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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Desculpa, mas eu sou…

Essa é a frase que eu mais detesto ouvir, sabe quando você se vê perdido em um diálogo com uma pessoa que solta uma barbaridade e já completa com: Desculpa, mas eu sou sincera assim mesmo. Parece que o peso dos adjetivos tem mudado consideravelmente e quando vem acompanhado de uma “Desculpa” ou um “Perdão” parece que todo o discurso deve ser perdoado pela simples questão da pessoa já se justificar por uma atitude, que alguém alguma vez falou para ela que se enquadrava no seu jeito de ser e transformou isso num traço deturpado de personalidade.

Me aflige muito estar perdido dentro de uma conversa assim, pois eu nunca sei como reagir, será que eu informo para a pessoa que ser grossa em qualquer assunto não é uma característica mascarada de personalidade forte, pois se alguém contou isso pra ela e já foi interiorizado pode causar um grande baque e eu não quero mesmo ter que falar a frase já citada acompanhada de um “é que eu sou muito justo assim mesmo”.

Mas isso me leva a pensar muito em como temos medo de não mudar, pegamos algo completamente errado e maldoso sobre nós mesmos e ao invés de trabalhar isso, temos a necessidade de transformar em algo positivo, como por exemplo sinceridade. Porque não podemos aceitar que muitas vezes erramos em nosso jeito de nos expressar e tentar melhorar continuamente, ao invés de apenas propagar uma imagem de falsa perfeição tendo que viver pedindo desculpas por algo que fazemos.

O medo de sermos imperfeitos é muito maior que a premissa de podermos ofender a pessoa, nos olhar no espelho e trabalhar o que pode ter de errado conosco perde o espaço para um tipo de máscara que preferimos usar nos detalhes não tão agradáveis de nossa personalidade, mesmo que o outro possa se machucar é melhor que ele pense que ele esta errado em se ofender por que eu sou apenas sincero e não maldoso nos meus comentários, convenhamos mesmo que não tenhamos consciência disso sempre buscamos tirar o nosso do foco, da reta, buscando colocar uma qualidade nos holofotes, mesmo sendo uma qualidade falsa.

Antes de nos preocuparmos em pedir desculpa por alguma coisa que não temos intenção de mudar, deveríamos nos ocupar em melhorar nossas forma de olhar para nós mesmos, antes de como amenizar a forma que a outra pessoa vai receber seu comentário, tentar trabalhar os pontos pode ser árduo, mas particularmente acho mais bonito que ter que se preocupar sobre cada palavra. E antes que eu me esqueça, caso esse texto faça sentido para você, eu não te desculpo pela sinceridade não.

Autor:

Jônatas Cavalcante Ribeiro

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