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sábado, 22 de janeiro de 2022

Pensamento de criança

Estamos aqui neste planeta, neste país, estado, cidade, bairro, casa, ou seja, no lugar que nos encontramos nesse exato momento, sala, quarto, banheiro, rua, sentados, em pé, parados, andando, comendo ou jejuando, pouco importa, nós estamos aqui! E ainda somos crianças neste mundo.

Decidimos por nós mesmos estarmos aqui depois que crescemos e desenvolvemos ao menos um pouco de nosso senso crítico. Para alguns, vontade própria, decidir ficar no lugar onde se quer estar. Para outros, necessidade pela falta de possibilidade real em suas vidas. Na verdade, não importa o porquê estamos neste momento ou neste lugar onde permanecemos. Sabemos que nos encontramos aqui e em muitos momentos da vida pensamos se deveríamos ou não estar aqui. Dúvidas, diversas e variadas nos acometem a todo o momento, basta abrirmos os olhos pela manhã e mais que rapidamente começam a flutuar em nossos pensamentos, certezas e incertezas, verdades e mentiras, certo e errado. Para tudo o que pensamos, essas possibilidades se transformam em ilimitadas.

Então vamos raciocinar um pouco antes de entrarmos em nossos mundos individualizados e começarmos a dizer tudo o que realmente pensamos ou achamos que queremos pensar, sem mesmo termos a certeza do que realmente é justo, certo, sensato ou não, para eu, tu, ele adicionado dos “S”s da vida.

Estou escrevendo esse Pensamento depois de assistir e ler inúmeras reportagens, pensamentos de indivíduos e etc, além de acompanhar a maioria dos meus amigos, quer do trabalho, pessoais e pessoas que nem conheço, mas que por algum motivo não específico me acompanham nas redes sociais (facebook, whatsApp, instagram, dentre outras), para informar o que penso após avaliar e ponderar em meu unitário pensamento mínimo, e descobri que ainda sou uma criança.

Temos um dom divino que é estarmos vivos e podermos pensar por nós mesmos, sem que ninguém nos diga qual direção temos que tomar. Escolhemos livremente a direção a seguir, direta ou esquerda, para cima ou para baixo, quais cores usar, amarelo, verde, azul, vermelho, branco, pouco importa. Por toda essa variação de possibilidades ofertadas ao indivíduo, dizemos que vivemos em uma Democracia mesmo que seja em seu conceito menor e que todos os dicionários destacam igualmente “é a forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo”.

Nos comentários sociais e políticos brasileiros que explicam nossa situação atual, vemos todos analisarem as expectativas coletivas a respeitos dos problemas enfrentados por nossa sociedade, se fala no Norte,  Nordeste,  Sul,  Sudeste,  Centro Oeste, que todos devem enfim se sentirem representados ou não pela política atual. Em todas as residências brasileiras, quer pobre ou rica, pequena ou grande, com comida a mesa ou não, com seus carros na garagem ou ônibus ou bicicletas ou pernas tortas e cansadas de andar, lutar, trabalhar, conquistar ou não, a pseudo verdade que se insinua é o  caso ou descaso de nossa própria nobre humanidade, em qualquer que seja o certo e torto canto desta terra que no passado ouviu-se o brado retumbante da História.

Parece-me justo que esse Povo, que hoje é amplamente informado por todos os meios de comunicação existente e de pouco mais de 500 anos da pseudo descoberta, ainda se comporte como criança, sem saber ao certo para onde ir, em quem confiar ou desconfiar, no que acreditar ou desacreditar.

Desta forma vamos passando pelo tempo, tentando sermos interessados em ver, ouvir, confabular, escrever, discutir, ou apenas tentar prestar atenção a tudo que nos dizem nas casas, ruas, trabalho, escola, praças, jornais ou não.

Somos todos meio obrigados, mesmo que não tenhamos vontade de tentar entender a real situação da vida. Pois em todos os lugares sempre temos alguém interessado em nos informar sobre os acontecimentos públicos de nosso país. Desta forma acabamos tendo atenção aos assuntos no que a Democracia nos possibilita conhecer, e assim absorvemos parte das informações de todos os lados e partes desse colosso impávido em que vivemos.

No que acreditar, passou a ser a certeza da incerteza que vem de todas as partes do nosso país, em todas as esferas se faz presente a vontade da maioria, representado pelas nossas escolhas “públicas e secretas”.

Mas porque ainda sinto que nossa dúvida ainda persiste?

Porque ainda sinto que nossa vontade ainda não é ouvida?

Porque ainda sinto que não conseguimos pensar no que realmente fazer?

Lembrei, é que ainda somos criança.

Parece que nosso Povo está tão dividido em suas medidas, que nos comentários ouvidos por mim, noto que parece que todos estão lutando por suas próprias vontades. E se for assim, será que começamos a viver um momento de “eugoísmo”.

Não me atrevo a precisar.

Apenas me atrevo a pensar, e com esse atrevimento socializo esse pequeno pensamento, que vivifica um país que o inconformismo se confunde com as vontades de querer maior ou menor, de pequenas situações públicas e políticas, onde o que se evidencia é tão somente à vontade “eugoísticas” de lado a lado, onde as cores são colocadas como troféus e evidenciadas como se fossem as vestes plenas da salvação, e esquecesse do bem comum e da justiça.

Preocupa-me, quando o Povo se deixa envolver por dimensões não tão claras, e parece que desta forma acabamos confundindo as medidas reais dessa Democracia, onde acabamos culpando e inocentando lado a lado, indivíduos que parecem serem iguais em seus desmandos públicos pífios.

Vejo que nas discussões dos dias presentes e futuros, ainda vou ouvir e notar as mesmas vontades, os mesmos entendimentos, e talvez até desentendimentos sobre o que se deve realmente fazer.

Desta forma me resta apenas uma certeza.

A de que nossos representantes independentemente se tenham votado neles ou não, foram eleitos em nosso processo de Democracia, e executam a “vontade” da maioria do nosso Povo. Me vejo no espelho ao ver e ouvir nossos Vereadores, Prefeitos, Deputados Estaduais, Governadores, Deputados Federais, Senadores e Presidente, em suas falas no dia a dia.

Fica claro a mim que na maioria dos momentos que os ouço, não penso como eles, não concordo, com tudo que defendem ou fazem, e aí me sinto aquela criança que mais acima citei, ainda sou jovem talvez para entender os “eugoísmos” de nossa Democracia.

O que me resta então… é pedir para eu mesmo, tentar no tempo que se segue aprender a crescer rápido, pois esse tempo é contínuo e nunca para.

Belém, 05/06/2021.

Autor:

Marcio Santos

2 COMENTÁRIOS

  1. De um moleque para outro! Talvez nossa democracia seja ainda uma criança meu caro amigo, e ainda tenha um longo caminho pela frente se não sucumbi aos assédios, como os que tem sofridos nossas crianças reais, da “adultez” do jogo do capital e da corrupção. Cabe a todos nós cuidar desta “criança”.
    Mas o vocábulo criança nos traz diversos imaginários: incompletude, imaturidade, inexperiência…, porém, e também, a vitalidade, a curiosidade, a inquietude, a esperança, a possibilidade, a potência (ainda não ato – parafraseando Aristóteles). Vamos apostar neste segundo ato e lutar pelos bons, aqueles que o Chaves (personagem de Roberto Mario Gómez y Bolaños) chama para segui-lo.
    Quanto a criança dentro de nós, vou apelar para um poema já pronto: “Há um menino / Há um moleque / Morando sempre no meu coração / Toda vez que o adulto balança / Ele vem pra me dar a mão” (Bola de Meia, Bola de Gude – Fernando Brant / Milton Nascimento), que esta ccriança esteja sempre presente dando a mão para nosso adulto!
    Um grande abraço meu caro amigo Márcio!
    Francisco Aires.

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