O aumento da violência digital e da exposição pública nas redes sociais tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental. Psicólogos apontam que ataques virtuais contínuos podem desencadear crises de ansiedade, estresse intenso, isolamento social e agravamento de quadros emocionais, especialmente quando a vítima passa a ser alvo de humilhação pública e perseguição online. Foi nesse contexto que a nutricionista e empresária Carol Galdino decidiu recorrer à Justiça após relatar sofrer uma sequência de ataques virtuais que, segundo sua defesa, ultrapassaram qualquer limite de desentendimento pessoal.
Em março de 2026, Carol formalizou boletim de ocorrência e ingressou com uma queixa-crime após ter seu nome associado a acusações consideradas ofensivas e sem comprovação. Segundo os autos, a empresária, que atualmente é noiva de um profissional ligado ao meio artístico, passou a sofrer exposição pública, comentários depreciativos e disseminação de conteúdos considerados difamatórios após conflitos envolvendo relações pessoais.
“Em nenhum momento imaginei passar por uma exposição dessa dimensão. Ver meu nome sendo associado a ofensas e acusações tão graves abalou profundamente minha saúde emocional e minha vida profissional”, afirma Carol Galdino.
Na ação protocolada na Justiça de Cuiabá, a empresária relata ter sido alvo de termos pejorativos, insinuações sobre sua vida pessoal e ataques direcionados à sua reputação profissional. A queixa-crime também aponta que conteúdos divulgados em redes sociais e aplicativos de mensagens teriam incentivado hostilidade pública e ampliado os ataques virtuais contra ela. 
O documento ainda sustenta que áudios atribuídos à nutricionista teriam sido compartilhados sem autenticidade comprovada, criando uma narrativa artificial de perseguição e conflito. A defesa argumenta que houve tentativa deliberada de “destruição da honra objetiva e subjetiva” da empresária por meio da internet e da repercussão em plataformas digitais. 
Outro ponto destacado na ação envolve os impactos psicológicos provocados pela repercussão do caso. Conforme relatado nos autos, Carol Galdino sofreu crises de ansiedade e intenso desgaste emocional diante da exposição contínua. A defesa também menciona que a empresária possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que, segundo o processo, potencializou os efeitos emocionais decorrentes da violência moral sofrida. 
“Cheguei a ter crises de ansiedade ao acompanhar a proporção que tudo tomou nas redes sociais. Foi uma situação extremamente dolorosa, porque ultrapassou qualquer questão pessoal e atingiu minha dignidade, minha família e meu trabalho”, declara a nutricionista.
Entre os elementos anexados à queixa-crime estão prints, vídeos, áudios, links de reportagens e demais provas digitais que, segundo os advogados, demonstrariam a prática reiterada de injúria e difamação em ambiente virtual. O processo também menciona expressões consideradas misóginas e humilhantes utilizadas contra a empresária, além de comentários depreciativos relacionados à sua origem geográfica e à sua dignidade pessoal. 
A ação tramita na Justiça de Cuiabá e pede a responsabilização criminal pelos supostos crimes contra a honra, com aplicação da majorante prevista para casos cometidos por meio das redes sociais. Enquanto o caso segue em apuração, Carol afirma buscar preservar sua saúde emocional e retomar sua rotina profissional longe da exposição pública provocada pela disputa virtual.


