Mercado brasileiro de veículos elétricos passa por momento de escala e popularização

Desde que se iniciou o conflito entre Rússia e Ucrânia no mês passado, já se imaginava que o setor de combustíveis, como gasolina e gás natural, bem como, o de automóveis, seriam afetados. Muito por conta de tudo que já vimos e ouvimos a mídia dizer, como o aumento dos combustíveis pela escassez, as sanções impostas à Rússia, que é uma grande exportadora, além do aumento do preço por conta da demanda.

No entanto, não se sabia ainda o quanto cada um desses setores poderia ser atingido, pois dependia, evidentemente, do tempo de duração do conflito e, de como os demais países iriam reagir. Um mês depois, vemos que o conflito ainda se estende, e que as sanções aplicadas aos russos, grande exportador mundial de petróleo, foram bem fortes.

Por isso, já se espera que o conflito afete de forma significativa os setores de veículos e combustíveis, além, evidentemente, da economia global. O CEO da Volkswagen, Herbert Diess, maior construtora de automóveis da Europa, por exemplo, afirmou recentemente para o Financial Times que o impacto da guerra na economia europeia será muito maior do que o da pandemia da Covid-19, podendo ter como resultado “enormes aumentos de preços, escassez de energia e inflação”.

A alta no preço dos combustíveis, que já está sendo percebida há algum tempo, principalmente por nós brasileiros, jogou novamente o foco para o tema da eletrificação de frotas no país. Fato é que, o mercado de eletrificados brasileiro vem se expandindo há algum tempo, e pode pegar carona nesta crise dos combustíveis para aumentar a popularização dos VEs (veículos elétricos) na sociedade.

É claro, que quando um preço aumenta, o consumidor vai em busca de opções que possam compensar mais, e este é o caso dos veículos elétricos. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em 2021, por exemplo, houve um aumento de 77%  de vendas, com 34.990 unidades vendidas.

O mercado de veículos elétricos, principalmente brasileiro passa pelo melhor momento para poder aumentar a popularização e mostrar os benefícios de ter um carro que não seja movido a combustíveis fósseis.

É fato que ainda faltam, e muitas, melhorias para o setor e para que a população se interesse um pouco mais pelos VEs. A primeira delas é a infraestrutura das cidades, é preciso que urgentemente o setor busque parceiros para aumentar a oferta de postos de carregamento pelo país. De acordo com um estudo do Boston Consulting Group (BCG), o Brasil vai precisar de 150 mil pontos de carregamento nos próximos anos, e hoje o país conta com cerca de 750 pontos. Além disso, é claro, entra o fator de preços. Um carro 100% elétrico tem o valor médio de R$ 165 mil, muito superior a um veículo popular a combustão.

Nosso país, no entanto, conta com uma saída que pode ser fundamental para essa ajuda a popularização dos modelos eletrificados, os famosos: veículos híbridos plug-in. Mais precisamente, aqueles que funcionam com baterias e com combustíveis, entre eles, o etanol. Mesmo que também sejam mais caros que  o carro movido a combustível comum, apostar neles como forma de passagem de um momento para o outro pode ser a saída.

A jogada pode funcionar com os veículos híbridos como uma etapa anterior para a eletrificação total. É um produto fácil de ser desenvolvido no país, é amigável ao meio ambiente e dará tempo para a indústria elétrica investir em infraestrutura, para que, enfim, possa oferecer ao consumidor uma nova forma de se locomover, com veículos mais sustentáveis, tecnológicos, modernos, elétricos e compartilhados.

Autor:

Guilherme Cavalcante é CEO e fundador do app UCorp. O executivo tornou-se especialista em desenvolver modelos de negócios e produtos digitais com foco em mobilidade. Guilherme é formado em formado em Tecnologia e Mídias Digitais pela  Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), e possui pós-graduado em Design de Projetos Especiais pela BAU-Barcelona e Inteligência de mercado pela Universidade de São Paulo (USP).

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