Características dos Empreendedores Conforme Suas Motivações

Que Tipo de Motivações Podem Levar Pessoas a Empreenderem Por Necessidade? Como Perceber as Oportunidades de Empreender? Quais as Diferenças Entre o Empreendedor Informal e o Individual?

Estudiosos em Empreendedorismo vêm afirmando que, ser empreendedor, não se resume apenas a ter sua própria empresa, uma vez que o comportamento empreendedor pode ser encontrado em um ator, desde a concepção até a apresentação da peça e entrega do produto ao espectador. Para outros analistas, esse comportamento pode estar presente na mente de um um funcionário público que propõe maneiras de otimizar recursos e melhor atender a sociedade ou, em pessoas inconformadas com problemas sociais que lhes rodeiam, as quais decidiram se unir para mudar aquela realidade – por exemplo.

Um desses estudiosos dividiu os empreendedores conforme suas motivações em dois (2) grandes grupos; ou seja, os que empreendem por necessidade e os que empreendem por oportunidade.

1) Empreendedores por Necessidade

Em nosso país, vivemos momentos difíceis de desemprego, subempregos, falta de acesso à educação de qualidade, entre outras coisas. DORNELAS ([1]) apresenta as principais motivações que podem levar as pessoas a buscarem empreender por necessidade.

  • Falta de acesso a oportunidades de trabalho formal como empregado: aliado à falta de conhecimento explícito e de acesso à educação formal, empreender passa a ser uma alternativa para suprir suas necessidades.
  • Necessidade de recursos financeiros mínimos para arcar com as demandas da sobrevivência: Complementando o tópico anterior, o autor aponta que “O trabalho informal se torna rotina, e qualquer atividade que traga o mínimo de recursos para prover alimentação, quando muito, a si e à família, acaba por se constituir o dia a dia do empreendedor de necessidade. ” (DORNELAS, 2015, p. 36).
  • Carência de conhecimento explícito: quanto menor o acesso dos adultos ao conhecimento formal e de qualidade quando crianças e jovens, maior a chance de empreenderem por necessidade, pois ficou uma lacuna do que o autor chama de conhecimento tácito.
  • Demissão e desemprego: muitas vezes, uma demissão inesperada ou oportunidades formais que não aparecem fazem com que as pessoas mudem seus planos e empreendam por necessidade. Afinal, é preciso garantir o sustento de si e dos seus familiares.

2) Empreendedores por Oportunidade

Diferentemente dos que necessitam empreender por sobrevivência, estão neste grupo motivações que se dão a partir de oportunidades que aparecem na vida dessas pessoas ou ainda de metas planejadas. Vejamos as motivações:

  • Decisão deliberada e/ou planejada: muitos empreendedores se planejam e preparam para empreender. De maneira estratégica, decidem em que investir e tocam adiante algum projeto. Segundo Dornelas (2015, p. 37), são geralmente funcionários de grandes empresas que acumularam experiência e recursos para abrir e investir em seus próprios sonhos.
  • Ideia, descoberta, inovação: essa motivação pode se dar desde a partir de um pesquisador que descobriu alguma coisa genial para impactar a vida das pessoas quanto por meio de pessoas que criam suas empresas a partir de soluções que enxergam no dia a dia das pessoas, inclusive para resolverem problemas pessoais.
  • Convite: algumas pessoas empreendem porque foram convidadas para um projeto diferente, como sócios que complementam as habilidades de quem concebeu a ideia do novo negócio.
  • Busca sistemática (querer ganhar dinheiro e se realizar financeiramente): alguns empreendedores colocam como fator prioritário a busca pela realização financeira e testam as opções do mercado que melhor possam se tornar oportunidades de negócio.
  • Desejo de autonomia: é a motivação que a maioria dos empreendedores tem de tomar as decisões, de definir o caminho a seguir, de ter voz em seu negócio. Essa postura exige cuidado, pois pode ser que o empreendedor precise ouvir seus sócios ou clientes chaves para ter sucesso.
  • Ganhar um recurso inesperado: é a motivação financeira que faltava para um empreendedor que tinha vontade, mas não tinha condições de empreender. Ganhar na loteria ou receber um bônus na empresa em que trabalha pode ser o incentivo decisivo para empreender.
  • Receber herança e/ou participar de sucessão de empresa familiar: outras motivações que dariam um passo importante para se montar um novo negócio. Projeto da pós-carreira: a aposentadoria pode significar uma passagem do mundo da carteira assinada para uma nova fase da vida profissional, a de ser dono do próprio negócio.
  • Missão de vida: algumas pessoas sonham em deixar um legado e aproveitam para empreender, devolver soluções à sociedade, gerar empregos e riquezas como parte de uma missão.

Com base no texto de José Dornelas, a Revista Exame fez uma releitura das principais características e habilidades dos empreendedores. Aproveite para ver se você se encaixa em alguns desses perfis e se abra para novas oportunidades:

1. O Informal: É o empreendedor que atua para pagar as contas imediatas. Precisa do negócio para sobreviver. Aos poucos, este profissional tem sido substituído pelo Microempreendedor Individual (MEI)

2. O Cooperado: Este perfil empreende de maneira intuitiva, ligado a cooperativas. Geralmente tem poucos recursos e tem como meta crescer até se tornar independente.

3. O Individual: É o empreendedor informal que se formalizou através do MEI e começa a estruturar uma empresa. Geralmente age pela sobrevivência e trabalha sozinho ou com mais um sócio.

4. O Franqueado e o Franqueador: Considerados empreendedores pela iniciativa de comandar um negócio, mesmo que uma franquia. O franqueado geralmente procura uma renda mensal média e o retorno do investimento. Já o franqueador costuma ser exemplo de empreendedorismo ao expandir sua marca por meio de uma rede de franquias.

5. O Social: Empreendedores que aliam o desejo de transformar a sociedade em que vivem com a oportunidade de ganhar dinheiro.

6. O Corporativo: Também chamado de intra empreendedor, é um funcionário que empreende novos projetos na empresa que trabalha, visando ao crescimento da empresa.

7. O Público: Parte do conceito do intra empreendedor, mas atua no setor governamental. Não se entrega à estabilidade e busca o bem coletivo.

8. O do Conhecimento: Este empreendedor usa um profundo conhecimento em determinada área para conseguir faturar. É o profissional liberal que quer fazer a diferença; o maestro que rege a orquestra com perfeição e entusiasma a plateia com o resultado obtido; o escritor que estimula as pessoas a sonhar e a viver o papel do protagonista da história. (DORNELAS, 2015, p. 40).

9. O do Negócio Próprio: A princípio, empreende sem muitas expectativas de crescimento, mas para ser dono do próprio negócio ou ter um padrão de vida digno, certo status social. O empreendedor que arrisca, pode construir algo duradouro e que eventualmente muda o mundo, ou pelo menos sua região, cidade, comunidade; e pode se tornar um franqueador e gerar riqueza e empregos e servir a sociedade com sua empresa.


([1]DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo na prática: mitos e verdade do empreendedor de sucesso. 3.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015

https://www.facebook.com/profigestao

Julio Cesar S Santos
Professor JULIOhttps://profigestaoblog.wordpress.com/
Professor, Jornalista e Palestrante. Articulista de importantes Jornais no RJ, autor de vários livros sobre Estratégias de Marketing, Promoção, Merchandising, Recursos Humanos, Qualidade no Atendimento ao Cliente e Liderança. Por mais de 30 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de Pós-Graduação em “Gestão Empresarial” e atualmente é Diretor Acadêmico do Polo Educacional do Méier e da Associação Brasileira de Jornalismo e Comunicação (ABRICOM). Mestre em Gestão Empresarial, especialista em Marketing Estratégico

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