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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Eu e o mundo

_Nasci sozinho e vou embora deste mundo, também sozinho.

Esta frase traz um sentido importante que, se levado a sério, no nosso histórico de vida, nos ajudarão a pensar antes de agir.

Eu e o mundo.

Começamos a nossa existência na dependência da escolha de um casal, que decidirá se devemos nascer ou não, se ficarão conosco ou não ou nos abandonarão a própria sorte, para adoção, nos orfanatos, abrigos ou simplesmente nos jogarão fora, nas latas de lixo, nas ruas, como se fôssemos algo que os atrapalham.

Ficamos a mercê de cuidados de terceiros, que nem sempre nos tratarão com respeito e preocupados com o nosso bem estar em todos os âmbitos.

Os sentimentos são únicos e pessoais.

Coração é terreno que ninguém pisa.

O ser humano vai agregando valores éticos morais, traumas, medos, aflições e ansiedades que ele não entende e, na maioria das vezes, não sabe como lidar com eles.

Na infância, depende do outro para tudo, é nele que se espelha positiva ou negativamente, aprende com os exemplos, ensinamentos.

Mas e o seu coração, como fica?

Ter que lidar com abandonos, mortes, perdas de um modo geral, rejeições, ambientes insalubres físicos e psicológicos, convivendo, muitas vezes, com contravenções, vícios, desvios de caráter, abusos, violência, orgulho, preconceito, ambições desmedidas,.

Emoções desencontradas que moldarão o seu caráter e o ajudarão a testar as suas tendências e aptidões.

O medo do novo, do que o aterroriza, das pessoas que o machucam.

Independente da classe social, o ser humano vive a pressão do mundo que o rodeia, limites demais, de menos ou nenhum, precisa de uma mão amiga que o ajude a lidar e esclarecer as suas dúvidas e anseios.

Ele pode estar rodeado de pessoas, mas a dor que sente é só dele, o desespero de ter que arcar com as consequências de suas atitudes, a solidão, esta é a pior parte.

Não existe pior e melhor escola que a solidão, é ali que se aprende o sentido da frase:

_ Nasci sozinho e vou embora deste mundo, também sozinho.

Tudo depende exclusivamente de você.

Quantas vezes chora sozinho, assustado, tem que se mostrar corajoso, valente, destemido para se encaixar nos grupos sociais e familiares.

O seu histórico de vida vai sendo formado e vai canalizando os seus temores, muitas vezes, para a violência, rebeldia ou apatia e fobia social.

Pode desenvolver doenças psicossomáticas como depressão, síndrome do pânico, insônia, transtornos alimentares, bipolares, toc, e ter dificuldades em se firmar em relacionamentos em todos os âmbitos e para se encaixar profissionalmente

As vezes poderá se impor através do medo, valentia ou não se impor, deixar-se levar pela vida, apático, sentindo-se vítima social.

Perguntas como:

_Por que eu? O que que foi que eu fiz para merecer isto? Por que sou perseguido? Por que ninguém tem paciência comigo?

Saber como eu sou de verdade, como costumo reagir a situações de stress, como lido com a minha ambição, faço por merecer as oportunidades que vão surgindo ou vou passando por cima das pessoas, sem escrúpulos, até conseguir o que eu quero?

Uso as minhas experiências difíceis como aprendizado para mudar de comportamento ou penso se lidei com abusos, violências, abandonos, rejeições, o outro também pode?

Tenho a empatia como norte para a minha vida ou que se dane o outro?

O autoconhecimento evita doenças físicas e psicológicas em você e no outro.

Violência exagerada é horrível e pode ter consequências irreversíveis, mas tolerância demais, achar que está deixando para lá, empurrando com a barriga, fazer “vista grossa”, aceitar ser manipulado, também pode ter consequências irreversíveis, vamos danificando o nosso psicológico, a nossa autoestima, a alegria de viver, pois só recebemos o comportamento que toleramos.

Como entender o outro, se não nos entendemos, não sabemos como somos de verdade, se dizemos deixa para lá e ficamos nos remoendo na mágoa e no rancor, na culpa por não sabermos como reverter esta situação que está nos adoecendo?

Quem toma as decisões de sua vida? Quem é o responsável por elas? Preciso do outro para ser feliz e ter sentimentos de alegria ou de dor? Quem é o meu melhor amigo? Com quem eu convivo o tempo todo?

Então, sou eu mesmo. Eu sou o meu pior e melhor amigo. A melhor ou a pior companhia.

Para isto se analise, se conheça, se você não gosta da vida que tem ou teve, dos familiares, pais, trabalho, faça diferente, mude você a maneira de enxergar a situação e a vida, faça valer a sua experiência terrena.

_ Nasci sozinho e vou embora deste mundo, também sozinho, mas com a consciência tranquila de que naquele momento você fez o melhor que pôde.

Criticamos os corruptos, os criminosos, mas eles também foram bebês, tiveram sonhos.

O que diferencia as atitudes más das boas é o autoconhecimento que o ajuda a parar para pensar antes de tomar uma decisão de roubar, matar, violência, ambição desmedida, suicídio que nada mais é que um pedido de socorro de emoções que não está conseguindo lidar e nem entender.

Os segundos para parar e pensar antes de agir, antever as possíveis consequências que poderiam advir se eu levar adiante, antes de dar uma respostar, puxar uma arma para o outro, aceitar favores ilícitos, enfim realizar a empatia, é fundamental.

Se cada um pudesse avaliar os estragos dos pensamentos negativos, desejos de vingança, mágoas, rancores, orgulho, ataques de violência, ciúmes, de raiva, fúria… buscaria, com intensidade e constância, o aprimoramento interior e com certeza, seriam mais felizes e resolveria, sozinho, os seus conflitos interiores e problemas, sem envolver ninguém.

Autora:

Teresa Armando Elios da Silva

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