos são como a consciência. Nós nos vemos como somos e como não somos, pois quem se enxerga na profundidade do espelho tenta dissimular seus defeitos e consertá-los para parecerem melhores.”

-Miguel Ángel Asturias-

Sabemos que de alguma forma pode influenciar de maneira positiva ou de maneira negativa a nossa autoimagem. Imagine, por exemplo, quando você se vê com alguns quilos a mais e os outros dizem que você está bem. É um exemplo simples de que a sua perspectiva não é a mesma do resto das pessoas, e isto pode ter uma grande influência.

Nos tempos atuais, é crescente e incessante a busca por um corpo perfeito. Inúmeras são as pessoas que ultrapassam seus limites na tentativa dessa conquista e compram a ideia de obter uma aparência de “modelo” estabelecido pela mídia por meio de um corpo esbelto, magro, que julgam ser mais importante que a manutenção da própria saúde. Na expectativa de atingir resultados bastante satisfatórios e em curto prazo, sem a necessidade de investir muito tempo e esforço físico na modelação do corpo, percebe-se o intenso crescimento na venda de medicamentos para o emagrecimento, o aumento das cirurgias bariátricas e plásticas, clínicas de estéticas cada vez mais freqüentadas, a realização contínua de dietas rigorosas, muitas vezes prejudiciais à saúde.

Contudo, verificamos seriamente um número crescente entre jovens, adultos e idosos com algumas patologias como: anorexia (distorção da imagem corporal: ao olhar no espelho, sempre se vê muito mais gordo do que é), bulimia (transtorno compulsivo alimentar, onde a pessoa força o vômito após as refeições) e amenorréia, provocada por conseqüência dos outros transtornos (ausência da menstruação); a vigorexia (transtorno no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua, excessiva e super valorizada – o fanatismo – a ponto de exigir constantemente de seu corpo sem importar-se com eventuais contraindicações); a ortorexia (o exagero em dietas naturalistas); a osteoporose precoce, alterações cardíacas e metabólicas e outras, como perda de cabelo e pele ressecada com mais pelos.

Às vezes nos deixamos influenciar demais pelo que acreditamos que é esperado de nós. Como os outros querem que sejamos? Isso pode formar uma imagem externa de nós com a qual não nos sentimos identificados. Prejudicando nossa saúde mental.

Eis as questões: por que a mania de dieta? Com quem nos comparamos? O quê ou quem desejamos ser? Existe um corpo ideal ou a sociedade nos impõe um biotipo ideal? Por que sempre queremos ser como aquela ou aquele que tem abdômen definido, não tem celulite nem estrias, cabelo liso escorrido, enfim, “o modelo” que nada pode comer, senão folhas. Às vezes me pergunto? Como vivem essas pessoas? Que sofrimento lhes acometem? Corpo como cartão de visitas, como ferramenta para castigar-se ou como templo da saúde, da vida? O que me diz um corpo perfeito? Se sempre estou em busca de algo…

Como você vê percebe a si mesmo?

A maneira e a forma como você se vê diante do espelho influenciará a maneira como os outros o enxergam e percebe. Se você tem complexos, eles se manifestarão e as pessoas notarão e saberão.

O que devemos levar em consideração quando refletimos sobre nossa imagem e como nos vemos e nos percebemos diante do espelho?

Apresento dois fatores muito importantes:

  • Aquilo que você pensa sobre si mesmo se converte em realidade, você querendo ou não. Tudo que passa pela sua mente se manifestará de alguma forma, por isso pense positivo e deixe o negativo em um lugar afastado. Pensar positivamente sobre si mesmo será muito benéfico.
  • A beleza é criada no interior. Todas as coisas boas, tudo que é positivo, tem que sair de você, não de outra pessoa. Por que se esconder? Manifeste seu eu verdadeiro, pois às vezes queremos ser quem não somos. Aceite-se, aceite sua beleza, sua essência e manifeste-a.

Esse processo se torna difícil, pois precisamos abandonar velhas ideias, crenças limitantes e preconceitos sobre nós mesmos, desfazendo anos e anos de rotulagem social. A sociedade impõe padrões de beleza que nem sempre se consegue alcançar, e o pior de tudo, influencia-nos a acreditar que é fácil e possível, mas não é. A pessoa com um estado emocional desestruturado tende a acreditar em falsas promessas, o que só torna mais dificultoso o processo de auto aceitação, podendo ativar alguns gatilhos tais como ansiedade, estresse, entre outros mais profundos e complexos. Pela visão psicológica autoestima é a capacidade que temos de valorizar ou não a nossa identidade, é a satisfação com o que somos, é autoconfiança, autoconhecimento e reconhecimento do nosso próprio valor. Para a sociedade, de uma forma geral, autoestima está muito mais associada a questões de estéticas do que a qualquer outro elemento. Os fatores mais comuns para a elevação da autoestima são: autoconhecimento, confiança em si mesma, auto aceitação, autovalorização, a prática do amor próprio e o autocuidado. 

Autora:

Msc. Marta Batista Professora da Faculdade Alpha, Mestre em Psicologia da Saúde; Psicóloga Clínica Hospitalar; Neuropsicóloga, Especialista em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico; Escritora; Palestrante; Psicóloga da  Santa Casa Misericórdia do Recife. Instagram: @martabsn41

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